Se existe uma tabela em que o Brasil já entra em campo na liderança é a dos juros. Mesmo após o corte da Selic para 14,25% ao ano, o país está no topo do ranking mundial de juros reais, com taxa de 9,67%, segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence. A Rússia aparece na segunda colocação, com 9,31%, seguida por Turquia (5,57%), México (5,10%) e África do Sul (3,74%).O levantamento foi divulgado após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Ainda assim, o Brasil manteve distância confortável dos demais países analisados e seguiu na liderança do ranking global.Segundo os economistas da MoneYou e da Lev Intelligence, o resultado reflete a combinação entre juros ainda elevados e expectativas de inflação para os próximos 12 meses. A metodologia utiliza as taxas de mercado com vencimento em um ano e as projeções inflacionárias mais recentes de cada país.O domínio brasileiro não se restringe aos juros reais. Em termos nominais, a Selic de 14,25% coloca o país na quarta posição entre as 40 maiores taxas de juros do mundo. Apenas Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14,5%) aparecem à frente.Para os autores do estudo, o cenário internacional tem contribuído para sustentar essa posição. As projeções de inflação foram revisadas para cima em diversas economias, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços globais. O movimento reduziu os juros reais em vários países e ampliou o número de taxas reais negativas ao redor do mundo.No balanço global, 72,56% dos 164 países monitorados mantiveram suas taxas de juros inalteradas, enquanto 21,34% promoveram altas e apenas 6,10% realizaram cortes. Entre os 40 países que compõem o ranking, 62,5% mantiveram os juros, 27,5% elevaram as taxas e 10% optaram por reduções.Copom reduz Selic, mas dá recado mistoAo anunciar o corte da Selic para 14,25%, o Copom indicou que o processo de flexibilização monetária segue condicionado ao comportamento da inflação e das expectativas para os próximos meses.O Banco Central avaliou que o longo período de juros elevados já produz efeitos sobre a atividade econômica e ressaltou que há sinais de desaceleração da demanda. Ainda assim, a autoridade monetária manteve tom cauteloso ao sinalizar os próximos passos da política monetária, reforçando o compromisso com a convergência da inflação para a meta.Rankingtable.tableizer-table {font-size: 12px;border: 1px solid #CCC;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;}.tableizer-table td {padding: 4px;margin: 3px;border: 1px solid #CCC;}.tableizer-table th {background-color: #104E8B;color: #FFF;font-weight: bold;}PosiçãoPaísJuro real 1 Brasil9,67%2 Rússia9,31%3 Turquia5,57%4 México5,10%5 África do Sul3,74%6 Indonésia3,31%7 Colômbia3,17%8 Hungria3,02%9 Polônia2,61%10 Chile2,43%