O banqueiro preso pelo escândalo do Master, Daniel Vorcaro, pagou ao site “Diário do Centro do Mundo (DCM)” para que parassem com críticas ao banco e realizassem uma “limpeza de imagem do banqueiro”, conforme aponta a Polícia Federal (PF), em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e tornados públicos pelo ministro André Mendonça na terça-feira (16). Segundo a PF, o site de esquerda recebia pagamentos de R$ 50 mil mensais para evitar notícias negativas contra o Banco Master.De acordo com os investigadores, o Diário do Centro do Mundo foi “cooptado por determinação expressa de Vorcaro” para deixar de veicular notícias negativas sobre o Master e fazer o oposto “contra seus inimigos” mediante pagamento. Os valores eram repassados “ao DCM e mais 2 editores”, por Luiz Phillip Mourão, o “Sicário”, apontado pela investigação como membro da milícia privada de Vorcaro, de acordo com mensagens de julho de 2024.A investigação ainda mostrou irritação do banqueiro com notícias negativas sobre o Master publicadas pelo site. Mensagens entre Vorcaro e Sicário, de setembro de 2024, falam sobre “comprar os caras” e “derrubar o blog”, após publicação falando sobre processos contra o Master.Nas mensagens, o banqueiro critica a atuação do DCM: “Tem que derrubar urgente. Derrubar de vez esse blog. Achei que tínhamos parceria. E tínhamos comprado os caras“. Segundo a PF, a conversa “sugere a intenção de influenciar a linha editorial do veículo mediante compensação econômica, comprometendo a independência da imprensa”.Outra conversa entre os dois, de outubro de 2024, Vorcaro reclama novamente de notícias negativas publicadas pelo Diário e sugere “contratar” o site para “bater em inimigos”.Suposta parceriaLogo após a reclamação do banqueiro e sugestão de pagar o site de notícias, Sicário encaminhou uma mensagem dizendo que “o pessoal do DCM está perguntando sobre a parceria“. Vorcaro encaminhou uma mensagem com a resposta: “50k mês?”. Em seguida, Mourão afirmou que encaminharia a “proposta”.O site volta a ser mencionado nos documentos enviados pela PF, por uma conversa de setembro de 2025, quando Sicário pediu ao banqueiro para providenciar com seu cunhado Zettel alguns pagamentos. “Olha com o Fabiano para mim, o cara do DCM já inclusive me cobrou (ele é um nojo). Para manter o da turma dos meninos e dos redatores lá. Me ajuda com isso”. Vorcaro confirmou, respondendo somente um “ok”.Quando a suspeita de pagamentos para o DCM veio à público, mencionada em decisão de Mendonça, o site disse que “não recebeu recursos, pagamentos ou qualquer benefício das pessoas investigadas na operação e não possui qualquer relação com os fatos apurados”. Defesa do DCMO Diário do Centro do Mundo publicou em nota que não teve seu nome completo citado na Operação Compliance Zero, afirmando não saber a que se refere a sigla citada.No documento judicial, há a transcrição de uma conversa privada em que aparece a sigla “DCM”. Em nenhum momento a decisão identifica essa sigla como sendo o Diário do Centro do Mundo, tampouco menciona o nome do veículo, sua razão social (NN&A Produções Artísticas Ltda.) ou qualquer integrante de sua equipe.O advogado do site, Francisco Ramos, se pronunciou defendendo que o Diário do Centro do Mundo não é citado nominalmente e que nenhum jornalista ou colaborador do DCM aparece como investigado ou é mencionado nas investigações. Ele também nega pagamentos ou contratos com Vorcaro e fala que as conversas que circulam são privadas e de contexto desconhecido.Não há qualquer registro documental que associe o veículo a pagamentos ou contratos com os investigados. Além disso, o material que tem circulado publicamente consiste em supostas conversas privadas vazadas, cuja autenticidade, integridade e contexto são desconhecidos, e que não possuem cadeia de custódia verificável no espaço público.A defesa do DCM ainda fala que a associação do site com Vorcaro por meio dessas conversas pode ser “potencialmente difamatória”. A nota também defende que o Diário do Centro do Mundo foi um dos veículos jornalísticos que mais publicou matérias contra o Banco Master e seu dono, contrariando a hipótese da contratação.