Há quase uma semana, Shakira, 49, se apresentava na abertura da Copa do Mundo 2026, no México. Indo além dos hits e das coreografias marcadas, o look usado pela colombiana virou alvo de uma polêmica que rapidamente dominou as redes sociais.Tudo começou quando a estilista brasileira Jheni Ferreira, nome por trás da marca SSJHENI, afirmou ter vendido uma saia estruturada a partir de camisas de futebol para a equipe da cantora e, no início do torneio mundial, ter identificado semelhanças entre a sua produção e o modelo exibido por ela, com assinatura da grife Off-White. Leia Mais Shakira diz ter conexão inquebrável com o futebol e a Copa do Mundo "Dai Dai" foi eleita a melhor música das Copas do Mundo, diz Billboard Shakira abre Copa do Mundo 2026 com show no México Vinda de uma família de costureiras, Jheni cresceu cercada de tecidos e máquinas de costura. Durante a pandemia, quando precisava encontrar uma forma de gerar renda e se sustentar na capital paulista, ela recolheu uma remessa de retalhos do ateliê da própria mãe e criou algumas peças experimentais.“O upcycling e o reaproveitamento de materiais sempre estiveram no centro da minha marca e além da moda, minha formação é em Ciências Sociais, então grande parte do meu trabalho parte de uma investigação cultural”, conta à CNN Brasil.“As peças feitas com camisas de futebol surgiram dessa pesquisa sobre dois fenômenos que considero centrais para a identidade brasileira: o futebol e o carnaval”, acrescenta.Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Jheni (@ssjheni)As criações logo chamaram a atenção no Instagram, mas o grande salto veio com um telefonema rápido: a equipe de Nicolas Bru, stylist de Shakira, precisava alugar uma de suas saias exclusivas para um projeto no Rio de Janeiro.A logística exigiu força-tarefa necessária para fazer a peça chegar ao hotel da artista em menos de 24 horas. “Até então, a negociação era exclusivamente um aluguel, não existia qualquer conversa sobre compra da peça. A saia seria usada e posteriormente devolvida”, recorda Jheni.O mistério acabou quando o mundo assistiu ao teaser de “Dai Dai”, música de artista com Burna Boy para a Copa do Mundo. “Ver uma criação minha aparecer em um projeto dessa dimensão foi um momento muito especial”, relembra.Jheni conta ainda que, semanas após a gravação, a equipe de Shakira demonstrou interesse em comprar a peça de vez. Inicialmente relutante por não costumar vender itens de seu acervo pessoal, a estilista abriu uma exceção diante da justificativa de que a saia iria para “futuras exposições ou projetos da Copa”.A peça foi enviada para o endereço indicado, mas o destino final cruzou o oceano para as mãos da equipe da Off-White, na Itália.“No momento da venda eu não associei o endereço ou a destinatária a qualquer situação futura. Para mim, era apenas a entrega de uma peça adquirida pela equipe da artista”, explica.O choque veio na cerimônia oficial de abertura do campeonato. Shakira subiu ao palco usando uma saia com o mesmo conceito de camisas de futebol retrabalhadas.Nas redes sociais, a grife celebrou o figurino como uma colaboração exclusiva entre a marca, a cantora e o stylist Nicolas Bru, mas sem menções à SSJHENI.Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Off-White (@off____white)“Minha reação inicial foi de surpresa. Logo após a apresentação comecei a receber mensagens de amigos, clientes, jornalistas e profissionais da moda perguntando se aquela saia era minha ou se existia alguma colaboração oficial da qual eu nunca havia falado publicamente. No começo, eu mesma não sabia o que responder”, comenta.“Foi a partir dessas perguntas que comecei a olhar com mais atenção para a peça apresentada, pesquisar os créditos envolvidos e reconstruir toda a sequência de acontecimentos”, acrescenta.“Os fatos são que uma peça criada por mim foi usada pela Shakira, posteriormente comprada pela equipe dela sob a justificativa de integrar seu acervo pessoal, enviada para um endereço ligado à equipe que mais tarde desenvolveu o figurino da Copa do Mundo e, depois, surgiu uma nova saia com inúmeras semelhanças visuais apresentada como uma colaboração entre outras partes”, diz.Em terras brasileiras, a denúncia ecoou nas redes sociais, gerando uma onda de apoio que surpreendeu a própria estilista. Até o momento, as tentativas de contato de Jheni não receberam respostas esclarecedoras.A estilista espera que o caso abra um precedente importante sobre como o mercado internacional enxerga a criatividade latino-americana. “O Brasil é reconhecido mundialmente pela sua hospitalidade, mas muitas vezes nossos profissionais ainda são vistos apenas como mão de obra. Espero que essa conversa ajude a reforçar que também somos autores, pesquisadores e criadores e intelectuais”.Amparada por uma orientação jurídica especializada, a brasileira agora reúne documentos para definir suas próximas ações legais. Para ela, o debate público já é um primeiro passo em direção à justiça.“Se essa conversa contribuir para fortalecer a proteção de nós criativos, principalmente nós mulheres, e incentivar mais transparência nas relações entre grandes marcas e designers independentes, então pelo menos algo importante terá surgido dessa experiência”, conclui.A CNN Brasil entrou em contato com a Off-White e com a assessoria de imprensa do stylist Nicolas Bru. Ambos não retornaram até a publicação da matéria.Shakira no Rio: relembre o estilo da cantora colombiana