PGR rejeita proposta de delação de Vorcaro

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira (15) a mais recente proposta de delação premiada apresentada pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O órgão também se manifestou contra a concessão de prisão domiciliar ao banqueiro.Na nova versão, o Vorcaro havia modificado o relato sobre a relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). No novo depoimento, o banqueiro adotou o entendimento das investigações. Assim, o dono do Master abandonou o discurso anterior de manter vínculo de amizade com os políticos e classificou o envolvimento como casos de propina.Na quinta-feira (11), a Polícia Federal (PF) também recusou a proposta recente apresentada pelo banqueiro. A Jovem Pan adiantou que a corporação rejeitaria o novo relato. Para os investigadores, a afirmação dada pelo dono do Banco Master de que pagava a Ciro Nogueira e Cláudio Castro propina era insuficiente.Transferência de VorcaroEm 18 de maio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal e suspendeu o acesso dos advogados a qualquer hora do dia. Quando oficializou o processo de delação premiada, o banqueiro foi custodiado na mesma Sala de Estado-Maior onde o ex-presidente Jair Bolsonaro estava detido.A transferência de Vorcaro para uma cela comum era indicação de que as negociações de cooperação não avançariam. Em 6 de maio, a defesa do banqueiro enviou nova proposta de delação premiada após a PF e a PGR recusarem o primeiro material de colaboração. A corporação e o órgão entenderam que o conteúdo estava incompleto e não respondia às dúvidas dos investigadores.Entenda o caso MasterApós identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de:Banco Master S/A;Banco Master de Investimentos S/A;Banco Letsbank S/A;Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.O processo de liquidação foi acompanhado pela Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.Segundo as investigações, a instituição financeira oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.Em 17 de janeiro, o FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.