A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) recebeu alta hospitalar no último domingo (2) após ser internada no hospital DF Star para tratar um quadro de cefaleia refratária a medicamentos orais. Para reverter as crises de enxaqueca, a equipe médica optou por um procedimento conhecido como bloqueio anestésico de nervos cranianos e pericranianos. O bloqueio anestésico de nervos cranianos é uma técnica terapêutica usada para diversos tipos de dores de cabeça e faciais, sendo recomendada para pacientes com enxaqueca que não respondem bem a tratamentos convencionais via oral.O procedimento consiste na injeção de um anestésico local, por vezes combinado com corticosterioides, aplicada bem próxima ao nervo que se deseja tratar. O objetivo principal é reduzir temporariamente a sensibilidade e “acalmar” a inflamação do nervo e dos tecidos circundantes.Como o procedimento é realizadoDiferente do que o nome pode sugerir, o bloqueio é considerado minimamente invasivo. A injeção é feita logo abaixo da pele, no local do nervo afetado. O anestésico não é injetado dentro do crânio ou do cérebro. De acordo com o Inec (Instituto Neurológico de Cuiabá), os bloqueios mais comuns envolvem os nervos occipital maior e menor, localizados na parte de trás da cabeça, que estão diretamente conectados aos mecanismos de dor da enxaqueca. A aplicação leva, em média, cerca de 30 minutos. Após o bloqueio, o paciente geralmente permanece em observação por pelo menos 15 minutos para monitoramento de possíveis efeitos colaterais. Leia Mais Entenda a lesão "rara" no pâncreas sofrida por Bolasie, da Chapecoense Não grite com seu filho por ele não querer ir à escola Anvisa proíbe venda e consumo de lote falso de suplemento alimentar Por que foi indicado para Michelle Bolsonaro?De acordo com o boletim médico, a ex-primeira-dama apresentava uma cefaleia “refratária”, termo usado quando a dor não cessa mesmo com o uso de medicamentos orais comuns. Nesses casos, o bloqueio é uma alternativa eficaz, pois os efeitos costumam ser sentidos de forma imediata ou em até dois a três dias após a aplicação.No caso de Michelle, o hospital informou que o procedimento obteve resposta ‘satisfatória”, o que permitiu que ela recebesse alta para acompanhamento ambulatorial.Riscos e efeitos colateriasEmbora seja um procedimento rotineiro em centros de dor, ele pode apresentar efeitos colaterais leves e temporários.Segundo o Inec, alguns deles são: sensação de formigamento ou dormência no local da injeção; inflamação local discreta ou tontura nas primeiras 48 horas; possível “dor rebote”, uma piora temporária da enxaqueca antes da melhora definitiva.A recuperação costuma ser rápida, e exige, na maioria das vezes, apenas algumas horas de repouso antes que o paciente possa retomar as atividades normais. No entanto, a orientação médica é que o procedimento seja sempre realizado por um neurologista experiente e com treinamento específico.