O JAC e-JS1 custava R$ 149.990 quando foi lançado, há cinco anos, época em que era o elétrico mais barato do país. “Barato” era mais uma força de expressão, mas o fato é que ele conquistou seu público e abriu espaço para rivais como Renault Kwid E-Tech e o Caoa Chery iCar.O tempo passou e a concorrência do BYD Dolphin Mini fez o preço do e-JS1 baixar: a versão básica é anunciada por cerca de R$ 127.000 e a aventureira EXT por R$ 139.000. Essa situação derrubou o valor dos e-JS1 usados, que podem ser encontrados pela metade do preço original.No porta-malas (das versões de passeio) cabem apenas 131 litros de bagagemFernando Pires/Quatro RodasAntes de se empolgar é preciso entender que: trata-se de um automóvel urbano, limitado em espaço, performance e autonomia. São 3,65 m de comprimento e 2,39 m entre os eixos: até adultos de estatura média sofrem no banco traseiro. O porta-malas comporta apenas 131 litros.Seu motor (com 15,3 kgfm e 61 cv) é alimentado por baterias de fosfato de ferro-lítio de 30,2 kWh com autonomia de 302 km em ciclo NEDC. Na prática, a autonomia real fica entre 240 e 280 km com uma carga completa, dependendo da topografia e do estilo de condução. A velocidade máxima é limitada a 110 km/h. Como pesa só 1.180 kg, ele acelera razoavelmente bem: vai de 0 a 100 km/h em 14,5 s e retoma de 40 a 80 km/h em 6,1 s.–Fernando Pires/Quatro RodasAo volante ele não transmite aquela sensação de peso excessivo da maioria dos elétricos, mérito das suspensões bem acertadas. No modo Eco o sistema regenerativo permite forte desaceleração apenas tirando o pé do acelerador, poupando os freios. Continua após a publicidadeOutra limitação considerável é a segurança: além da razoável idade do projeto, o e-JS1 apresenta apenas dois airbags frontais, o que resultou em uma nota zero no Latin NCAP.A versão aventureira EXT foi uma das novidades do modelo 2023, com suspensão ligeiramente elevada (5 cm), rodas de liga leve exclusivas e um visual diferenciado. O tempo de recarga rápida também foi reduzido: de 20 a 100% em cerca de 1h10min.Volante tem ajuste de altura e os bancos, de distância e inclinação do encostoFernando Pires/Quatro RodasAlvo de uma expressiva redução de preços, o modelo 2024 foi simplificado: as rodas de liga leve foram substituídas por rodas de aço estampado com calotas e os bancos trocaram o revestimento sintético por tecido. Na versão City Cargo, o banco traseiro foi removido e deu lugar a um espaço de carga com 1.200 litros e capacidade de 400 kg. A aquisição de um e-JS1 já depreciado pode representar um excelente negócio para quem exerce atividade remunerada, mas exige atenção especial com o histórico de manutenção e vida útil da bateria, cuja garantia é de cinco anos ou 100.000 km (o que ocorrer primeiro).Telinha atrás do volante sofre com reflexos. Haste das marchas lembra os MercedesFernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeProblemas do JAC E-JS1Módulo BMS – É o responsável por controlar tensão, corrente e temperatura das células das baterias. Falhas reduzem a autonomiae abreviam a vida útil das baterias.Baterias – Mesmo com o BMS em ordem é normal que percam de 1 a 2% de sua capacidade ao ano.Arrefecimento – Essencial para a vida útil da bateria, motor e inversor. Recomenda-se a inspeção do fluido a cada 10.000 km ou a cada 12 meses, o que ocorrer primeiro.Suspensão – Vale a pena verificar rolamentos de roda, batentes, buchas, pivôs e amortecedores. A combinação de torque instantâneo e suspensão desalinhada acaba rapidamente com os pneus.Ar-condicionado – O funcionamento irregular do compressor pode ser causado por falhas de alimentação no sistema de alta-tensão. Verifique também a bateria de 12 V, responsável pela alimentação do relé de partida do compressor. Continua após a publicidadePneus – A medida original é a 165/65 R14, muito eficiente pela leveza e baixa resistência à rolagem. Difícil é achar esse pneu no mercado. Trocar os originais por outros maiores e mais largos compromete o rendimento e a autonomia das baterias.Tomadas ainda têm padrão chinês. Motor e inversor ocupam pouco espaço no cofreFernando Pires/Quatro RodasA voz do donoNome: Zilmar Costa DiasIdade: 65 anosProfissão: motorista de aplicativoCidade: Jundiaí (SP)O que eu adoro:“É um excelente carro urbano: compacto, ágil e capaz até de realizar viagens dentro de sua autonomia. Ótimo espaço interno, bom acabamento e toda a economia proporcionada por um elétrico.”O que eu odeio:“Ele não é compatível com tomadas CCS2: sem adaptador fica impossível viajar ou carregar fora de casa. Pós-venda precisa melhorar: peças caras e muita demora para agendar e executar serviços.” Continua após a publicidadePreço médio dos JAC E-JS1 usados (FIPE)MODELO2022202320242025e-JS1 62cv 5p Aut. (Elétrico)R$ 72.205R$ 76.346R$ 82.772R$ 85.891e-JS1 Extreme 62cv 5p Aut. (Elétrico)R$ 72.653R$ 81.431R$ 105.976R$ 115.284Preço das peças do JAC EJS1:–Reprodução/Quatro RodasNós dissemos:–Reprodução/Quatro RodasAgosto de 2021 “A velocidade máxima é limitada a 110 km/h, quando o motor elétrico trabalha em seu limite de 9.500 rpm. Isso explica o tempo de 0 a 100 km/h em 14,5 s, cumprindo os 1.000 m a 106,8 km/h. Essa limitação é notável em rodovias, por isso é melhor não ficar na faixa da esquerda (…). Em trânsito urbano, porém, o torque garante ao e-JS1 uma agilidade de hatch compacto equipado com motor a combustão 1.5 ou 1.6.”Pense também em um:–Divulgação/Quatro RodasRenault Kwid E-Tech O sino-francês se destaca pelos seis airbags de série (frontais, laterais e de cortina). Também leva vantagem no porta-malas (290 litros) e na rede de concessionárias, consideravelmente maior. Mas nem tudo são flores: o acabamento interno é repleto de plásticos duros como no Kwid convencional, para dar a partida ainda é preciso girar uma chave e o freio de estacionamento ainda usa a arcaica alavanca. Publicidade