A UEFA pode protestar, exigir a queda de Gianni Infantino, declarar perda de confiança, criticá-lo publicamente e pressionar por todos os meios políticos e mediáticos. Isso é legítimo e faz parte do jogo de poder no futebol mundial. No entanto, a UEFA não tem poder para destituí-lo.Segundo o Estatuto da FIFA, o presidente só pode sair do cargo de duas formas:Por decisão própria — se Infantino decidir renunciar;Por decisão do Congresso da FIFA — o único órgão com competência para destituí-lo.O Congresso é composto pelas 211 associações-membro, cada uma com direito a um voto. É esse órgão máximo e legislativo da FIFA que elege e, se for o caso, destitui o presidente.Para que a destituição aconteça, é necessário convocar um Congresso (ordinário ou extraordinário), incluir a proposta na ordem de trabalhos e obter a maioria dos votos (em regra, maioria simples — mais de 50%). Um Congresso Extraordinário pode ser convocado pelo Conselho da FIFA ou a pedido de pelo menos um quinto das associações-membro (cerca de 43 países).A UEFA tem 55 federações. Mesmo que conseguisse o apoio unânime de todos os seus membros — o que já seria extremamente difícil —, isso representaria apenas cerca de 26% dos votos do Congresso. Longe o suficiente para destituir o presidente.Além disso, mesmo com o atual “tsunami” de críticas, Infantino continua politicamente forte. Ele construiu ao longo dos anos uma base sólida fora da Europa — especialmente na África, em boa parte da Ásia, na CONCACAF e com influência importante na CONMEBOL. São regiões que concentram a maioria dos votos. O recuo de Infantino no plano de vender uma fatia da Copa do Mundo também facilitou a vida dos indecisos. Muitas federações que estavam desconfortáveis em se posicionar agora podem simplesmente permanecer neutras, sem se queimar com nenhum lado.Isso reforça ainda mais a posição do presidente.Em resumo: a UEFA pode gritar o quanto quiser. Mas, juridicamente e politicamente, só o Congresso dos 211 países tem o poder real de tirá-lo do posto — ou o próprio Infantino, se decidir renunciar.Até a próxima.