O autismo é classificado em três níveis de suporte, conforme estabelecido pelo DSM-5, manual diagnóstico publicado em 2013. A psiquiatra Daniela Bordini, coordenadora do Ambulatório de Cognição Social da Unifesp, explicou, em conversa com Dr. Roberto Kalil no programa CNN Sinais Vitais, como essa classificação funciona na prática e o que ela significa para os pacientes e suas famílias.Segundo Bordini, a lógica da classificação é diretamente proporcional à necessidade de suporte: quanto maior o número do nível, maior a dependência do indivíduo para realizar atividades cotidianas.“Quanto maior o número, maior a necessidade de suporte para a pessoa ter uma funcionalidade melhor nos aspectos de comunicação, de sociabilidade e das atividades de vida diária”, afirmou a especialista. Leia Mais Tabu sobre sexualidade de jovens autistas abre brecha para riscos à saúde O orgulho autista começa onde termina a comparação Como identificar o burnout? Especialistas respondem ao Dr. Kalil No nível 3, o mais severo, estão os indivíduos com alta dependência. Bordini descreveu que esses pacientes, em sua maioria, necessitam de suporte 24 horas, são não verbais e apresentam deficiência intelectual associada.Já no nível 1, o menos severo, o apoio necessário é mais discreto. “Esse apoio pode ser mais discreto — uma psicoterapia, um ajuste na escola menos intrusivo. A pessoa consegue ter uma funcionalidade um pouco mais preservada”, explicou a psiquiatra. O nível 2 representa os casos intermediários entre os dois extremos.Desafios dos adultos autistasA psicóloga Tatiana Mecca, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, abordou as dificuldades enfrentadas por adultos no espectro, destacando que os desafios são amplos e se manifestam em diferentes esferas da vida.Mesmo indivíduos sem deficiência intelectual associada — e até aqueles com nível cognitivo superior à média da população — enfrentam obstáculos significativos. “Vão ter desafios, especialmente em ambientes sociais mais complexos, não previsíveis, que saem da rotina, ambientes que muitas vezes sobrecarregam o sistema sensorial desses indivíduos”, afirmou Mecca.No mercado de trabalho, as dificuldades se estendem desde o processo seletivo até a manutenção do emprego, em razão de questões ligadas a habilidades comunicativas e padrões mais rígidos de pensamento e comportamento.Nos relacionamentos, Mecca destacou os desafios relacionados à reciprocidade socioemocional, incluindo a dificuldade de perceber as próprias emoções e comunicar desconfortos ao outro. “A gente vai ter desafios em diferentes níveis“, concluiu a psicóloga. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.