Canadense prevê R$ 955 milhões para projeto de terras raras e titânio em MG

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A canadense Resouro Strategic Metals publicou, na última terça-feira (16), uma avaliação econômica preliminar para o projeto Tiros, de terras raras e titânio, em Minas Gerais.O estudo prevê uma operação inicial com investimento de US$ 191,1 milhões, o equivalente a cerca de R$ 955 milhões, considerando o câmbio de R$ 5 usado pela própria companhia no documento.O projeto Tiros fica em Minas Gerais e é apresentado pela empresa como um ativo de grande escala, com potencial para produção de terras raras e dióxido de titânio. Leia Mais Belém será sede da maior feira de mineração da América Latina em 2027 St George capta mais de R$ 215 milhões para projeto de terras raras em MG Lula cobra industrialização de países com minerais críticos no G7 A Resouro afirma que o projeto tem 1,4 bilhão de toneladas em recursos medidos e indicados, com teor médio de 12% de dióxido de titânio. O depósito também tem 4.000 ppm de óxidos de terras raras, ou 0,4% do material analisado. Dentro desse grupo, 1.100 ppm, ou 0,11%, correspondem às chamadas terras raras magnéticas, consideradas mais valiosas por serem usadas na produção de ímãs permanentes para motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.Apesar do tamanho do recurso mineral, a companhia propõe começar por uma operação menor, concentrada em uma área de alto teor.O plano inicial prevê o processamento de 500 mil toneladas por ano durante 20 anos, com alimentação total de 9,5 milhões de toneladas de minério. Essa área representa menos de 1% do recurso medido e indicado já anunciado pela empresa.O estudo indica que essa primeira fase teria teor médio de 26,3% de dióxido de titânio e 10.832 ppm de óxidos de terras raras, o equivalente a cerca de 1,08% do material analisado. Isso significa que a Resouro pretende começar o projeto por uma área mais rica do depósito, com concentração de terras raras bem acima da média geral do recurso.A operação seria a céu aberto, com mineralização próxima da superfície e, segundo a empresa, com lavra considerada simples, sem necessidade inicial de desmonte complexo.A Resouro também afirma que o desenho ambiental considera o uso de rejeitos empilhados a seco.A avaliação econômica preliminar, conhecida pela sigla em inglês PEA, é uma etapa inicial dos estudos de um projeto mineral.Ela serve para estimar, ainda de forma conceitual, se um empreendimento pode ser economicamente viável. O PEA não equivale a um estudo de viabilidade definitivo, não declara reservas minerais e ainda precisa ser sucedido por fases mais avançadas, como estudos de pré-viabilidade e viabilidade.No caso da Resouro, o próprio documento ressalta que a avaliação é preliminar e tem precisão estimada de mais ou menos 50%. Ou seja, o projeto ainda está distante da produção comercial e dependerá de novas etapas de engenharia, testes metalúrgicos, licenciamento ambiental, financiamento e acordos comerciais.Mesmo com essas ressalvas, os números apresentados pela companhia são fortes. O PEA aponta valor presente líquido pós-impostos de US$ 714,9 milhões, com taxa de desconto de 8%, e taxa interna de retorno de 44,2%. Antes dos impostos, o valor presente líquido sobe para US$ 1,138 bilhão, com retorno de 62,7%. O prazo de retorno do investimento, no cenário pós-impostos, foi estimado em 1,9 ano.A estratégia da Resouro é desenvolver uma operação com duas fontes de receita: uma ligada ao dióxido de titânio e outra às terras raras. O processamento previsto resultaria em concentrados de TiO₂ e em um carbonato misto de terras raras.Segundo a empresa, os próximos passos incluem novas sondagens nas áreas previstas para a cava inicial, geração de amostras adicionais, novos testes metalúrgicos, otimização da rota de processamento, estudos ambientais, engajamento com comunidades e avanço do licenciamento.A Resouro é uma empresa incorporada no Canadá e listada nas bolsas da Austrália e do Canadá. No Brasil, além do projeto Tiros, a companhia também tem o projeto Novo Mundo, de ouro. O ativo de terras raras e titânio, porém, é hoje o principal projeto estratégico da empresa no país.O anúncio ocorre em meio ao aumento da disputa global por minerais críticos, especialmente terras raras, usadas em cadeias como energia limpa, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa. O Brasil tem sido observado por empresas estrangeiras e governos ocidentais como possível fornecedor alternativo em cadeias hoje concentradas na China.Apesar dos números positivos, o projeto ainda está em fase inicial.