O Safra atualizou as estimativas para diversos nomes sob sua cobertura de varejo, incorporando os resultados do primeiro trimestre de 2026, as atuais premissas macroeconômicas e um custo de capital próprio mais elevado.Os ajustes nos preços-alvo e recomendações refletem o aumento da incerteza no Brasil no segundo semestre de 2026, de acordo com a equipe de analistas liderada por Vitor Pini. “Permanecemos vigilantes quanto aos riscos potenciais associados ao aperto do ciclo monetário, que pode reduzir o poder de compra dos consumidores e desacelerar a atividade econômica nos próximos trimestres”, diz o Safra. Após o recente desempenho inferior do setor, os analistas do banco veem oportunidades atraentes em empresas com forte execução operacional e balanços sólidos, negociadas a múltiplos atrativos.As ações do varejo que são compraA equipe de analistas do Safra cortou o preço-alvo de Smart Fit (SMFT3), de R$ 26 para R$ 25,50, mantendo a recomendação de compra para a rede de academias. No caso da Track&Field (TFCO3), o preço-alvo caiu de R$ 21 para R$ 20,50, e a recomendação de compra também está mantida.Do lado do varejo de vestuário, o Safra recomenda compra para C&A (CEAB3), apesar de uma redução no preço-alvo de R$ 17,50 para R$ 15,50 por ação, além de Lojas Renner (LREN3), com ajuste de R$ 22 para R$ 20,50 no preço-alvo, Riachuelo (RIAA3), com corte no preço-alvo de R$ 13 para R$ 11,50, e Grupo SBF (SBFG3), que teve corte no preço-alvo de R$ 15,50 para R$ 14. Na visão do Safra, Track&Field e Smart Fit permanecem bem posicionadas para capturar o crescimento em meio às fortes tendências do segmento fitness. “A Smart Fit é sustentada por uma expansão acelerada e uma proposta de valor resiliente, impulsionando um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de receita de 18% e um CAGR de lucro de 17% (2025 2028), e continua sendo uma oportunidade de compra sólida, apesar de seu P/L (preço sobre lucro) estimado para 2026 de 12,3 vezes”, dizem os analistas. Já a Track&Field se beneficia do crescente engajamento com a marca e de um modelo de negócios com alta margem e poucos ativos, sustentando um CAGR de lucro de 21% (2025-2028) e justificando sua avaliação premium (P/L estimado para 2026 de 12,2x). Ao mesmo tempo, o Safra vê o Grupo SBF apresentando uma sólida recuperação nas vendas, impulsionada pela melhoria na execução em loja e pela retomada do canal de atacado da Fisia. “Espera-se que os fatores favoráveis da Copa do Mundo e do câmbio impulsionem um crescimento de receita de 16% e uma expansão de 60 pontos-base na margem bruta até 2026, oferecendo um ponto de entrada atrativo com um múltiplo P/L de 5,1x para 2026″, dizem os analistas. Para as empresas do setor de vestuário, a visão é mais otimista, considerando as temperaturas mais baixas das últimas semanas, que devem favorecer o desempenho da coleção de inverno e ajudar a sustentar os níveis de vendas, com base em uma sólida comparação com 2025. Nomes neutros Enquanto alguns nomes carregam recomendação de compra, outros são neutros para o Safra, como é o caso de Alpargatas (ALPA4), que teve o preço-alvo mantido em R$ 13,50, Vivara (VIVA3), que teve corte no preço-alvo de R$ 30 para R$ 24, e Azzas 2154 (AZZA3), que também sofreu corte no preço-alvo, agora de R$ 19,50, ante R$ 26 anteriormente. “Observamos melhorias operacionais significativas na Alpargatas, que continua a apresentar crescimento consistente da receita, impulsionado por um aumento no valor médio dos pedidos e pela recuperação em andamento de seus negócios internacionais”, dizem os analistas. No entanto, o Safra acredita que isso já esteja precificado em um múltiplo de 13,9x o preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2026. Para a Vivara e a Azzas, apesar de negociarem a avaliações abaixo da média, a Vivara enfrenta pressão macroeconômica sobre a demanda, particularmente na divisão Life, e os estoques elevados podem levar a uma desaceleração da produção. Já a Azzas 2154 permanece em uma fase de menor momentum, com tendências fracas na receita que limitam a alavancagem operacional e atrasam a recuperação das margens, o que leva o banco a buscar outras oportunidades.