FII tem contas rejeitadas após não pagamento de dividendos e crise que corroeu cotas em mais de 70%

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FII tem contas rejeitadas após não pagamento de dividendos e crise que corroeu cotas em mais de 70%Os cotistas do fundo imobiliário CACR11 (Cartesia Recebíveis Imobiliários) rejeitaram as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. A decisão foi tomada por meio de consulta aos investidores e ocorre em meio a questionamentos sobre operações da carteira de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).A recusa das contas acontece após uma sequência de dúvidas sobre operações relevantes do fundo e a contratação de uma nova auditoria para reavaliar as demonstrações financeiras. Documentos ao mercado informaram que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a analisar informações ligadas aos critérios contábeis e de avaliação adotados para determinados ativos.A rejeição não implica, por si só, a identificação de irregularidades ou fraudes, tampouco gera efeitos imediatos sobre a carteira do veículo. Ainda assim, a decisão ocorre em um momento de maior escrutínio sobre a gestão e as operações do Cartesia Recebíveis Imobiliários.Queda histórica pressiona o fundoA votação foi realizada poucas semanas após o fundo registrar uma das maiores quedas mensais recentes entre os fundos imobiliários listados na Bolsa brasileira. Em maio, as cotas acumularam desvalorização de aproximadamente 70,5%.No mesmo período, houve uma sequência de eventos envolvendo o veículo, como a suspensão da distribuição de dividendos referente ao resultado de abril, questionamentos sobre operações da carteira e a divulgação de informações relacionadas a ativos investidos. Os dados do relatório gerencial de maio ilustram o contexto: o patrimônio líquido era de aproximadamente R$ 471,9 milhões, a cota patrimonial estava em R$ 97,58 e a cota negociada na Bolsa encerrou o mês em R$ 23,97, com desconto superior a 75% em relação ao valor patrimonial.Gestão busca preservar liquidezDiante do cenário de pressão, a gestão informou, no relatório gerencial de maio, a adoção de medidas voltadas à recomposição da liquidez. Entre elas, implementou a incorporação dos juros de determinadas operações ao saldo devedor dos CRIs, em vez do pagamento financeiro imediato desses valores ao fundo.Segundo a gestora, a estratégia visa preservar recursos para a continuidade das obras financiadas e reduzir a necessidade de novos desembolsos de caixa no curto prazo. A administração afirmou ainda que a medida não altera a tese de investimento do veículo nem o reconhecimento dos juros nos ativos da carteira, destacando que os valores permanecem contabilizados nos respectivos créditos imobiliários.Mercado acompanha fundo imobiliárioA rejeição das demonstrações financeiras adiciona um novo capítulo aos acontecimentos recentes, sem encerrar os desdobramentos do caso. O mercado segue atento aos próximos passos da reavaliação das contas, à evolução das operações de crédito que estão no centro dos questionamentos e às medidas da gestão após os eventos dos últimos meses.O Cartesia Recebíveis Imobiliários continua no radar dos investidores em razão dos desdobramentos envolvendo sua carteira, da forte volatilidade observada recentemente e da diferença entre o valor patrimonial e o preço de negociação das cotas no mercado secundário.