A repercussão do caso envolvendo o ex-genro da apresentadora Ana Maria Braga voltou a levantar dúvidas sobre os efeitos das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, especialmente quando há filhos menores envolvidos. Entre os principais questionamentos estão as circunstâncias em que essas medidas podem ser concedidas, as consequências para quem descumpre uma decisão judicial e se a determinação impede, automaticamente, o convívio entre um dos pais e os filhos.Após o término do casamento, Mariana Maffeis, filha de Ana Maria Braga, recorreu à Justiça e pediu uma medida protetiva contra o ex-marido, o professor de ioga colombiano Badarik González. Os dois são pais de duas crianças e estão separados há aproximadamente dois meses. Leia também Fábia OliveiraApós polêmicas, filha de Ana Maria desabafa: “Guerra espiritual” Fábia OliveiraVítima de ex-genro de Ana Maria Braga detalha suposto assédio Fábia OliveiraEx-genro de Ana Maria Braga é acusado de coagir casal a ficar nu Fábia OliveiraEx admite sentir ciúmes de filha de Ana Maria e relembra discussões Quando a medida protetiva pode ser concedidaSegundo a advogada criminalista Ana Paula Caliman, a medida protetiva pode ser concedida quando houver indícios de violência doméstica e familiar contra a mulher, abrangendo violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral, além de situações que representem risco à vítima ou aos seus dependentes.“A Lei Maria da Penha autoriza que a medida seja concedida com base no depoimento da ofendida perante a autoridade policial ou em suas alegações escritas, inclusive antes da oitiva do suposto agressor. Também não é indispensável a existência de ação penal, inquérito policial, boletim de ocorrência ou definição prévia do crime supostamente praticado”, explica.A especialista ressalta ainda que o descumprimento consciente de uma medida protetiva configura crime autônomo, previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha.“Atualmente, a pena prevista é de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. Além da instauração de um novo procedimento criminal, o descumprimento pode ocasionar prisão em flagrante, imposição de medidas protetivas mais severas, monitoração eletrônica e, conforme a gravidade do caso e a presença dos requisitos legais, decretação da prisão preventiva”, afirma.Convivência com os filhosUma das principais dúvidas levantadas pelo caso é se a concessão de uma medida protetiva impede, por si só, o contato entre um dos pais e os filhos. Segundo Daniel Blanck, advogado especialista em Direito de Família, isso não acontece de forma automática.“A concessão de uma medida protetiva de urgência não implica, automaticamente, a suspensão do direito de convivência entre um dos pais e os filhos. A medida protetiva tem como objetivo resguardar a integridade física, psicológica e emocional da vítima, e suas restrições são direcionadas, em regra, à relação entre o suposto agressor e a pessoa protegida”, esclarece.O advogado explica que, quando existem filhos menores, a questão da convivência deve ser analisada de forma específica, sempre à luz do princípio do melhor interesse da criança e do adolescente.“Somente se houver elementos concretos que indiquem que o contato com o genitor representa risco para a criança ou que a convivência possa comprometer sua segurança ou seu desenvolvimento é que o Judiciário poderá restringir ou suspender esse direito”, destaca.4 imagensFechar modal.1 de 4Mariana Maffeis, filha da apresentadora Ana Maria BragaReprodução/YouTube2 de 4Badarik González e Mariana Maffeis.Reprodução/redes sociais.3 de 4Badarik González e Ana Maria Braga.4 de 4Badarik González, ex-marido de Mariana MaffeisAlternativas de convivênciaDaniel Blanck acrescenta que, quando é possível preservar o vínculo parental sem colocar em risco a vítima ou a criança, o Judiciário pode adotar mecanismos para compatibilizar esses interesses, como a entrega e retirada dos filhos por terceiros, a definição de locais neutros para as visitas e outras medidas que impeçam o contato direto entre os pais.Em relação às medidas protetivas, Ana Paula Caliman lembra que elas podem ser ampliadas, substituídas, modificadas ou revogadas, mas somente por decisão judicial.“A simples retratação, a reconciliação do casal, a retomada do contato ou a ausência de denúncia criminal não determinam, por si sós, a revogação da medida. Enquanto não houver decisão judicial expressa revogando ou modificando a medida protetiva, todas as restrições permanecem plenamente válidas e devem ser rigorosamente observadas”, conclui.