Quem usou a internet no começo dos anos 2000 sabe que navegar exigia paciência, planejamento e um pouco de sorte. Esperar a meia-noite para conectar sem estourar a conta do telefone era ritual obrigatório em boa parte das casas brasileiras. O MSN Messenger da Microsoft concentrava a vida social de uma geração inteira, com status personalizados e o temido nudge. O Orkut, do Google, era o espelho da identidade digital do brasileiro por quase uma década. Você se lembra que baixar uma música no Kazaa podia levar horas, e qualquer ligação no telefone fixo derrubava tudo instantaneamente. Nessa época, antivírus como Norton e McAfee eram instalados por necessidade real e não por precaução. O TechTudo reuniu essas e outras dez situações que só quem viveu a internet discada vai reconhecer de imediato.🔎 7 jogos de navegador clássicos que marcaram época nos anos 2000🔔 Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviewsSó quem usava a internet nos anos 2000 vai lembrar dessas 10 situaçõesReprodução/YouTube/SheldonVídeos📝Quando vai poder baixar o GTA 6 no PC? Descubra no Fórum TechTudoSituações que você vai lembrar se usou a internet nos anos 2000Neste texto, relembramos como era esperar a meia-noite para conectar sem pagar impulsos extras, o som inconfundível do modem, o pânico de alguém atender o telefone durante um download, as horas no MSN Messenger e no Orkut, a saga de baixar músicas em programas P2P, as lan houses como ponto de encontro de uma geração, os CDs gravados para guardar arquivos, a personalização do Windows XP e o medo constante de pegar vírus. Veja os tópicos abordados:Esperar a meia-noite para usar a internet discadaDecorar o som da conexão do modemTorcer para ninguém atender o telefonePassar horas no MSN MessengerAtualizar o Orkut várias vezes por diaBaixar uma música durante horasIr à lan house para jogar ou fazer trabalhosSalvar tudo em CDs ou pen drivesPersonalizar o Windows XP até o limiteTer medo de pegar vírus ao baixar qualquer arquivo1. Esperar a meia-noite para usar a internet discadaA internet discada era cobrada por impulsos telefônicos. De segunda a sexta, entre 6h e 23h59, o sistema tarifava um pulso a cada três ou quatro minutos de conexão. A partir da meia-noite, um único pulso valia por toda a madrugada. O mesmo benefício valia aos sábados a partir das 14h e durante todo o domingo e feriados.Essa regra criou uma migração em massa para a internet noturna. Provedores como iG, UOL, Terra e iBest distribuíam CDs com discadores gratuitos em capas de revistas ou pelo correio. Quem queria baixar arquivos maiores aprendia a iniciar o download no primeiro segundo da meia-noite e deixar o computador rodando até a manhã. Desligar antes era desperdiçar o único pulso pago.Os pulsos de internet eram mais baratos durante a madrugada, o que obrigava os usuários a aguardarem para usar após a meia noiteReprodução/Christiaan Colen/Flickr2. Decorar o som da conexão do modemO som do modem discado não era aleatório. Era a reprodução audível de uma negociação técnica entre dois equipamentos. Primeiro vinham os tons de discagem, equivalentes às teclas do telefone sendo marcadas. Depois, um sinal contínuo indicava que o servidor havia atendido a chamada.Em seguida, o chiado estático representava o teste de qualidade da linha de cobre para ajustar a velocidade da conexão. Conexões estáveis chegavam a aproximadamente 56 kbps, e linhas ruins caíam para valores bem menores. O tom grave final confirmava que a negociação havia sido concluída, e o alto-falante do modem se silenciava para iniciar a sessão. Quem passou anos usando discada reconhecia pelo som a qualidade da conexão antes de abrir o navegador.O modem da internet fazia sons únicos que ajudavam a identificar o estado da conexãoReprodução/ Wikipedia3. Torcer para ninguém atender