Nesta conversa, a responsável reflete sobre os desafios da liderança na indústria dos festivais, a gestão de equipas e artistas, a evolução das expectativas do público e as estratégias necessárias para manter um festival relevante num setor cada vez mais competitivo e em constante transformação.Como define a identidade do Ageas Cooljazz e o que o distingue no panorama nacional?A identidade do Ageas Cooljazz assenta na qualidade musical e no conforto. Proporcionamos uma experiência feita à medida do consumidor, providenciando uma oferta musical que tem sempre como prioridade a qualidade, apresentando como diversos estilos musicais se unem e misturam com as fundações do jazz.No festival, podemos ter a experiência de usufruir dos concertos em pé ou procurar o conforto de assistir sentado, num lugar que fica reservado durante todo o dia do festival. O conforto estende-se ao facto de não haver concertos com horários sobrepostos permitindo ao público deslocar-se sem pressas entre palcos. O Ageas Cooljazz é um festival para um público que procura assistir a concertos dentro de um cenário tranquilo, onde a música é o agente principal.Que evolução tem sentido desde as primeiras edições? Como se preserva a autenticidade de um festival?A alteração mais marcante é talvez juntar todos os concertos num só espaço, durante o mês de julho. Preserva-se mantendo como prioridade a essência e identidade do festival desde o dia zero. O Ageas Cooljazz tem desde a primeira edição a mesma missão de proporcionar os melhores concertos e o melhor conforto ao público, bem como o aumento das ações sustentáveis de edição para edição. Mais do que preservar é manter a identidade.Quando começámos, o festival contava um concerto por noite. Em 2026 estamos com quatro, garantindo que não existe sobreposição de horários, permitindo ao público usufruir de toda a programação, sem perder nenhum dos momentos e garantindo o conforto para desfrutar a música com tempo. Somos um festival taylormade por uma equipa que se preocupa com todos os detalhes, sempre para garantir um objetivo: que o público tenha a melhor experiência de sempre. Esta é a mentalidade desde o dia zero do festival e creio que é precisamente por isso que se mantém a autenticidade. O que entusiasma mais ao organizar um festival?O sentimento de ver o artista em palco e o público satisfeito. Claro que o processo, que começa mal a edição a decorrer termina, continua a ser dos pontos mais altos. Contudo, creio que, meses depois, nada substitui o sentimento de missão cumprida de ver o público a delirar com um concerto. Como se lida com a pressão de fazer um bom festival que também seja lucrativo?Sendo um festival taylormade, a nossa viabilidade financeira está associada a tudo. Tudo tem impacto, como tudo é um investimento. Assim, procuramos acima de tudo encontrar as melhores soluções, tendo sempre a experiência do público como prioridade – e essa preocupação vai desde o preço de venda dos bilhetes até ao consumo dentro do festival.A economia para ser rotativa tem de encontrar quem queira investir e também quem conheça o seu consumidor ao ponto de perceber as suas intenções de investimento. Assim, todos os anos, mediante o cartaz que construímos, procuramos tomar decisões financeiras com base no que é confortável para o nosso público e, acima de tudo, financeiramente saudável para o festival. Como se gere uma enorme equipa, presença de marcas e egos de artistas?Gere-se uma enorme equipa no dia-a-dia: acompanhar, ajudar, delegar, faz tudo parte da roda de funcionamento de grandes engrenagens. Temos equipas que começam a trabalhar em setembro a antecipar a edição do ano seguinte. Estou sempre presente, onde acompanho e tenho grande prazer em estar por dentro e ver a evolução do trabalho. Por sermos um festival que dedica cada dia a quatro artistas, temos de garantir que todos estão confortáveis nos seus tempos de atuação O mesmo se aplica às marcas, que são acima de tudo, parceiras que trabalham tanto para este momento, como nós. Há algum pedido inesperado ou momento insólito com artistas que se destaque na sua memória? E um concerto?São inúmeros os episódios e histórias, contudo recordo-me do Solomon Burke, que é ‘O Rei do Rock ‘N Soul e Bispo do Soul’, que convidou a Joss Stone e subiram os dois ao palco do Parque Marechal Carmona, em Cascais. Foi um dia muito desafiante pois, devido ao excesso de peso de Solomon, todas as suas deslocações tinham de ser realizadas em cadeira de rodas.A produção garantiu todas as necessidades de forma ao artista estar confortável, mas o momento mais impactante da noite foi a entrada de Solomon em palco: para além da reação do público, as bailarinas produziram uma encenação através de panos e lenços que cobriam grande parte do palco, de forma a que a entrada do ‘Rei do Rock ‘N Soul’ e ‘Bispo do Soul’ decorresse da forma mais harmoniosa possível. Solomon atuou sentado no seu trono, uma adaptação feita à cadeira de rodas no palco, que nesse dia foi também boca de cena. O que é que o público nunca vê, mas faz realmente um festival acontecer?As pessoas, as equipas e todo o cuidado que existe de meses de planeamento. Sente que o público mudou nos últimos anos? O que se procura hoje numa experiência de festival?Sim, mudou como o mundo mudou. O pós-covid voltou a trazer a efusividade do público, por termos sido privados durante aqueles anos. Os hábitos de consumo mudaram devido ao impacto que o mundo digital tem no nosso dia a dia, mas acredito que a essência do público que vai a um festival continua a estar focada na procura de novas experiências, tendo a música como prioridade. Como caracteriza a audiência do Ageas Cooljazz?Um público jovem adulto, que procura qualidade musical e conforto. O Ageas Cooljazz tem um público fiel, que vai ao festival para usufruir das novidades e experiências de cada edição. Temos, claro, os aficionados pelos artistas que trazemos e muitas vezes, o fã da banda/artista, fica fã do festival, voltando na edição seguinte. É um público onde amigos se encontram e usufruem de uma boa programação musical. Qual é o segredo para um festival memorável?Como diz o slogan da Live Experiences: creating new emotions.O conteúdo «Solomon Burke atuou sentado no seu trono, uma adaptação feita à cadeira de rodas»: Karla Campos recorda momentos marcantes do Ageas Cooljazz aparece primeiro em Revista Líder.