Os preços do petróleo se recuperaram 1% nesta terça-feira (4), após a forte queda registrada na sessão anterior, impulsionados por preocupações de que o fornecimento do Oriente Médio continua em risco, já que uma solução diplomática para a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que tem prejudicado os embarques, ainda parece improvável.Os contratos futuros do Brent para o primeiro mês de vencimento subiam US$ 1,21, ou 1,44%, para US$ 84,98 por barril às 5h07 (horário de Brasília), depois de recuarem 7% na sessão anterior, atingindo o menor nível em três semanas.O petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançava US$ 0,47, ou 0,59%, para US$ 80,81 por barril, após cair mais de 5% na sessão anterior, alcançando o menor patamar em quase uma semana.Os preços haviam caído depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que estava suspendendo novos ataques ao Irã enquanto aguardava o andamento das negociações para encerrar a guerra entre os dois países e resolver as disputas sobre o controle do estratégico Estreito de Ormuz.A hidrovia estratégica, que liga os produtores de petróleo do Golfo aos mercados globais, era responsável pelo transporte de cerca de um quinto dos embarques mundiais de petróleo bruto e gás natural antes do início do conflito.No entanto, nesta segunda-feira (3), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, rejeitou a afirmação de Trump, dizendo que não havia negociações em andamento com os Estados Unidos e que nenhuma reunião estava programada.“A magnitude da liquidação parece bastante exagerada, considerando que há uma incerteza significativa. Já estivemos nessa situação várias vezes antes, apenas para ver tudo desmoronar”, afirmaram analistas do ING em relatório.“E, com o Irã negando que qualquer negociação esteja em andamento e Trump emitindo advertências caso nenhum acordo seja alcançado, o cenário claramente deixa amplo espaço para uma nova escalada.”A disputa em torno do Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de impasse nas negociações. Washington afirma que o memorando de entendimento firmado em junho exigia que o Irã reabrisse a hidrovia, enquanto Teerã sustenta que o texto preservava explicitamente sua autoridade sobre a passagem.Analistas do Barclays informaram que as exportações líquidas de petróleo bruto e derivados através do Estreito de Ormuz atingiram, em média, 4,2 milhões de barris por dia na semana encerrada em 31 de julho, ante 3,2 milhões de barris por dia na semana anterior.No Mar Vermelho, seis superpetroleiros de bandeira saudita alteraram recentemente sua rota no Golfo de Áden em direção ao sul da África, enquanto dois navios-tanque carregados com petróleo saudita atravessaram o Estreito de Bab el-Mandeb, mostraram dados de transporte marítimo divulgados ontem.O tráfego marítimo nas principais hidrovias do Golfo — Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz — permaneceu praticamente inalterado no início da semana.O Estreito de Ormuz continua sendo uma área perigosa para as embarcações. Hoje, a agência United Kingdom Maritime Trade Operations informou um incidente a 20 milhas náuticas (37 km) a nordeste de Al Khasab, em Omã, após um navio de carga comunicar pelo canal VHF 16 que havia sido atingido por um projétil de origem desconhecida.“Embora os combates entre a Arábia Saudita e os houthis não tenham interrompido completamente os fluxos de energia, eles provocaram tempos de viagem mais longos, custos de seguro mais elevados e desvios ocasionais de rota”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade.“Quanto ao Estreito de Ormuz, ele mantém um risco duplo de gargalos no mercado, impedindo que o petróleo elimine completamente o prêmio geopolítico incorporado aos preços.”