o telefoneA internet discada usava a mesma linha física do telefone fixo da casa. Enquanto o computador estava conectado, a linha ficava ocupada para qualquer chamada. Quem tentasse ligar de fora ouvia o sinal de ocupado. Quem pegasse um ramal dentro de casa causava algo pior.Tirar qualquer aparelho do gancho enquanto a conexão estava ativa interrompia instantaneamente o sinal entre os modems. A sessão caía sem aviso e sem recuperação automática. Downloads em andamento há horas precisavam ser reiniciados do zero. Avisar em voz alta "estou usando a internet" se tornou um protocolo doméstico tão importante quanto qualquer outra regra da casa.Internet discada ocupava a linha telefônica e tinha sinal instável, sobretudo se alguém tirasse o telefone do ganchoDivulgação/Unsplash4. Passar horas no MSN MessengerO MSN Messenger era o centro da vida social digital de uma geração. Diferente das redes sociais que vieram depois, ele exigia que as duas pessoas estivessem online ao mesmo tempo. Os status variavam entre "Online", "Ausente", "Ocupado" e "Invisível", e o texto ao lado era espaço para recados, indiretas e declarações de humor.O nudge fazia a janela do outro tremer com um som estridente e era usado repetidamente para exigir atenção. A integração com o Winamp exibia automaticamente a música que estava tocando no status, servindo como demonstração de gosto musical. O MSN Plus! permitia personalizar fontes e cores além do padrão original. Alternar entre "Invisível" e "Online" para aparecer como notificação na tela de alguém específico era uma estratégia que todo usuário da época conhecia.A função de chamar atenção era uma das mais utilizadas no MSNDivulgação/MSN5. Atualizar o Orkut várias vezes por diaO Orkut foi criado em 2004 pelo engenheiro Orkut Büyükkökten dentro do Google e se tornou a principal rede social do Brasil por quase uma década. Os scraps eram mensagens abertas no perfil de cada usuário, visíveis para qualquer visitante. Os depoimentos eram textos que precisavam de aprovação antes de aparecer, e a instrução "só aceita se for publicar" era etiqueta quase obrigatória da plataforma.Os usuários avaliavam perfis com percentuais de "Confiável", "Legal" e "Sexy" e podiam declarar fãs de outros usuários. As comunidades reuniam pessoas por interesse e eram o motor cultural da plataforma. Personalizar os scraps com código HTML para inserir cores, GIFs animados e músicas de fundo era prática comum. O recurso de "quem visitou meu perfil" nunca foi oficial, mas gerou boatos persistentes e aplicativos falsos que prometiam revelar essa informação.O Orkut era uma das redes sociais mais usadas da épocaReprodução/Orkut6. Baixar uma música durante horasA velocidade média de uma conexão discada ficava em torno de 56 kbps, equivalente a uma taxa real de transferência de aproximadamente 5 a 7 kilobytes por segundo. Baixar um arquivo de áudio de cerca de 4 MB podia levar de 30 minutos a duas horas, dependendo da estabilidade da linha. Um álbum completo podia ocupar o computador durante todo um fim de semana.Os programas de compartilhamento de arquivos eram a principal fonte de música da época. O Napster foi o pioneiro, mas foi encerrado por processos judiciais de direitos autorais. O Kazaa ficou conhecido pela alta incidência de adwares e arquivos corrompidos. O eMule, o LimeWire e o Ares completavam o cenário. Gerenciadores como FlashGet e GetRight resolviam o maior problema: quando a conexão caía nos minutos finais, esses programas retomavam a transferência de onde havia parado.O risco de baixar músicas erradas ou arquivos maliciosos era comum nos aplicativos da épocaReprodução/TechTudo7. Ir à lan house para jogar ou fazer trabalhosAs lan houses surgiram no final dos anos 1990 e se tornaram centros de acesso digital no Brasil. Para quem não tinha