Pesquisadores do Museu de História Natural de Londres concluíram que fósseis estudados desde o século XIX pertencem ao maior escorpião já reconhecido pela ciência. A espécie, chamada Praearcturus gigas, habitou regiões que hoje correspondem à Grã-Bretanha há cerca de 415 milhões de anos e podia atingir aproximadamente um metro de comprimento, uma largura maior que a de muitas espécies de cães domésticos.A reclassificação foi apresentada em estudo publicado na revista científica Palaeontology no início de junho e tem como principal pesquisador o cientista Richard J. Howard; você pode ler o estudo clicando aqui. O trabalho reuniu exemplares históricos preservados em coleções científicas, preservados por mais de 100 anos, e passou por uma nova revisão com o apoio de análises modernas, o que permitiu uma reinterpretação da identidade do animal, antes classificado como um crustáceo.Os resultados indicam que o organismo possuía características anatômicas compatíveis com escorpiões primitivos e sugerem que ele ocupava uma posição singular nos ecossistemas do início do período Devoniano.Revisão de fósseis mudou entendimento sobre a espécieFóssil de alegado escorpião gigante – (Reprodução: Richie Howard/NHM)Os primeiros vestígios do Praearcturus gigas foram encontrados na década de 1870. Durante décadas, os exemplares permaneceram classificados como restos de um grande crustáceo, interpretação que se consolidou na literatura científica e acompanhou os fósseis ao longo de sucessivas gerações de pesquisadores.Esse cenário começou a mudar quando especialistas passaram a comparar os materiais históricos com descobertas mais recentes e a aplicar métodos de análise mais modernos. O estudo reuniu oito fósseis provenientes de diferentes locais e empregou tomografias computadorizadas para examinar detalhes anatômicos preservados nas amostras.Conforme os autores da pesquisa, um dos principais elementos que sustentam a nova interpretação surgiu da comparação com Eramoscorpius brucensis, espécie descrita em 2015 no Canadá. A semelhança observada em uma estrutura localizada na parte inferior do corpo foi considerada decisiva para aproximar os dois animais dentro do mesmo grupo evolutivo.Richard Howard, curador de artrópodes fósseis do Museu de História Natural de Londres e autor principal do estudo, afirmou que a correspondência anatômica encontrada entre os fósseis representa uma forte evidência de parentesco entre as espécies. Entrevistado por jornalistas locais, Richard Howard disse: “É exatamente a mesma coisa nos dois escorpiões. Portanto, podemos inferir que são dois animais intimamente relacionados.” Howard atua como curador de artrópodes fósseis do Museu de História Natural de Londres.Gigantismo desafia expectativas dos cientistasPesquisador compara diferentes fósseis que pertencem a um escorpião gigante – (Reprodução: Richie Howard/NHM)A dimensão atribuída ao P. gigas é um dos aspectos que mais chamaram atenção dos pesquisadores. As estimativas apontam que o animal alcançava entre 90 centímetros e um metro de comprimento, além de possuir pinças que podiam chegar a cerca de 16 centímetros.Para os cientistas, o tamanho é particularmente relevante porque a espécie viveu no início do Devoniano, período anterior ao surgimento dos ambientes ricos em oxigênio frequentemente associados ao gigantismo observado em artrópodes posteriores.Howard observou que registros de artrópodes gigantes costumam ser encontrados em intervalos geológicos mais recentes. Ao comentar o tema, ele ressaltou: “Isso é muito mais antigo do que esperaríamos encontrar artrópodes gigantes.” A hipótese apresentada pela equipe sugere que o modo de vida do animal pode ajudar a explicar essa característica. Segundo os pesquisadores, a espécie provavelmente transitava entre ambientes aquáticos e terrestres, explorando recursos disponíveis em ambos os meios.Há debate sobre a classificação propostaEmbora o estudo tenha reforçado a interpretação de que o animal era um escorpião, nem todos os especialistas consideram a questão encerrada. Parte das dúvidas decorre do estado fragmentado dos fósseis analisados.Jason Dunlop, diretor científico da coleção de aracnídeos do Museu de História Natural de Berlim e revisor do trabalho, observou que estruturas tradicionalmente associadas aos escorpiões, como o ferrão terminal e as pectinas, não foram identificadas nos exemplares disponíveis.Na avaliação do pesquisador, a ausência desses elementos impede uma confirmação definitiva. Os autores reconhecem as limitações impostas pela preservação incompleta dos fósseis, mas argumentam que a falta de determinadas estruturas não invalida necessariamente a classificação proposta. Para a equipe, o conjunto das evidências atualmente disponível favorece a identificação do organismo como um escorpião gigante primitivo.O post Escorpião maior que um cachorro? Nova pesquisa revela um aracnídeo surpreendente apareceu primeiro em Olhar Digital.