A auditoria independente da Fictor Alimentos (FICT3) se recusou a emitir opinião sobre parte relevante das demonstrações financeiras de 2025 da companhia, que entrou em recuperação judicial neste ano.Em relatório divulgado junto ao balanço anual, a RSM informou que não expressou opinião sobre as demonstrações do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa da empresa referentes ao exercício encerrado em dezembro de 2025.Segundo a auditoria, o problema está relacionado à impossibilidade de validar os estoques da Fictor Alimentos Betim, subsidiária criada para operar uma unidade industrial arrendada em Betim (MG), principal operação da companhia.“Não nos foi possível acompanhar a referida contagem física, tampouco aplicar procedimentos alternativos que nos permitissem obter evidência de auditoria apropriada e suficiente acerca das quantidades e da correspondente valorização dos estoques registrados”, afirmou a RSM no documento.A auditora explicou que foi contratada apenas após a realização do inventário físico dos estoques da subsidiária. Como consequência, declarou não ser possível validar o custo dos produtos vendidos, registrado em R$ 79,8 milhões, nem determinar eventuais impactos sobre o resultado da companhia.O episódio ocorre após mudanças na auditoria da companhia. A UHY Bendoraytes encerrou seu relacionamento com a Fictor em fevereiro de 2026, após a empresa entrar na recuperação judicial da sua holding. Em março, o conselho de administração aprovou a contratação da RSM para revisar as demonstrações financeiras de 2025 e as informações trimestrais de 2026.Leia mais: Auditoria que deixou Fictor Alimentos atuou em mais de 100 fundos ligados ao entorno do MasterOperação acumulou prejuízos e foi descontinuadaAs demonstrações financeiras mostram que a operação industrial gerou receita líquida consolidada de R$ 77,1 milhões em 2025, mas registrou custo dos produtos vendidos de R$ 79,8 milhões, resultando em prejuízo bruto de R$ 2,8 milhões.No consolidado, a Fictor encerrou o ano com prejuízo de R$ 23,4 milhões.A companhia também reconheceu uma perda de equivalência patrimonial de R$ 18,6 milhões relacionada à subsidiária de Betim.Após o encerramento do exercício, a administração decidiu encerrar as operações da unidade. Segundo a empresa, a viabilidade econômica do projeto dependia da realização de novos investimentos e foi afetada por restrições de liquidez e dificuldades de acesso a financiamento.A Fictor Alimentos passou a integrar o processo de recuperação judicial do grupo Fictor em fevereiro deste ano. O processamento da recuperação foi deferido pela Justiça em 17 de abril.No relatório de auditoria, a RSM destacou a recuperação judicial como uma incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia.Já a administração afirmou que fatores como os prejuízos acumulados, a descontinuidade da operação industrial, as restrições de liquidez e o próprio processo de recuperação judicial geram incertezas sobre a continuidade dos negócios, embora sustente que as demonstrações financeiras foram preparadas com base no pressuposto de continuidade operacional.