Especialista pede cautela e diz que investigação deve analisar todos os fatores da colisão no Rio

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O especialista em gestão de riscos e segurança aeronáutica Gerardo Portela afirmou que fatores ligados ao intenso tráfego aéreo da região do Recreio dos Bandeirantes e da Barra da Tijuca deverão estar entre os pontos analisados pelas autoridades que investigam a colisão entre dois helicópteros ocorrida na manhã deste domingo (14), no Rio de Janeiro.Em entrevista à Jovem Pan, Portela ressaltou que ainda é prematuro apontar as causas do acidente, que deixou seis mortos, mas destacou que a área onde ocorreu a colisão concentra grande movimentação de aeronaves.“A gente precisa ter muita prudência nessa hora, porque uma investigação já está em curso e estão sendo coletadas evidências do cenário do acidente”, afirmou.Segundo o especialista, as informações disponíveis até o momento não indicam problemas relacionados às condições meteorológicas nem aos modelos das aeronaves envolvidas.“As condições estavam razoavelmente favoráveis. Não seria uma causa por si só”, disse.Portela observou ainda que tanto o helicóptero Bell quanto o modelo Esquilo são aeronaves amplamente utilizadas e consideradas confiáveis quando operadas dentro dos padrões estabelecidos.“São duas aeronaves bastante confiáveis”, afirmou.Região tem intenso fluxo de aeronavesNa avaliação do especialista, um dos aspectos que merece atenção dos investigadores é a intensa movimentação aérea existente na região onde ocorreu o acidente.Segundo ele, a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes concentram operações ligadas à aviação privada, voos executivos e helicópteros que atendem diferentes tipos de demanda, além da proximidade com o Aeroporto de Jacarepaguá.“O tráfego é muito intenso em qualquer dia”, explicou.Portela destacou que a investigação deverá buscar entender quais fatores podem ter contribuído para que duas aeronaves ocupassem trajetórias que resultaram na colisão.“A grande pergunta é: o que induziu esse erro? Que fatores induziram os pilotos a colidirem?”, afirmou.De acordo com o especialista, fatores humanos costumam ser um dos principais focos das investigações aeronáuticas. Ele ressaltou que situações envolvendo excesso de informações, necessidade de monitorar outras aeronaves e mudanças repentinas no ambiente operacional podem influenciar a tomada de decisão dos pilotos.Diversas barreiras de segurançaO especialista lembrou que helicópteros contam com equipamentos de navegação, sistemas de identificação de posição e comunicação por rádio, mecanismos que ajudam a evitar colisões em voo.“Eles possuem equipamentos de suporte ao voo e transponders que indicam a sua posição. Eles também se comunicam por rádio. São várias barreiras que têm que ser rompidas para que um acidente como esse aconteça”, afirmou.Segundo Portela, justamente por existirem diversas camadas de segurança, a investigação deverá analisar não apenas o que aconteceu dentro das aeronaves, mas também todo o contexto operacional do espaço aéreo da região.Imagens podem ajudar apuraçãoO especialista também destacou a importância das imagens de câmeras de segurança para o esclarecimento do caso. Como a área onde ocorreu o acidente é densamente urbanizada, com condomínios, estabelecimentos comerciais e vias movimentadas, a expectativa é de que existam diversos registros do momento da ocorrência.“Os técnicos vão atrás dessas imagens para levantar exatamente quais são as informações que podem ajudar nesse processo de investigação”, afirmou.Portela observou ainda que os modelos envolvidos no acidente não são obrigados a possuir caixas-pretas, mas ressaltou que os investigadores contam com diferentes tipos de evidências para reconstruir a dinâmica da colisão.“Várias informações vão dar condições de levantar exatamente o que aconteceu e produzir recomendações para evitar que isso se repita”, concluiu.