Os últimos meses não foram fáceis para a Cosan (CSAN3). As ações da companhia chegaram a cair cerca de 50% após a oferta subsequente de ações (follow-on), no final de 2025. Depois de entregar resultados mais fracos do que o esperado no primeiro trimestre deste ano, a sensação ainda era de pessimismo.Mas o cenário mudou. Com avanços relevantes na agenda de desinvestimento da companhia, os investidores (e o mercado) passaram a apostar em uma virada.Leia tambémXP: alta de 123% das ações não é o fim dos ganhos para a Aura Minerals (AURA33)Queda recente nas ações é visto por analistas como ponto de entradaSLC avalia se vai exercer preferência na compra de terras da RadarCompanhia afirmou que tem contrato de arrendamento vigente para exploração agrícola em cerca de 17,6 mil hectaresNesta quarta-feira (17), a empresa comunicou a venda de 12% do seu portfólio de propriedades agrícolas. No mesmo dia, os papéis fecharam a sessão com ganhos de 6,12%, a R$ 3,47, enquanto o Ibovespa caiu 0,7%.Para o BTG Pactual, com esse anúncio, o caminho para destravar o valor da estrutura societária da Cosan tem se tornado mais claro. Ainda que a estrutura de capital requira a venda de ativos para reduzir o endividamento, o banco acredita que a situação está muito mais controlada do que antes. O banco reiterou nesta semana recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 8, um potencial de alta de 13% em relação ao fechamento de quinta-feira. Segundo os analistas, alguns ativos já podem ser monetizados no curto prazo, o que deve ajudar a equilibrar o fluxo de caixa. Mesmo após a captação de R$ 13 bilhões com o follow-on e do IPO da Compass, as despesas financeiras continuam superiores aos dividendos.Incorporando os desinvestimentos anunciados, os níveis atuais da curva de juros brasileira e um aumento de 200 pontos-base na estimativa de custo de capital próprio (Ke), o preço-alvo para a Cosan estipulado pelo Bradesco BBI cairia de R$ 7 para R$ 4,1 a ação. Mesmo com a redução, esse valor ainda implicaria um potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação aos níveis atuais. Assim, embora parte relevante da performance negativa recente seja justificada pela piora do cenário e pela dinâmica de curto prazo mais pressionada, os analistas do BBI entendem que o preço atual já incorpora uma visão conservadora dos investidores, abrindo um ponto de entrada mais atrativo em termos de assimetria. O papel, para os analsitas, combina um desconto relevante frente ao valor dos ativos, alavancagem operacional a uma eventual melhora nas condições financeiras e uma agenda clara de simplificação do portfólio, que pode destravar valor ao longo do tempo. Além disso, de maneira geral, ainda que o cenário não seja tão favorável, a avaliação é de que a situação continua sendo altamente administrável.Redução da dívidaSeguindo a linha otimista, o Bank of America (BofA) retomou a cobertura da Cosan com recomendação de compra, apostando também na estratégia da companhia em reduzir sua dívida, com base no recebimento de dividendos e venda de ativos.Para o final de 2026, o BofA estipulou um preço-alvo de R$ 5,50, um potencial de alta de 62% frente o fechamento de quinta. De acordo com os analistas, a nova avaliação reflete o valor das subsidiárias da empresa e a melhora progressiva do perfil de geração de caixa.Mas nem tudo vem fácil. Para o banco, a tese de investimento da Cosan ainda depende de gatilhos de valor. Essa avaliação leva em consideração a afirmação da própria companhia, que tem como objetivo reduzir a divida líquida a zero. Os cálculos do BofA estimam uma dívida líquida de R$ 9,5 bilhões ao final de 2026.Para alcançar esse objetivo, a Cosan pretende impulsionar o recebimento de dividendos das subsidiárias e realizar algumas operações de monetização de portfólio. Este último, vendendo parcial ou totalmente ativos para gerar caixa.Venda de ativosPara os analistas do BofA, a Compass deve se tornar o principal gerador de valor dentro do portfólio da Cosan. Essa avaliação se sustenta em seu forte perfil de crescimento e elevada capacidade de geração de caixa.Mas, conforme o BTG, isso deve acontecer em médio ou longo prazo. Em um período mais curto, as controladas Radar e Rumo se tornam candidatos fortes para monetização.No caso da Radar, por exemplo, sob a ótica da estrutura de capital, a companhia historicamente gera um rendimento de dividendos de aproximadamente 3% ao ano. Comparando com o custo da dívida da holding, em torno de 16% ao ano, o carry negativo fica em torno de 13%.Para o BTG, a venda de aproximadamente 70 a 80 mil hectares de terra, mesmo com um desconto de 15% sobre o valor de avaliação, seria suficiente para melhorar o fluxo de caixa da Cosan em cerca de R$ 500 milhões.Recentemente, também surgiram notícias sobre uma possível venda da participação da Cosan na Rumo. De acordo com os analistas, considerando o elevado custo da dívida da holding, a Rumo surge naturalmente como uma das alternativas mais rápidas para fortalecer a estrutura de capital da Cosan.A Moove, por sua vez, é tida como um ativo de alta qualidade e elevado potencial de monetização no médio prazo, segundo o BTG.Riscos de execuçãoCom base na estratégia da Cosan, os analistas do BofA especulam que, caso não ocorra a venda de ativos, a melhora adicional do fluxo de caixa dependerá do aumento dos dividendos recebidos da Compass e da Rumo.Ao final do primeiro trimestre, a Cosan registrou fluxo de caixa negativo de R$ 1,9 bilhão. A projeção do banco é de que os dividendos alcancem R$ 2,8 bilhões até 2028, ante R$ 1,2 bilhão acumulado nos últimos 12 meses.O tempo também deve ter uma participação relevante nesta tese. De acordo com o BofA, a Cosan apresenta uma geração de caixa limitada no curto prazo. Além disso, a companhia possui um custo médio da dívida de 15,5% ao ano.The post Sentimento virou? Por que os analistas estão ficando mais otimistas com Cosan (CSAN3) appeared first on InfoMoney.