Presos ligados aos PCC admitem participação em lavagem de US$ 30 milhões nos EUA

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Seis homens presos nos Estados Unidos admitiram participação em uma sofisticada rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo as autoridades americanas, a organização movimentou e ocultou mais de 30 milhões de dólares provenientes do tráfico de drogas.Cinco dos réus são brasileiros e um é cidadão americano. Todos moravam na região de Orlando, na Flórida, e foram presos no âmbito de uma operação conduzida pelo FBI em janeiro deste ano.Os acusados são:Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos; Gabriel Cezar Menezes, de 29; João Andrade de Mello, de 29; Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa, de 30; Leandro de Ávila Gonçalves, de 42;Omar Aliperti de Mello Correa, de 34 anos, cidadão americano.O processo tramita na Justiça Federal dos Estados Unidos, no Tribunal Distrital do Sul da Flórida. Portanto, os réus respondem ao caso em território americano, e não no Brasil.De acordo com o comunicado mais recente do Departamento de Justiça, os seis já se declararam culpados de conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Cinco tiveram as confissões aceitas pela Justiça em 1º de junho. Ygor Saviolli foi o sexto e último acusado a admitir participação.Com as declarações de culpa, o caso não deverá seguir para um julgamento com júri. A próxima etapa é a definição das sentenças por um juiz federal. Cada réu pode receber uma pena máxima de 20 anos de prisão, mas as condenações serão calculadas individualmente, de acordo com a participação de cada acusado, os valores movimentados, os antecedentes e outros fatores previstos na legislação americana.Os comunicados oficiais não informam se todos permanecem presos enquanto aguardam as sentenças ou se algum deles foi autorizado a responder a essa fase em liberdade, sob condições impostas pela Justiça.Segundo o Departamento de Justiça, a organização recolhia grandes quantidades de dinheiro vivo provenientes da venda de drogas em diferentes regiões dos Estados Unidos. Os valores eram depositados em instituições financeiras para ocultar sua origem e devolver os lucros aos fornecedores de entorpecentes que operavam fora do país.Dezenas de coletas eram organizadas por meio de conversas no WhatsApp, envolvendo facilitadores e transportadores. O dinheiro foi recolhido em cidades como Atlanta, Charlotte, Chicago, Cleveland, Minneapolis, Rochester e Tampa.Função dos presos no PCCYgor Saviolli fornecia recursos antecipados para viabilizar as operações e supervisionava o recebimento e a lavagem dos valores. Gabriel Menezes também atuava como facilitador, orientava os transportadores e participou pessoalmente de algumas coletas.Omar Correa, João de Mello, Tadeu Barbosa e Leandro Gonçalves atuavam como mensageiros da organização, recolhendo grandes quantias em espécie em diferentes cidades americanas.A relação do esquema com o PCC foi confirmada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo o órgão, a rede financeira da facção operava a partir de dois núcleos principais: um na Flórida e outro em São Paulo.O núcleo brasileiro seria liderado por Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Shimada foi descrito pelas autoridades americanas como um elo importante entre os operadores do PCC na Flórida e traficantes estrangeiros.Parte dos recursos teria sido transferida dos Estados Unidos para o Brasil por meio de criptomoedas, em benefício da facção. O governo americano também aplicou sanções contra Shimada, Stella e empresas relacionadas à estrutura financeira da organização.Os documentos oficiais confirmam que os seis réus faziam parte da rede de lavagem de dinheiro do PCC. No entanto, não esclarecem se todos eram membros formalmente incorporados à facção ou se atuavam como operadores financeiros, facilitadores e transportadores a serviço do grupo.Depois das sentenças, os acusados brasileiros que estiverem sujeitos às leis migratórias também poderão enfrentar processos de remoção dos Estados Unidos. Em geral, uma eventual deportação ocorreria depois do cumprimento da pena federal. Omar Correa, por ser cidadão americano, não está sujeito à deportação.A investigação é conduzida pelo FBI, com o apoio da DEA e da divisão de Investigações de Segurança Interna do Departamento de Segurança Interna, incluindo os escritórios de Miami e do adido em Brasília.