Pesquisadores encontraram uma estrutura até então desconhecida em cérebros afetados pelo Alzheimer. A descoberta pode ajudar a explicar por que a doença continua avançando mesmo após tratamentos contra as placas mais conhecidas.O estudo analisou camundongos e tecidos cerebrais humanos e identificou um novo tipo de acúmulo ligado ao funcionamento das mitocôndrias, responsáveis por fornecer energia às células.O Alzheimer afeta cerca de 57 milhões de pessoas no mundo, e esse número continua crescendo. Imagem: Shutterstock/LightField StudiosO que são as placas mitocondriaisO Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta cerca de 57 milhões de pessoas no mundo. A expectativa é que esse número ultrapasse 150 milhões até 2050.Tradicionalmente, a doença é associada ao acúmulo de placas de beta-amiloide e de proteínas tau alteradas, alterações que levam à morte dos neurônios e comprometem memória, aprendizado e raciocínio.Agora, um estudo publicado na revista Nature Neuroscience aponta outro elemento importante: as chamadas placas mitocondriais. Elas surgem quando a mitofagia, mecanismo responsável por eliminar mitocôndrias danificadas, deixa de funcionar como deveria.Esta descoberta identifica as placas mitocondriais como uma característica até então não reconhecida da doença de Alzheimer.Paul Robbins, bioquímico da Universidade de Minnesota e um dos autores do estudo, em nota.Como os pesquisadores chegaram à descobertaA equipe utilizou camundongos geneticamente modificados e cérebros humanos doados para pesquisa. Para acompanhar o comportamento das mitocôndrias, empregou um marcador fluorescente chamado Keima, capaz de indicar diferentes estágios desse processo.A análise revelou que as placas mitocondriais podem aparecer sozinhas ou junto das placas de beta-amiloide.Os principais resultados foram:As placas surgiram em camundongos ainda jovens;O acúmulo aumentou conforme os animais envelheciam;Nenhuma dessas estruturas foi encontrada em cérebros saudáveis;A maior concentração ocorreu nos axônios e dendritos dos neurônios.Os pesquisadores também observaram que os lisossomos, responsáveis por eliminar resíduos celulares, tentam degradar esse material, mas acabam sobrecarregados à medida que as placas aumentam.As placas mitocondriais podem abrir caminho para tratamentos que vão além do combate ao beta-amiloide. Imagem: Artur Plawgo / iStockDescoberta pode ampliar as opções de tratamentoOutro aspecto chamou a atenção da equipe. Diferentemente das placas de beta-amiloide, que ficam fora das células nervosas, as placas mitocondriais parecem afetar diretamente regiões responsáveis pela transmissão dos sinais entre os neurônios.Leia mais:Descoberta brasileira revela pistas ocultas do AlzheimerO que acontece com o cérebro de quem assiste muita televisãoA doença de Alzheimer pode estar “escondida” nos olhos“Ao contrário das placas amiloides encontradas fora das células cerebrais, essas placas parecem afetar diretamente os neurônios, o que as torna um novo alvo potencial para tratamentos contra a doença de Alzheimer”, explicou Xiuli Dan, bióloga celular da Universidade de Minnesota e primeira autora do estudo.Os pesquisadores destacam que terapias voltadas apenas para remover placas de beta-amiloide nem sempre conseguem impedir o avanço da neurodegeneração. A identificação desse novo tipo de lesão reforça a hipótese de que o Alzheimer resulta de diferentes processos atuando ao mesmo tempo.A expectativa é que estudos futuros investiguem tratamentos capazes de combinar o combate às placas de beta-amiloide e às placas mitocondriais, além de preservar a mitofagia. Os autores também apontam que essas estruturas poderão se tornar um novo marcador para acompanhar a evolução da doença.O post Pesquisa revela nova pista para entender o avanço do Alzheimer apareceu primeiro em Olhar Digital.