A prisão de Katani Adorno Bocardi (foto em destaque), de 31 anos, no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande (MT), colocou no centro da Operação Replay a mulher apontada pela Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT) como uma das responsáveis por movimentar recursos financeiros do Comando Vermelho (CV). Ela foi presa na madrugada da última sexta-feira (31/7), logo após desembarcar de uma viagem a Paris, na França.Segundo a investigação, Katani é companheira de Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, apontado como homem de confiança e braço financeiro de uma das principais lideranças da facção criminosa em Mato Grosso. Emerson também foi preso durante a Operação Replay, deflagrada na quinta-feira (30/7). Leia também Mirelle PinheiroEsposa de braço direito do líder do CV é presa ao voltar da Europa Mirelle PinheiroJovem é mantida em cárcere após encontro com namorado virtual Mirelle PinheiroRadialista é morto ao tentar salvar companheira de ex-marido em Goiás Mirelle PinheiroPCERJ investiga policial penal por abastecer facções em presídios De acordo com a Polícia Civil, Katani exercia um papel importante no esquema investigado. Conforme as apurações, ela seria responsável por operacionalizar pagamentos determinados por Paulo Witer Farias Paelo, o “W.T.”, apontado como tesoureiro da organização criminosa, e pelo próprio companheiro.As investigações indicam que a suspeita utilizava contas bancárias de terceiros para pulverizar valores considerados ilícitos e, posteriormente, redistribuir os recursos a integrantes da facção, numa estratégia destinada a dificultar o rastreamento do dinheiro.Viagens de luxo e vida de ostentaçãoNas redes sociais, Katani compartilhava uma rotina de viagens internacionais, restaurantes de alto padrão e roupas de grifes. Segundo a Polícia Civil, esse padrão de vida seria incompatível com a renda formal declarada pela investigada.Ainda conforme a investigação, ela utilizava recursos supostamente provenientes da organização criminosa para custear viagens à Europa e despesas de luxo.Antes de ser presa, Katani passou a ser monitorada pela Polícia Federal assim que desembarcou em São Paulo, vindo da França. A prisão foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da PF, quando ela chegou a Mato Grosso.Ex-assessora parlamentarA investigação também aponta que Katani trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso até 2022, quando foi exonerada do cargo.Após a prisão, ela passou por audiência de custódia. A defesa pediu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, alegando que a investigada possui residência fixa, bons antecedentes e emprego.A juíza Henriqueta Fernanda de Lima, no entanto, negou o pedido. Na decisão, a magistrada afirmou que esses fatores, por si só, não justificam a concessão da medida e destacou a gravidade dos fatos investigados.Esquema financeiro do CVA Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que investigam o núcleo financeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso.Segundo a Polícia Civil, mesmo após a prisão de “W.T.” em 2024, a organização criminosa continuou movimentando recursos, ocultando patrimônio e utilizando pessoas de confiança para manter o funcionamento da estrutura financeira.Além de Katani e Emerson, também foram presos a advogada Dayane Karol Moreira da Silva e os investigados Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como “Soldado”, e Brunno Passos da Silva, o “Brunninho”. Já “W.T.”, que permanece preso, teve um novo mandado de prisão preventiva cumprido.A Justiça determinou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 38 milhões em bens e ativos financeiros ligados ao grupo investigado, incluindo imóveis de alto padrão, veículos de luxo e valores mantidos em contas bancárias.