Amapá lidera ranking estadual de maior velocidade média contratada (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)O mercado brasileiro de telecomunicações encerrou junho de 2026 com movimentações na disputa pela preferência do consumidor. Segundo dados da Anatel, as grandes operadoras nacionais e a Starlink lideraram a atração de novos clientes na internet fixa, enquanto provedores regionais amargaram perdas. O relatório ainda trouxe recortes sobre a alta velocidade no país e a expansão do 5G na telefonia móvel.O Brasil fechou o primeiro semestre com 56,6 milhões de acessos ativos de banda larga fixa. Desse montante, a fibra óptica domina absoluta, representando 80,4% das conexões. A velocidade média contratada pelos brasileiros também subiu, batendo a marca de 520,98 Mb/s. Uma curiosidade revelada pela agência é que o Sudeste não domina esse quesito: o Amapá é o estado com a maior velocidade média de internet do país, de 737,40 Mb/s.Por que os provedores regionais perderam clientes em junho?O encolhimento é um reflexo do aumento da concorrência. Empresas que atuam em áreas restritas enfrentam mais dificuldades para reter a base de clientes diante das ofertas agressivas das grandes teles, que costumam empacotar internet fixa, telefonia móvel e serviços de streaming em combos atraentes.A retração afetou marcas como a Algar, que registrou baixa de 2 mil clientes (ficando com 837,1 mil acessos). A Desktop, provedora com forte atuação em São Paulo e que passa por um processo de aquisição pela Claro, também encerrou o mês no vermelho: perdeu 1 mil assinantes e fechou o período com 1,19 milhão de contratos.No grupo das empresas regionais, poucas conseguiram manter a estabilidade ou crescer, e os números foram modestos. A Brasil TecPar e a Unifique adicionaram 2 mil clientes cada, enquanto a Brisanet conquistou apenas 1 mil novos assinantes.Avanço da Vivo, Starlink e ClaroLíder isolada do mercado brasileiro, a Claro registrou 21 mil novos assinantes, sustentando o primeiro lugar no ranking com um total de 10,8 milhões de conexões ativas. A Vivo ganhou 57 mil novos clientes de internet fixa, assegurando a vice-liderança nacional, com 8,4 milhões de acessos.A Starlink, empresa de conectividade via satélite da SpaceX, manteve o ritmo de expansão e subiu para 1,5% de participação no mercado de banda larga, com forte adesão em zonas rurais, onde a fibra óptica não chega. Os registros oficiais da Anatel apontam exatos 836.847 assinantes no Brasil — número menor que o volume divulgado pela companhia de Elon Musk, que afirma ter mais de 1 milhão de clientes no país.Starlink responde por 1,5% do mercado nacional de banda larga (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)Retomada da Nio e a TIMOutro destaque de junho foi o desempenho da Nio, operadora que assumiu a antiga Oi Fibra. Após meses registrando perda de usuários, a marca conseguiu inverter a curva, atraindo 9 mil assinantes e atingindo o terceiro mês consecutivo de crescimento. O resultado assegura à empresa a terceira maior base de banda larga do país, com 3,25 milhões de acessos. A TIM, por sua vez, ativou 5 mil acessos de internet fixa, fechando junho com 906,4 mil contratos. 5G em alta e operadoras virtuaisOs dados da Anatel também destacaram mudanças na telefonia móvel. O 5G manteve sua rápida curva de adoção e subiu para 24,2% de participação nos acessos móveis no Brasil. O número é mais expressivo se considerarmos só os celulares, excluindo conexões entre máquinas (o chamado M2M). Nesse cenário, a rede de quinta geração já responde por 30,5% dos acessos.O relatório também analisa as operadoras móveis com rede virtual (empresas que alugam a infraestrutura das grandes teles para vender planos próprios). A Nucel domina o segmento e é a única da categoria a romper a barreira do milhão, registrando 1.063.914 de linhas ativas. O Correios Celular aparece na terceira posição, com 936.633 clientes. Banda larga: Vivo lidera, Starlink avança e Nio cresce pelo terceiro mês