As PME estão preparadas para o ecodesign? Nova ferramenta mede a maturidade dos produtos

Wait 5 sec.

A Smart Waste Portugal desenvolveu uma ferramenta de autoavaliação destinada a ajudar as pequenas e médias empresas a perceber até que ponto integram critérios de sustentabilidade no desenvolvimento dos seus produtos.Designada Ecodesign Readiness Levels (ERL), a metodologia foi criada no âmbito do projeto TransformEC — Transformação Circular e funciona como um instrumento de diagnóstico, planeamento e melhoria contínua, adaptado à realidade das PME.A ferramenta permite identificar o ponto de partida de cada produto, detetar oportunidades de evolução e definir os passos necessários para integrar progressivamente princípios de ecodesign e economia circular. Ecodesign pode determinar 80% do impacto ambientalSegundo a Comissão Europeia, 80% dos impactes ambientais de um produto ficam definidos durante a fase de design. É nesta etapa que são tomadas decisões sobre os materiais, a durabilidade, a reparabilidade, a eficiência na utilização de recursos e o potencial de reciclagem.Os resultados das regras europeias já existentes mostram o alcance destas decisões. De acordo com o Conselho da União Europeia, os requisitos de ecodesign aplicados a 31 grupos de produtos permitiram reduzir em 10% o respetivo consumo anual de energia e poupar 120 mil milhões de euros em custos energéticos.A metodologia ERL pretende ajudar as PME a prepararem-se para as mudanças introduzidas pelo Regulamento Ecodesign for Sustainable Products (ESPR), em vigor na União Europeia desde 2024.O novo enquadramento procura tornar os produtos reutilizáveis, mais duráveis, reparáveis, eficientes no uso de recursos e recicláveis, reforçando o papel do ecodesign na transição para uma economia circular. Da obrigação legal à integração estratégicaInspirada nos Technology Readiness Levels (TRL), utilizados para medir a maturidade tecnológica, a metodologia adapta esta lógica ao ecodesign.A escala permite posicionar um produto entre o cumprimento dos requisitos legais mínimos e uma integração sistemática e estratégica da sustentabilidade ao longo do seu desenvolvimento.A partir deste diagnóstico, as empresas podem:Identificar oportunidades de melhoria nos produtos;Definir prioridades de intervenção;Orientar investimentos em inovação sustentável;Acompanhar a evolução do desempenho ambiental;Preparar-se para novos requisitos regulamentares;Responder às crescentes exigências do mercado.«O ecodesign é uma das áreas em que a transição para uma economia circular se pode traduzir em mudanças muito concretas», afirma Luísa Magalhães, diretora executiva da Smart Waste Portugal.A responsável explica que o trabalho permitiu compreender melhor o ponto de situação das PME e criar ferramentas capazes de transformar conhecimento em ação.Queremos que as empresas consigam identificar o seu ponto de partida, perceber onde podem evoluir e integrar, de forma progressiva, critérios de circularidade no desenvolvimento dos seus produtos.Ferramenta não substitui certificação ou avaliação legalA metodologia ERL tem uma finalidade de capacitação e apoio à decisão, não constituindo um sistema de certificação nem um mecanismo de verificação da conformidade legal.Também não deve ser utilizada para fundamentar alegações ambientais, rotulagem ou comunicação externa sobre o desempenho ambiental dos produtos.A aplicação da ferramenta pressupõe que os produtos avaliados já cumprem todos os requisitos legais e normativos em vigor.Para apoiar as empresas, a Smart Waste Portugal disponibiliza no seu website um documento técnico sobre a metodologia, a matriz detalhada, um manual de aplicação, uma ferramenta de autoavaliação em Excel e um booklet explicativo. Estudo analisa o estado do ecodesign nas PMENo âmbito da mesma atividade, a Associação desenvolveu ainda o estudo Estado do Ecodesign nas PME e Tendências, que procura caracterizar o nível de adoção destas práticas e identificar os principais desafios e oportunidades.O documento analisa igualmente as implicações do novo enquadramento regulamentar europeu e procura aprofundar a compreensão das condições necessárias para uma adoção progressiva e eficaz do ecodesign. O estudo teve por base análise documental, auscultação de stakeholders e a sistematização de exemplos práticos recolhidos no âmbito do TransformEC.Em conjunto, a metodologia ERL e o estudo disponibilizam às PME conhecimento e instrumentos para transformar a circularidade em decisões concretas de desenvolvimento de produto, apoiar a inovação e reforçar a competitividade.O conteúdo As PME estão preparadas para o ecodesign? Nova ferramenta mede a maturidade dos produtos aparece primeiro em Revista Líder.