O BC (Banco Central) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, em decisão anunciada na quarta-feira (17). A medida veio em linha com a expectativa majoritária do mercado e gerou análises sobre os próximos passos da política monetária brasileira.Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, avaliou que a decisão foi esperada, embora não houvesse consenso sobre o desfecho.O Itaú trabalha com a Selic encerrando o ano em 13,75%, o que implicaria mais dois cortes de 0,25 ponto percentual.“Temos uma percepção de que na próxima reunião certamente haverá um corte, tem chance maior de haver um corte, pelo menos”, afirmou, ressalvando que a trajetória será reavaliada conforme novos dados surjam. Leia Mais Durigan diz que há espaço para corte de juros e nega impactos do governo Especialistas apontam custos e educação como questões para competitividade Análise: BC quer cortar juros, mas bondades eleitorais do governo impedem Impacto fiscalPara Gonçalves, o ponto mais relevante para a economia real não é a diferença entre uma Selic de 13,75% ou 14%, mas sim o fato de os juros permanecerem em patamar elevado por um longo período.“O mais importante é entender por que os juros estão parando em um nível tão alto”, disse.Ele apontou que a divergência entre a política fiscal e a política monetária está na raiz desse problema: “Isso tem muito a ver com uma política fiscal que está indo em uma direção, uma política monetária em outra direção”.“A gente esperava um corte de 25 pontos, havia dúvidas sobre isso, havia dúvidas também sobre se deixariam em aberto para decisões futuras”, afirmou.Segundo ele, o comunicado do Copom apresentou elementos em direções opostas.O comunicado oficial trouxe, de um lado, elementos considerados mais duros, como a aceleração da atividade econômica, a revisão da projeção de inflação de 3,5% para 3,7% no horizonte relevante e a adição de riscos altistas no balanço de riscos — incluindo efeitos secundários da alta do petróleo e estímulos à demanda.Por outro lado, o texto indicou que, na próxima reunião, com o rolamento do horizonte relevante do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, as projeções de inflação ficariam abaixo da meta, o que abriria espaço para um novo corte.Gonçalves também destacou uma passagem do comunicado que gerou dúvidas sobre uma possível mudança na função de reação do comitê.“O comitê fala que seria compatível essa decisão com uma suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse.Segundo ele, não ficou claro se o BC estaria atribuindo maior peso a variáveis como crescimento e PIB, além da inflação.“Essa questão vai acabar sendo dirimida nas próximas comunicações“, avaliou, ressaltando que a ata do Copom, prevista para a semana seguinte, ganharia ainda mais relevância diante dessas dúvidas.O cenário externo também foi destacado como fator de atenção. Gonçalves mencionou que o preço do petróleo recuou para o menor patamar desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, o que representa um alívio inflacionário vindo do exterior.No entanto, ponderou que a incerteza segue elevada e que passos pequenos, como o corte realizado, são coerentes com esse ambiente.“Quando a incerteza está alta, o cenário está muito nebuloso, a tendência é dar passos pequenos e também não garantir nada para o futuro”, explicou.Outro elemento externo relevante foi a decisão de política monetária dos Estados Unidos, divulgada no mesmo dia. Sem alteração nos juros americanos, o comunicado do Federal Reserve sinalizou uma postura mais dura em relação à inflação, com vários membros do comitê projetando duas altas de juros ao longo do ano.Gonçalves apontou que essa divergência entre as trajetórias de juros no Brasil e nos Estados Unidos levanta questionamentos sobre até que ponto o BC brasileiro consegue avançar nos cortes, Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.