EUA e Irã iniciam negociações para acordo de paz permanente

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O diálogo entre Estados Unidos e Irã, na Suíça, com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio, terá início neste domingo (21), após a chegada da delegação iraniana e do vice-presidente americano, JD Vance. Segundo a chancelaria suíça, os negociadores de Teerã desembarcaram no país no sábado (20). Entre a delegação do Irã, estão o negociador-chefe e presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, o chanceler Abbas Araqchi e o governador do Banco Central Abdolnaser Hemmati, informou a TV estatal iraniana.O vice-presidente dos Estados Unidos deixou Washington no sábado rumo à Suíça. Ele vai se juntar ao enviado especial Steve Witkoff e ao genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, que já estão no país.O memorando de entendimento assinado nesta semana definiu um prazo de 60 dias para um acordo final focado no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções contra a economia do país. Segundo Berna, as conversas preparatórias começaram neste domingo. A chancelaria do Irã informou que as negociações técnicas contarão com a presença de representantes dos países mediadores Catar e Paquistão.Protocolo ‘em risco’O porta-voz da diplomacia iraniana alertou os Estados Unidos de que o protocolo estará “em risco” se suas cláusulas não forem aplicadas rapidamente, referindo-se à situação no Líbano, onde Israel e o Hezbollah se enfrentam.O comando militar central do Irã anunciou no sábado o fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a ataques de Israel no sul do Líbano, por considerá-los uma violação do seu acordo com os Estados Unidos. A instituição anunciou que a passagem “será fechada à navegação de navios” e afirmou que este “primeiro passo é uma resposta ao descumprimento da promessa por parte do inimigo”.A nota do comando adverte que, “se a agressão continuar, novas medidas serão planejadas para obrigar o inimigo a cumprir suas obrigações”. Já Donald Trump ameaçou aplicar um pedágio no Estreito caso não haja acordo.Via importante para o transporte de petróleo e gás, o Estreito de Ormuz foi bloqueado pelo Irã durante boa parte da guerra, o que abalou os mercados mundiais de energia. Teerã havia concordado em reabri-lo como parte do memorando de entendimento com os Estados Unidos, e o tráfego marítimo foi retomado gradualmente nos últimos dias.TréguaUma autoridade do Exército de Israel informou que as forças armadas receberam da cúpula política do país uma ordem para interromper os combates no sul do Líbano, onde suas tropas enfrentam o movimento pró-Irã Hezbollah, apesar de um cessar-fogo em vigor.“As FDI receberam diretrizes atualizadas dos níveis políticos para interromper o fogo”, disse o funcionário, o qual explicou que as tropas “não estão realizando ataques proativos”, e sim atuam “de forma defensiva dentro da zona de segurança” no sul do Líbano.A mídia estatal libanesa noticiou ataques aéreos israelenses em cerca de 20 localidades, e autoridades contabilizaram mais de 30 mortos.Desde 2 de março, quando começou a guerra entre Israel e o Hezbollah, os bombardeios israelenses no Líbano deixaram 4.057 mortos, segundo um balanço do Ministério da Saúde libanês divulgado no sábado.O Exército de Israel relatou a morte de um de seus soldados, o que aumenta para cinco o número de militares israelenses mortos no Líbano desde o anúncio do memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos. O Hezbollah afirmou que Israel é “totalmente responsável” pelas violações da trégua.Embora o cessar-fogo acordado em abril entre Irã e Estados Unidos tenha sido respeitado em grande parte, esse não foi o caso no Líbano, onde foram anunciados três acordos de trégua, que duraram apenas algumas horas.