Previsibilidade comprometida: Corte da Selic gera dúvidas no mercado, afirma economista Safira Investimentos

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O mercado ainda digere o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, agora em 14,25% ao ano. A autoridade monetária deixou em aberto a trajetória dos juros, mesmo diante da piora dos cenários inflacionários.“A comunicação ficou bastante confusa em relação à previsibilidade”, afirma Pedro Barbosa, economista da Safira Investimentos, em entrevista ao Giro do Mercado.O especialista destaca que o cenário ainda é incerto para o mercado. “Acredito que essa será uma das atas mais importantes para fazermos a leitura e entender melhor quais são os números que o BC vai considerar para definir a trajetória dos juros a partir de agora”, afirmou.Veja a análise completa e outros destaques do dia no Giro do Mercado:Barbosa aponta que o comunicado trouxe muitas mudanças, como a do horizonte relevante, que passou do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Segundo ele, quando ocorre esse tipo de alteração, o mercado tem a impressão de ser quase uma manobra para garantir que o ciclo continue permitindo um corte.O economista ainda comentou que a diferença de projeção de inflação entre o Copom e o Boletim Focus também afeta a previsibilidade para os investidores. “Hoje, o Copom está muito dissonante do Boletim Focus em relação às expectativas de inflação. O Focus coloca a projeção de inflação para 2027 em 4,10%, enquanto o Copom sinaliza 3,70%”, disse.Em relação à diferença de postura com o Federal Reserve, que manteve o patamar de juros, o economista ressaltou que o Brasil possui uma das taxas de juros mais altas do mundo, mas o país é bastante influenciado pelo risco associado aos juros americanos. Barbosa acrescentou ainda que, quando metade dos dirigentes do Fed sinaliza esperar uma alta até 2026, isso já representa um sinal de alerta para a condução da política monetária brasileira.“A valorização do dólar em relação ao real preocupa o Brasil e países emergentes de forma geral. Desde o início da guerra no Irã, os países emergentes foram uma válvula de escape para os tomadores de risco, mas uma alta de juros é quase como um aspirador de pó na liquidez do mundo”, explicou o especialista, a respeito dos possíveis impactos dessas divergências de postura entre os dois Bancos Centrais.“Não me surpreenderia se tivermos um ajuste maior no futuro, se a alta dos juros americanos se consolidar nos próximos meses”, completou.Apesar da expectativa do mercado de que a bolsa brasileira tivesse queda hoje, com os resultados da reunião. O Ibovespa apresentou leve alta pela manhã, surpreendendo o mercado.“A melhor explicação que eu consigo encontrar é que já fomos muito desafiados neste ano. Chegamos muito perto dos 200 mil pontos então ver uma bolsa na casa dos 170 pontos me parece ser um gatilho de compras nesse momento. No mês passado tivemos a maior saída de capital estrangeiro desde a pandemia. Pode ser que parte desse recurso esteja voltando agora, ou alguma questão de resiliência”, afistou o economista.*Com supervisão de Juliana Américo