Novos CEOs chegam mais depressa, mas os conselhos ainda não estão preparados

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O tempo de adaptação concedido aos novos líderes está a desaparecer. Os CEO’s assumem funções em plena transformação organizacional, pressionados a tomar decisões estratégicas antes de conhecerem profundamente a empresa ou conquistarem a confiança dos diferentes stakeholders.O CEO and Board Survey 2026, da Korn Ferry, mostra que conselhos de administração e CEO reconhecem muitos dos mesmos riscos, mas divergem quanto ao grau de preparação das organizações para os enfrentar. A tensão é particularmente evidente entre os líderes que ocupam o cargo pela primeira vez. Sucessão começa demasiado tardeMetade dos membros dos conselhos de administração afirma que o planeamento da última sucessão do CEO’s começou demasiado tarde. A mesma opinião é partilhada por 57% dos CEO’s, 60% dos CEO’s experientes e 56% dos CEO’s em primeiro mandato.O problema não se limita ao calendário. Cerca de 69% dos conselhos reconhecem que não recolheram informação suficiente através de avaliações de 360 graus durante o último processo de sucessão.Embora 60% considerem que a sucessão funciona melhor quando é tratada como um processo contínuo, apenas 17% reveem trimestralmente os respetivos planos. As organizações continuam, assim, a utilizar sistemas concebidos para um ritmo de transição diferente daquele que enfrentam atualmente. Primeiros mandatos concentram a pressãoEm média, apenas 15% dos conselhos de administração consideram ter realizado um trabalho muito sólido na preparação de um CEO’s em primeiro mandato. A percentagem varia entre setores: fica pelos 9% na Tecnologia, mas chega aos 32% no setor público.Ao mesmo tempo, 55% dos novos CEO’s identificam a gestão do tempo e da energia como um dos maiores desafios da função. O sucesso depende cada vez menos de fazer mais e cada vez mais de perceber onde concentrar a atenção nos primeiros meses.A confiança também precisa de ser construída mais rapidamente. Apesar de 83% dos conselhos confiarem na capacidade de liderança do novo CEO’s, apenas 10% afirmam que este já está plenamente ligado ao conselho e conquistou a sua confiança. IA abre uma divisão entre CEO’s e conselhosA Inteligência Artificial é considerada uma competência prioritária para os próximos três anos, mas a confiança na capacidade das organizações para gerir os respetivos riscos fica aquém da importância atribuída à tecnologia.Entre os CEO’s em primeiro mandato, 49% dizem estar confiantes na gestão dos riscos relacionados com IA e tecnologias futuras. Apenas 30% dos membros dos conselhos de administração partilham essa confiança.A distância repete-se quando se compara prioridade e preparação: 62% dos conselhos consideram a proficiência em IA uma competência importante, mas só 30% confiam na gestão dos riscos. Entre os CEO’s, as percentagens são, respetivamente, 60% e 46%.Também na gestão das futuras necessidades de talento existe uma diferença: 50% dos CEO’s acreditam que a organização está preparada, face a apenas 38% dos conselhos. Jogar pelo seguro também pode ser arriscadoO estudo revela que 50% dos conselhos, ao analisarem a nomeação mais recente, consideram ter jogado demasiado pelo seguro, recorrendo ao que funcionou no passado em vez de escolherem aquilo que poderia transformar a empresa.Ainda assim, uma transição bem preparada pode reforçar a organização. Cerca de 61% dos inquiridos afirmam que a renovação dos conselhos trouxe novas competências.O desafio já não passa apenas por escolher o líder certo. Exige planeamento permanente da sucessão, preparação adequada, confiança acelerada e mecanismos de governação capazes de preservar a continuidade e o ritmo de decisão durante a mudança.O conteúdo Novos CEOs chegam mais depressa, mas os conselhos ainda não estão preparados aparece primeiro em Revista Líder.