Boa Safra (SOJA3): Citi reduz preço-alvo por dívida líquida maior; El Niño pode trazer efeitos mistos

Wait 5 sec.

O Citi reduziu o preço-alvo das ações da Boa Safra (SOJA3) de R$ 7,50 para R$ 6,50, citando uma dívida líquida acima do esperado pelo banco no primeiro trimestre de 2026. Apesar do corte, o banco manteve recomendação neutra para a companhia, avaliando que a tendência para os próximos trimestres é de melhora operacional, impulsionada pelo aumento do volume de vendas e pela maior eficiência das unidades produtivas.Na visão dos analistas, a Boa Safra pode se beneficiar de uma oferta mais restrita de algumas variedades de sementes no mercado, consequência do excesso de chuvas durante a colheita da soja, o que tende a sustentar preços mais elevados.Além disso, a maior utilização das plantas deve favorecer a diluição de custos fixos e despesas operacionais ao longo do ano. Os analistas ressaltam que o passivo da empresa é um ponto de atenção para os investidores. A dívida líquida consolidada fechou março em R$ 848 milhões, acima dos R$ 519 milhões registrados um ano antes. O caixa e aplicações financeiras totalizaram R$ 777 milhões ao final do trimestre. Veja o balanço do 1T26.Os ventos contrários do Boa Safra (SOJA3)Por outro lado, o Citi destaca que o provável fortalecimento do fenômeno El Niño traz efeitos mistos para a tese de investimento.Vale lembrar que o evento climático é cíclico e natural, porém há uma perspectiva de que ele seja intensificado neste ano, contribuindo com fenômenos intensos de chuvas e estiagens. Embora o evento climático possa estimular replantios — como ocorreu na safra 2023/24, beneficiando a companhia no Centro-Oeste —, também aumenta os riscos para a rentabilidade dos produtores, que podem migrar para sementes de menor tecnologia diante dos custos mais altos com combustíveis e fertilizantes.O banco também observa avanços na estratégia de diversificação da empresa. As receitas provenientes de outras culturas seguem ganhando relevância, reduzindo a dependência da soja e a exposição a riscos de concentração e inadimplência.A expectativa é que a carteira de pedidos evolua em linha com o ano anterior, embora parte das compras de sementes possa ocorrer mais próxima do plantio devido às incertezas climáticas.Mesmo com a perspectiva de resultados mais fortes à frente, o Citi considera que as ações já negociam a múltiplos relativamente elevados para o setor e vê um cenário ainda difícil para o agronegócio, especialmente caso os impactos de um El Niño mais intenso se confirmem nos próximos meses.