As fraudes eletrônicas estão se profissionalizando no Brasil. Com o impulso da inteligência artificial e maior organização, o crime digital atinge agora escala industrial. O resultado é que a cada 13 minutos surgiu um novo risco digital só no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma alta de 8,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, como mostra um estudo divulgado pela Serasa Experian nesta quinta-feira (18).Os movimentos fraudulentos incluem até mesmo a troca de informações entre os golpistas, que traçam as melhores rotas e as novas oportunidades de ganhar dinheiro online. A riqueza de detalhes do “Mapa da Fraude” se deve ao acompanhamento das diferentes etapas da jornada digital, desde a criação de golpes e páginas falsas até tentativas de abertura de contas, roubo de identidade e fraudes em transações eletrônicas, trazendo um retrato completo da situação de insegurança da população, segundo a Serasa. “O fraudador deixou de atuar sozinho. Hoje existe um ecossistema organizado de compartilhamento de técnicas, ferramentas e vulnerabilidades”, afirmou o diretor de Autenticação e Prevenção a Fraudes da Serasa Experian, Rodrigo Sanchez.Leia Mais: Brasileiro perde, em média, R$ 11 mil por golpe digital e Geração Z é a maior vítimaEscalada com ajuda da IA Para a Serasa, a inteligência artificial é o principal fator por trás da nova fase das fraudes digitais. Ferramentas de IA generativa estão tornando golpes mais convincentes, personalizados e difíceis de identificar. Deepfakes, falsos atendimentos, mensagens automatizadas e páginas fraudulentas cada vez mais sofisticadas passaram a fazer parte do arsenal dos criminosos.A empresa identificou mais de 19,7 milhões de mensagens relacionadas a golpes circulando entre fraudadores apenas no primeiro trimestre. Isso equivale a 152 mensagens por minuto. O número de grupos utilizados para compartilhar técnicas e vulnerabilidades cresceu 139% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a quase 2 mil comunidades monitoradas.Segundo o vice-presidente de Autenticação e Prevenção a Fraudes da Serasa Experian, Eric Dhaese, a fraude passou a funcionar sob uma lógica semelhante à de plataformas digitais. “Fraudadores encontram uma brecha, empacotam esse conhecimento e o distribuem para outros criminosos, criando um modelo escalável de operação”, explicou.Setor financeiro é alvo A pesquisa mostra que a principal porta de entrada para os golpes continua sendo a criação de contas e cadastros fraudulentos no setor financeiro. As tentativas de fraude em processos de cadastros e validações de identidade, chamadao de onboarding, cresceram 36,6% no primeiro trimestre. Foram mais de 1,5 milhão de tentativas, o equivalente a uma ocorrência a cada cinco segundos. Cerca de 60% desses casos ocorreram em instituições financeiras, bancos, emissores de cartão, fintechs e empresas de crédito.Segundo a Serasa, o interesse dos criminosos é simples: quanto mais próximo do sistema financeiro, maior a possibilidade de monetização rápida da fraude. A empresa estima que as ferramentas de prevenção evitaram perdas de aproximadamente R$ 1,98 bilhão nesse estágio da jornada digital.Apostas entram no radarMas não é só o setor financeiro que desperta a cobiça dos golpistas. O mercado de apostas esportivas, um dos que mais crescem no país, também chama atenção. Segundo a Serasa, as tentativas de fraude nesse segmento cresceram 15 vezes em relação aos níveis anteriores observados pela companhia. A combinação entre a rápida expansão do setor e a implementação tardia da regulamentação criou um ambiente particularmente atrativo para criminosos. A expectativa da empresa é que o amadurecimento regulatório e a adoção de mecanismos de autenticação podem reduzir gradualmente essa vulnerabilidade.Caneta de emagrecimento coloca saúde na listaNas transações online, o comportamento dos fraudadores acompanha as tendências de consumo. Em números absolutos, os setores de beleza, calçados e saúde lideraram as tentativas de fraude no primeiro trimestre. Mas a entrada do segmento de saúde no ranking chamou atenção da Serasa e pode estar relacionada à explosão da demanda por canetas de emagrecimento, produtos de alto valor e elevada liquidez no mercado paralelo.Quando a análise considera a proporção de tentativas de fraude em relação ao volume de vendas, celulares e eletrônicos assumem a liderança. O motivo é puramente econômico, porque esses itens possuem alto valor de revenda e grande liquidez, já que podem ser convertidos rapidamente em dinheiro pelos criminosos.Mais da metade dos brasileiros já sofreu golpeSegundo estudo da Serasa, 51% da população economicamente ativa já foi vítima de algum tipo de fraude. O país registra ainda quatro novos sites falsos por hora e mantém um dos ambientes digitais mais desafiadores do mundo em termos de segurança, o que eleva ainda mais a preocupação das empresas. Isso porque cada golpe bem-sucedido não gera prejuízo apenas para consumidores, mas para as companhias, minando a confiança no comércio digital e financeiro como um todo.E é justamente essa perda de confiança que preocupa a Serasa. Por isso, a empresa aposta numa nova fronteira ao combate à fraude, não apenas bloqueando transações suspeitas, mas impedindo que a inteligência artificial e as redes organizadas de criminosos transformem a fraude digital em um modelo de negócios cada vez mais sofisticado e rentável.Raio X dos golpes no Brasil em 202651% dos brasileiros já foram vítimas de fraude;1 novo risco digital identificado a cada 13 minutos;19,7 milhões de mensagens ligadas a golpes;Crescimento de 139% nos compartilhamentos de informação em grupos de golpistas;1 tentativa de fraude de identidade a cada 5 segundos;60% das tentativas de cadastros fraudulentos estão concentradas no setor financeiro;368 mil tentativas de fraude em transações online;R$ 2,3 bilhões em perdas evitadas no mercado por sistemas de prevenção;Crescimento de 15 vezes nas tentativas de fraude em sites de apostas.The post A cada 13 minutos surgiu um novo risco digital no Brasil em 2026, mostra Serasa appeared first on InfoMoney.