Fim da escala 6×1 terá efeito cascata nos preços, diz especialista

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O debate em torno do fim da escala 6×1 segue gerando preocupações em diversos setores da economia brasileira.Maria Rita Catonio Barbosa, representante da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, alertou que a medida, caso aprovada nos moldes atualmente discutidos na Câmara, poderá desencadear um efeito cascata de aumento de preços para o consumidor final.Segundo Maria Rita, a principal preocupação imediata é a redução da jornada de trabalho sem a correspondente redução salarial. BC volta a incluir fiscal no balanço de riscos, diz especialista Títulos pós-fixados são atrativos após corte da Selic; entenda Copa do Mundo: Kansas City aposta US$ 200 mi para se tornar hub turístico “Automaticamente isso vai elevar o custo da hora trabalhada”, afirmou. Para ela, a proposta pode parecer atraente à primeira vista, mas suas consequências econômicas são amplas: “Alguém vai pagar a conta e não serão só as empresas”.Impacto em toda a cadeia produtivaMaria Rita detalhou como o aumento de custos se propagaria por toda a cadeia produtiva. Empresas que precisarem reduzir a jornada terão de contratar mais funcionários para manter a produtividade, elevando seus gastos operacionais. Esse custo adicional seria repassado, ao menos parcialmente, ao consumidor.“A indústria metalúrgica que fabrica chapa de aço vai ter um custo elevado, vai vender a chapa mais caro, automaticamente a fábrica de geladeira vai ter esse custo também repassado para as lojas”, exemplificou. O mesmo raciocínio se aplicaria a estabelecimentos menores, como padarias, cujos preços também seriam afetados.Comparação com países mais produtivosA especialista também questionou as comparações feitas entre o Brasil e nações com jornadas de trabalho mais curtas. Ela citou Luxemburgo, apontado como o país mais produtivo do mundo, com média de 35,6 horas semanais e limite legal de 40 horas, mas que é sete vezes mais produtivo que o Brasil.A Irlanda, outro exemplo frequentemente mencionado, possui produtividade seis vezes superior à brasileira. “Não podemos fazer essa comparação com esses países”, afirmou Maria Rita, destacando que eles contam com melhor infraestrutura, menor informalidade e maior grau de automação.No caso específico da indústria de transformação brasileira, Maria Rita apontou que, entre 2019 e 2024, houve uma queda de 9% na produtividade. Com a redução proposta de 44 para 40 horas semanais, seria necessário um ganho de 8,5% apenas para manter os níveis de produção atuais.“O impacto vai ser monstruoso com relação a esse ponto”, avaliou.Negociação coletiva como alternativaPara Maria Rita, a solução mais adequada passa pela negociação coletiva, que permitiria considerar as particularidades de cada setor, região e categoria profissional. Ela ressaltou que o Brasil possui realidades muito distintas entre seus municípios e estados, e que tratar todos de forma homogênea seria inadequado.“Eu não posso ter o Rio de Janeiro sendo equiparado a outras regiões com realidades completamente diferentes”, disse.Focus: Mercado eleva para 5,30% projeção para inflação em 2026 | MORNING CALLQuestionada sobre as negociações da Federação com o governo federal e parlamentares, Maria Rita afirmou que a entidade tem buscado participar de audiências públicas para apresentar os impactos econômicos da proposta. Segundo ela, até o momento apenas uma audiência pública foi concedida.“A nossa intenção é demonstrar todos os impactos econômicos que podem acontecer se a gente tiver o avanço da PEC da forma que trata todos como iguais, todo o Brasil e todas as categorias e todos os setores”, concluiu.Picanha e cerveja ficam mais caras com alta da inflação Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.