O El Niño deve gerar impactos significativos sobre o setor energético brasileiro, com potencial de encarecer as tarifas de energia elétrica em 2027.A combinação entre a redução do regime de chuvas, que afeta os reservatórios das hidroelétricas, e o aumento do consumo de eletricidade provocado pelas temperaturas mais elevadas cria um cenário de pressão sobre o sistema elétrico nacional. BC volta a incluir fiscal no balanço de riscos, diz especialista Títulos pós-fixados são atrativos após corte da Selic; entenda Adiamento do acordo EUA-Irã atrasa retomada de Ormuz, diz professor David Zylbersztajn, colunista do CNN Infra, explicou que o fenômeno traz desequilíbrios em diversas frentes. Além do setor elétrico, a produção agrícola também pode ser afetada, o que geraria reflexos sobre a oferta de biocombustíveis — componente relevante da matriz energética brasileira.“Os biocombustíveis têm uma participação extremamente importante na nossa matriz energética e foram, inclusive, uma das âncoras que permitiu que o Brasil não tivesse tantos aumentos nos combustíveis como no resto do mundo”, afirmou.Reservatórios em nível adequado, mas sem folgaEm relação à eletricidade, Zylbersztajn destacou que as hidroelétricas funcionam como a principal “bateria” de energia do país, e que as bacias hidrográficas da região Centro-Oeste, responsáveis pelo maior volume de acumulação, podem ser bastante afetadas pelo El Niño.Segundo ele, os reservatórios estão atualmente em níveis adequados, mas sem conforto suficiente para suportar uma redução importante no regime de chuvas.“A gente já teve situações muito piores em El Niños anteriores”, ponderou, acrescentando que as previsões meteorológicas apontam para um fenômeno de grande intensidade.O especialista também ressaltou que o aumento das temperaturas médias eleva atipicamente o consumo de eletricidade, puxado principalmente pelo uso de ar-condicionado, hoje amplamente presente em residências, restaurantes e escritórios.Esse fator, combinado à menor disponibilidade de energia hidroelétrica, pode obrigar o acionamento das usinas termelétricas, que utilizam combustíveis fósseis e geram energia a um custo mais elevado.“Você pode ter menos hidroelétrica disponível, que é a energia em princípio mais barata, e ter que acionar as termoelétricas, que é uma energia mais cara”, explicou.Risco de aumento de tarifas e desafios para o sistemaZylbersztajn avaliou que o impacto sobre as tarifas não deve ser imediato, mas representa um risco concreto para 2027. “Não se espera uma explosão nos preços, mas é uma tendência, sim, de aumento dos preços da energia elétrica, por conta, principalmente, dessa imprevisibilidade”, disse.Ele comparou as usinas termelétricas a um seguro: “A gente paga um seguro para não ter a falta. O mundo ideal é o seguro que você não usa, mas tem um custo para você ter uma garantia de um futuro incerto.”Avanço da IA impulsiona corrida global por energia | RESENHA DO DINHEIROOutro fator de risco apontado pelo especialista é a possibilidade de incêndios provocados pela seca afetarem as linhas de transmissão de energia. Zylbersztajn lembrou que o Brasil é um dos países mais integrados do mundo em termos de infraestrutura de transmissão elétrica, o que torna o sistema vulnerável a esse tipo de ocorrência.“É mais uma camada de risco que a gente tem aí e que tem que ter muito cuidado, muita prevenção e, principalmente, modos de combater eventuais acidentes como esse”, concluiu.China investe no Brasil em delivery, energia e mineração; veja lista Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.