Pequenos detentores de Bitcoin movimentaram moedas no dia 31 de julho a um ritmo não visto desde a queda da FTX. A falha nas carteiras físicas (hardware wallets) da Coldcard, que vinha gerando chaves adivinháveis há cinco anos e já é estimada em causar um prejuízo de cerca de R$ 578 milhões aos usuários, levou a essa intensa movimentação de Bitcoin, segundo dados da CryptoQuant à medida que a notícia se espalhava.As transferências inferiores a 1 BTC somaram 39.600 BTC (cerca de US$ 2,5 bilhões) naquele dia, tuitou Julio Moreno, chefe de pesquisa da empresa. A última imagem comparável foi de 39.900 BTC em 16 de novembro de 2022, dias após a falência da FTX. Os endereços ativos diários subiram de 645.000 em 30 de julho para quase um milhão em 31 de julho — o maior número desde dezembro de 2024 —, com o pico concentrado em endereços de envio, e não de recebimento.The Bitcoin plebs had not move this amount of BTC in a day since the FTX collapse.39.6K BTC transferred on July 31st after the coldcard hack, 39.9K BTC transferred on November 16 2022, a few days after the FTX collapse.These are Bitcoin transfers < 1 BTC.I like to see that… pic.twitter.com/c7Qzx7za6M— Julio Moreno (@jjcmoreno) August 2, 2026Uma parte foi para corretoras. Os depósitos compostos por transferências de menos de 10 BTC atingiram 7.300 BTC (US$ 459 milhões) em 31 de julho, o maior valor desde 6 de fevereiro, informou a CryptoQuant. Moreno associou a movimentação à brecha da Coldcard, dizendo que os usuários pareciam estar transferindo seus ativos “em busca de segurança”, embora ressaltasse que a conexão não era definitiva.Notavelmente, o preço do Bitcoin mal se moveu em meio à onda de depósitos nas corretoras, sugerindo que os usuários estavam movimentando suas moedas para protegê-las, e não para vender. Nesta segunda-feira (3), o Bitcoin está sendo negociado atualmente a US$ 62.457, com queda de 1% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.A Falha da ColdcardA falha da Coldcard, descoberta no final da última semana, remonta a um erro de construção de firmware de março de 2021 nos dispositivos da Coinkite, que fez com que as frases de recuperação (seed phrases) fossem geradas com pouca aleatoriedade, deixando as chaves privadas suscetíveis a serem adivinhadas. A exploração dessa falha aconteceu com varreduras de carteiras deliberadas e programáticas, provavelmente orquestradas com um modelo de linguagem grande. Especialistas alertaram que todos os endereços Coldcard de assinatura única criados após essa atualização de 2021 serão eventualmente esvaziados, dizendo que é apenas uma questão de tempo.Até sábado, a Galaxy Research registrou três ondas de roubos, totalizando 1.367 BTC em 4.585 endereços — acima dos US$ 38 milhões de quando a falha foi divulgada e dos US$ 70 milhões de quando Changpeng Zhao, fundador da Binance, alertou os detentores.Uma quarta onda provavelmente está em andamento. Alex Thorn, da Galaxy Research, apontou varreduras (sweeps) em 15 blocos consecutivos na segunda-feira, ocorrendo a cerca de 45 vezes a taxa normal. Após corrigir um conjunto que havia incluído erroneamente endereços multisig, a onda foi estimada em 709 endereços e 448,73 BTC (US$ 28 milhões). Isso levaria o total acumulado para cerca de 1.816 BTC, perto de US$ 114 milhões (R$ 578 milhões). Thorn acrescentou a ressalva de que nenhuma vítima confirmou ainda a quarta onda, que se baseia em identificação de padrões.? LIKELY 4TH ORGANIZED WAVE COLDCARD ATTACK OCCURRING RIGHT NOWTHERE ARE STILL SIMILAR TXS IN THE MEMPOOL WAITING TO BE CONFIRMED AND THE PREVIOUSLY-CONFIRMED TXS SIGNAL RBF OPT-IN, CHECK YOUR FUNDS AND YOU MAY BE ABLE TO RBF YOUR WAY OUT OF THISpattern identified:blocks…— Alex Thorn (@intangiblecoins) August 3, 2026Algumas dessas varreduras ainda estavam não confirmadas na mempool e optaram pelo recurso replace-by-fee (RBF), disse ele, o que significa que os detentores que agirem rapidamente e pagarem uma taxa mais alta podem conseguir cobrir o lance do atacante. Nenhum dos endereços atingidos nas três primeiras ondas era multisig.“Um alerta geral”O diretor de segurança (CSO) da Kraken, Nick Percoco, chamou o incidente de “um alerta geral para toda a indústria de carterias de hardware”. Ele notou que os modelos Mk4, Mk5 e Q da Coldcard vêm com chips de elemento seguro certificados, mas suas seeds ainda saíram com cerca de 72 bits de entropia, porque a certificação cobria o componente físico, mas ninguém verificou qual caminho de código realmente rodou.Percoco defende a validação das fontes de entropia por laboratórios independentes, vinculada a versões específicas de firmware e listada em um registro público, assim como os terminais de pagamento já exigem. Ele acrescentou que a correção emergencial (hotfix) da Coinkite agora interrompe a compilação a menos que o gerador correto esteja vinculado — um controle que, segundo ele, levou cerca de 48 horas para ser escrito assim que a empresa soube o que procurar.* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta.O post Coldcard: Falha de segurança em carteira de Bitcoin gera R$ 578 milhões em perdas apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.