Desde sua abertura de capital em 2021, a Caixa Seguridade (CXSE3) tem apresentado um desempenho que desafia o pessimismo recente do mercado financeiro. Enquanto o principal índice da bolsa brasileira subiu apenas 44% no período, a empresa entregou um retorno total aos seus acionistas de 168%, somando a valorização das ações e o pagamento de lucros. O resultado histórico mais recente confirma a boa fase: no primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 1,40 bilhão, o melhor desempenho de sua história.O segredo desse crescimento está diretamente ligado ao “sonho da casa própria” dos brasileiros. Como braço de seguros da Caixa Econômica Federal, a empresa aproveita a força do banco, que detém 70% do mercado de financiamento habitacional no país e quase a totalidade do programa Minha Casa Minha Vida. “O seguro habitacional é muito relevante porque garante a estrutura do crédito e a moradia do cliente em casos de morte ou invalidez”, explicou Gustavo Portela, presidente da companhia.Veja mais: Por que Braskem caiu 10% após notícia sobre plano de reestruturação?E também: BC amplia abertura de contas em moeda estrangeira para empresasAs declarações foram feitas durante o programa Expert Talks – Na Mesa com CEOs, conduzido por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP (XPBR31), e Matheus Guimarães, analista do setor financeiro na XP. Na conversa, Portela detalhou como a holding organiza as operações de seguro do ecossistema da Caixa, que hoje conta com mais de 150 milhões de clientes e parcerias estratégicas com grupos internacionais para fortalecer a venda de produtos como previdência, consórcios e seguros residenciais.Para o executivo, o setor de seguros, que movimenta cerca de R$ 800 bilhões por ano no Brasil — o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) —, ainda tem um enorme espaço para crescer, já que 70% da população não possui nenhum tipo de proteção. “O desafio passa pela educação. É difícil um cliente dizer que não precisa de um seguro de vida quando ele entende que aquilo serve para proteger o que ele mais ama, que é sua família”— Gustavo Portela, presidente da Caixa Seguridade.SpaceX prepara emissão de títulos de ao menos US$ 20 bilhõesA cada 13 minutos surgiu um novo risco digital no Brasil em 2026, mostra SerasaDe funcionário de carreira ao comando da holdingA trajetória de Portela dentro da instituição é um exemplo de ascensão profissional. Ele ingressou na Caixa em 1999, na cidade de Marília, interior de São Paulo, começando na linha de frente das agências. “Eu usava aquele casaquinho de ‘posso ajudar’ na frente da agência. Passei por todas as áreas, fui gerente, diretor e vice-presidente até receber o convite para liderar a Caixa Seguridade”, relembrou.Essa vivência no dia a dia bancário ajuda a entender as novas apostas da empresa para atrair o público jovem e os trabalhadores do setor privado. Um dos destaques é o seguro voltado ao crédito pessoal, que oferece proteção em caso de perda involuntária de emprego. “Se você perder o emprego, o seguro ajuda a pagar de três a seis parcelas da dívida”, destacou, reforçando que o foco agora é oferecer o produto certo no momento em que o cliente mais precisa.A eficiência operacional também tem sido impulsionada pela tecnologia. Atualmente, 85% do crédito oferecido ao trabalhador pela instituição já é feito de forma totalmente digital, sem que o cliente precise ir até uma agência física. A meta para este ano é levar essa facilidade também para o financiamento de imóveis, permitindo que todo o processo, incluindo o registro em cartório, seja realizado pelo celular ou computador.Além dos seguros tradicionais, o setor de consórcios vive um momento de forte expansão, superando a marca de R$ 50 bilhões em carteira dentro da empresa. Com os juros em patamares elevados, o consórcio tem se tornado uma alternativa mais barata para quem planeja comprar um carro ou uma segunda residência de forma organizada. “A operação gera continuidade. O cliente compra porque quer ser contemplado e nós entregamos o que ele espera”, pontuou o presidente.Leia tambémMercado de crédito está mais arriscado, mas há oportunidades, observa gestor da XPO mercado de crédito privado brasileiro está mais arriscado do que há alguns anos, mas isso não significa que o investidor deva fugir deleO futuro e o impacto social do setorA visão da companhia para os próximos anos é de otimismo, com projeções de crescimento entre 10% e 13% no crédito imobiliário ainda em 2026. Essa expansão deve manter os resultados em níveis elevados pelos próximos quatro ou cinco anos, segundo as estimativas da diretoria. Para os investidores, isso significa a manutenção de uma política rígida de distribuição de lucros, que costuma repassar grande parte do ganho líquido diretamente para o bolso dos acionistas.Para além dos números financeiros, Portela ressaltou o papel social do seguro, citando como exemplo o suporte dado às vítimas das recentes enchentes no Rio Grande do Sul. Em momentos de catástrofes climáticas, o seguro habitacional bem estruturado torna-se a única ferramenta capaz de ajudar o trabalhador a recuperar seu patrimônio. “É recompensador ver o quanto nosso suporte na crise foi importante para recuperar o único bem que muitas famílias conseguiram construir na vida”, afirmou.A estratégia de “empilhamento” de produtos também deve ganhar força. A ideia é que o cliente que financia uma casa leve também uma proteção para o que está dentro do imóvel, como móveis e eletrodomésticos, através de produtos com parcelas mais acessíveis. Atualmente, cerca de 30% das vendas de financiamento habitacional já saem acompanhadas desse seguro residencial acoplado.Com a digitalização avançada e o foco na centralidade do cliente, a Caixa Seguridade busca se consolidar não apenas como uma gigante dos números, mas como uma empresa presente na jornada de vida dos brasileiros. “O setor financeiro existe para transformar a vida das pessoas. Não há como tocar a economia real sem um apoio financeiro sólido e robusto”, concluiu Portela.The post Como a Caixa Seguridade entregou retorno quatro vezes maior que o Ibov desde o IPO? appeared first on InfoMoney.