computador em casa ou não tinha internet de qualidade, esses estabelecimentos eram a única forma de acessar jogos online modernos, pesquisar e imprimir trabalhos escolares. A rede pioneira Monkey foi uma das que ajudou a popularizar o modelo pelo país.O Counter-Strike 1.6 era o jogo mais disputado, com mapas como de_dust2 e a modificação nacional cs_rio. Ragnarok Online reunia grupos em torno de guildas e da Guerra do Emperium. Tibia era famoso pela mecânica punitiva em que morrer resultava na perda de itens. O Corujão, evento em que a lan house fechava na sexta ou no sábado à noite e permitia ficar jogando até o amanhecer por uma tarifa única, era um dos programas mais esperados da semana.O mapa cs_rio era uma modificação que se tornou muito popular entre os jogadoresReprodução/CS 1.68. Salvar tudo em CDs ou pen drivesO disquete de 3,5 polegadas tinha capacidade de apenas 1,44 MB, insuficiente para uma única música em MP3. Os CDs de 650 MB a 700 MB foram a principal solução de armazenamento por anos. Gravar um CD exigia o software Nero Burning ROM e atenção durante todo o processo. O maior risco era o buffer underrun: usar o computador para qualquer outra tarefa durante a gravação inutilizava o disco permanentemente. A recomendação era não mexer em nada e usar velocidades baixas, como 4x ou 8x. Na segunda metade da década, os primeiros pen drives chegaram com capacidades entre 128 MB e 512 MB. Eles eram mais práticos, não arranhavam e dispensavam o processo de gravação, mas custavam caro por megabyte no lançamento.De jogos até músicas e séries, os CDs e pen drives eram a única forma de armazenar dadosRaquel Freire/TechTudo9. Personalizar o Windows XP até o limiteO Windows XP foi lançado em 2001 com uma interface chamada "Luna" e o papel de parede "Bliss", a fotografia da colina verde com céu azul que se tornou uma das imagens mais reconhecidas da história da computação. Manter o visual padrão era exceção. A cultura da época incentivava modificar cada detalhe visual possível do sistema.Os cursores animados eram um dos primeiros downloads de qualquer usuário em um computador novo. O Winamp era o player preferido pela comunidade de skins que transformavam completamente sua aparência. Programas como WindowBlinds e StyleXP permitiam mudar janelas, botões e ícones para imitar outros sistemas operacionais. Os protetores de tela com canos 3D entrelaçados e labirintos tridimensionais eram ativados em qualquer máquina que ficasse alguns minutos sem uso.Trocar o tema do Windows XP era quase uma obrigação para o usuárioReprodução/Wikipedia10. Ter medo de pegar vírus ao baixar qualquer arquivoO Windows ocultava extensões de arquivos conhecidos por padrão. Criadores de vírus exploravam isso renomeando executáveis maliciosos como "nomedamusica.mp3.exe", que aparecia para o usuário apenas como "nomedamusica.mp3". Clicar era suficiente para infectar o computador. A extensão ".scr" de protetor de tela era outro disfarce comum para arquivos maliciosos.No MSN Messenger, robôs enviavam mensagens automáticas para toda a lista de contatos com links maliciosos e frases como "Olha essa foto que tirei de você ontem.scr". Antivírus como Avast, AVG, Norton e McAfee eram instalação obrigatória nos anos 2000. O Avast era reconhecido pelo aviso em voz alta "As definições de vírus foram atualizadas", que disparava em volume alto nos momentos mais inesperados. Uma infecção grave podia terminar na formatação completa do computador, com perda de todos os arquivos acumulados.Baixar vírus ou arquivos maliciosos era parte da experiência de viver na internet dos anos 2000Reprodução/AresCom informações de RedBull e RedditMais do TechTudoVEJA O VÍDEO A SEGUIR: Notebook com formigas? Saiba como evitar — ou se livrar delasNotebook com formigas? Saiba como evitar — ou se livrar delas