A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos frigoríficos deve continuar marcada por desafios operacionais, principalmente na carne bovina dos Estados Unidos. Ainda assim, Itaú BBA e BTG Pactual enxergam diferenças importantes entre as companhias — e, apesar de a MBRF (MBRF3) aparecer como o destaque positivo nos resultados, há uma ação que é consenso entre os dois bancos para a carteira: JBS (JBSS32).As duas casas mantêm recomendação de compra para JBS, enquanto MBRF e Minerva Foods (BEEF3) têm indicação neutra.No Itaú BBA, JBS tem preço-alvo de US$ 18 para o fim de 2026. Para MBRF, a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 23, enquanto a Minerva também tem indicação neutra, com preço-alvo de R$ 5,50.Já o BTG Pactual estabelece preço-alvo de R$ 110 para JBS, também com recomendação de compra. MBRF e Minerva permanecem neutras, com preços-alvo de R$ 26 e R$ 7, respectivamente.MBRF deve ser o destaque do 2T26Embora JBS seja a favorita dos dois bancos, a MBRF deve entregar, na avaliação do Itaú BBA, o melhor desempenho relativo entre as empresas acompanhadas no segundo trimestre.A companhia deve continuar se beneficiando da boa dinâmica do mercado de frango no Brasil e da demanda internacional aquecida, especialmente no Oriente Médio.Na BRF, o Itaú BBA estima Ebitda de R$ 2,6 bilhões, com margem de 16,4%. Na América do Norte, porém, a National Beef continuará pressionada pela alta dos preços do gado, embora a valorização dos subprodutos ajude a amenizar o impacto.O BTG tem uma visão semelhante sobre a operação de frango, mas projeta números um pouco mais conservadores. A expectativa é de receita de R$ 15,5 bilhões e Ebitda de R$ 2,4 bilhões, com margem de 15,5%.Segundo o banco, os preços elevados do frango no Oriente Médio continuam favorecendo a BRF, mas os custos maiores de frete devem começar a reduzir parte desse benefício.Apesar do desempenho operacional esperado, nenhum dos dois bancos recomenda compra para MBRF.JBS: desafios nos EUA, mas tese ainda é de compraNa JBS, o principal problema continua concentrado na operação de carne bovina nos Estados Unidos. A oferta restrita de gado mantém os custos elevados e pressiona os spreads da indústria.O Itaú BBA estima Ebitda negativo de US$ 153 milhões para a divisão, com margem de -2%. Ainda assim, ganhos de eficiência e receitas maiores com subprodutos devem ajudar a companhia.O BTG também espera uma melhora sequencial das margens, projetando margem Ebitda de -1,6%, avanço de 210 pontos-base na comparação trimestral e de 180 pontos-base na anual.No Brasil, entretanto, o cenário é mais favorável. Para o Itaú BBA, a divisão de Beef Brasil deve se beneficiar da alta dos preços de exportação da carne bovina, enquanto a Seara deve preservar margens saudáveis diante da disciplina da oferta de frango e dos custos de ração mais favoráveis.O BTG, por sua vez, espera melhora das margens da operação de carne bovina no Brasil, mas vê uma trajetória de queda para a rentabilidade da Seara, diante dos menores preços da carne suína e da redução dos spreads.No consolidado, o BTG projeta receita de R$ 118 bilhões e Ebitda de R$ 6,9 bilhões pelo padrão IFRS.Minerva: exportações ajudam, mas não mudam recomendaçãoA Minerva também deve se beneficiar da alta dos preços de exportação da carne bovina brasileira. Os frigoríficos aceleraram os embarques para aproveitar as cotas destinadas à China, movimento que contribuiu para elevar os preços médios da carne exportada.O BTG estima que os preços médios da carne bovina brasileira exportada tenham subido 23% em dólares na comparação anual, favorecendo a receita da Minerva. O banco projeta receita de R$ 14 bilhões, alta de 1% em um ano e de 5% ante o trimestre anterior. A margem Ebitda deve ficar em 9%, levando o resultado operacional a R$ 1,26 bilhão.O Itaú BBA, por sua vez, estima margem Ebitda de 8,5% e Ebitda ajustado de R$ 1,2 bilhão. O avanço das exportações, contudo, não é suficiente para mudar a avaliação dos bancos sobre a ação.Afinal, qual frigorífico ter na carteira?O cenário desenhado pelos dois bancos deixa uma distinção importante para o investidor: a companhia que deve apresentar o melhor resultado não é necessariamente a ação preferida para a carteira.A MBRF aparece como o principal destaque operacional do 2T26, beneficiada pela força do mercado de frango e pela demanda internacional. Já a Minerva deve encontrar suporte nos preços de exportação da carne bovina.Mas, quando o assunto é recomendação de investimento, JBS é a única ação que recebe compra simultaneamente de Itaú BBA e BTG Pactual.A leitura dos bancos é que, embora os problemas da carne bovina nos Estados Unidos ainda pesem sobre os resultados, parte das dificuldades já está refletida na ação. Ao mesmo tempo, a diversificação do portfólio e a força das operações brasileiras ajudam a sustentar a tese.Assim, para o 2T26, o ranking fica com uma diferença clara: MBRF como destaque dos resultados e JBS como a escolha unânime dos bancos para a carteira.