Brasil ganha cada vez mais importância em portfólios globais, diz Santander Asset

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A cautela dos investidores com os emergentes, o que inclui o Brasil, tem aumentado, mas há também quem reitere a importância em ter os ativos do país para montar uma carteira diversificada, a despeito de cenários de curto prazo de maior pessimismo ou otimismo. Em relatório, Mário Felisberto, CIO da Santander Asset Management, destacou que, à medida que os portfólios globais e de mercados emergentes se tornam mais concentrados em um número restrito de países, setores e temas, o papel do Brasil como instrumento de diversificação tende a ganhar relevância — e não a diminuir. Felisberto traça um paralelo entre os mercados emergentes e os desenvolvidos. Ele aponta que, até o fim de 2025, as dez maiores empresas do S&P 500 passaram a representar mais de 40% do índice, o maior nível desde a década de 1960. Esse movimento reflete a dominância dos setores ligados à tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura digital no desempenho recente dos mercados. Para os emergentes, há uma dinâmica semelhante, uma vez que o capital tem se concentrado em menos países e temas. “Esse posicionamento foi amplamente recompensado: nos três anos até maio de 2026, o índice de tecnologia do MSCI Emerging Markets entregou retorno anualizado de 58,3%, frente a 25,2% do índice geral”, aponta. Leia tambémRecompras de ações aceleram na Bolsa; veja papéis para ficar de olhoO número de companhias anunciando que vão comprar seus papéis aumentou depois da queda da Bolsa, o que pode indicar oportunidadesEssa concentração aumenta a exposição a um conjunto comum de premissas — como liderança tecnológica sustentada e continuidade dos investimentos relacionados à inteligência artificial. “Nesse contexto, fontes diferenciadas de retorno tornam-se mais valiosas”, destaca o especialista. Para investidores já alocados em mercados emergentes, a questão deixa de ser “investir ou não no Brasil”, e passa a ser qual papel o país deve desempenhar dentro de uma carteira diversificada.Desafios de curto prazo, mas importante para carteira diversificadaPara Felisberto, embora desafios de curto prazo permaneçam — tanto externos quanto domésticos —, o caso estrutural para o Brasil não se altera. Nesse contexto, o Brasil se destaca por combinar exposição a commodities, ativos reais, juros elevados e profundidade de mercado.Assim, o país deve ser visto como um componente relevante em carteiras diversificadas de mercados emergentes — exatamente por oferecer fontes de retorno diferentes das que hoje dominam o cenário global.Isso porque, diferentemente de muitos países emergentes, cuja dinâmica depende de cadeias globais de manufatura ou da exportação de tecnologia, o Brasil combina produtores competitivos de commodities, um sistema financeiro sofisticado, um grande mercado doméstico e mercados de capitais profundos. Com isso, há fontes de retorno influenciadas por um conjunto mais amplo de fatores do que aqueles que dominam os principais índices globais e emergentes.“Além disso, em um mundo focado em disrupção tecnológica, ativos menos dependentes de ciclos de inovação — e menos suscetíveis à obsolescência — podem se beneficiar. Setores brasileiros como agricultura, energia, infraestrutura e serviços financeiros estão ligados à economia real e à produção física, oferecendo exposição distinta da economia digital”, aponta. Para o especialista, o Brasil também não deve ser visto apenas como um produtor de commodities maduras. “Há potencial de crescimento em diversas áreas: a produtividade agrícola segue avançando, a produção de petróleo tende a aumentar com novos projetos, e a pecuária mantém competitividade global”, complementa. O CIO da Santander Asset também ressalta que o avanço da inteligência artificial pode, paradoxalmente, reforçar a importância do Brasil. Embora o foco esteja em software e semicondutores, o ecossistema de IA depende de infraestrutura, energia confiável e recursos naturais — áreas em que o país possui vantagens estratégicas. Leia também: BofA rebaixa Brasil para neutroOutro tema é a geopolítica. Embora nenhum país esteja imune a choques externos, a posição geográfica e a estrutura econômica brasileira tendem a torná-lo menos exposto a algumas tensões globais, o que adiciona uma camada de diversificação às carteiras. Entre os temas citados, está a diversidade de ativos disponíveis. “O país oferece acesso a títulos públicos, papéis indexados à inflação, crédito corporativo, ações e exposição cambial, dentro de um mercado relativamente líquido — algo incomum entre emergentes”.Na renda fixa, o diferencial é ainda mais evidente, já que o Brasil historicamente apresenta taxas de juros nominais e reais mais elevadas que a maioria das economias, o que permite capturar retorno e prêmio de risco relevantes — especialmente em um cenário global de renda fixa comprimida. Enquanto isso, a Bolsa brasileira oferece exposição a empresas consolidadas em setores como bancos, energia, infraestrutura e commodities, frequentemente com forte geração de caixa e histórico de distribuição de dividendos.Além disso, embora valuation isoladamente não justifique uma alocação, os preços atuais dos ativos brasileiros parecem atrativos para investidores de longo prazo.“Riscos como a sustentabilidade fiscal, a política econômica e o cenário externo permanecem relevantes, mas já estão, em grande parte, refletidos nos preços”, destaca Felisberto, ao ressaltar que, pPara investidores com horizonte mais longo, momentos de volatilidade podem representar oportunidades de capturar prêmio de risco. “Isso ocorre porque boa parte das oscilações é impulsionada por investidores com horizonte curto, enquanto investidores de longo prazo podem se beneficiar dessas distorções”, pondera. 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