Os minerais críticos têm sido tratados como uma potencial “nova mina de ouro” para o Brasil. Apesar de ter a segunda maior reserva do mundo em terras raras (um dos recursos considerados como minerais críticos) e já apresentar expressão no mercado de cobre, o país teria uma janela de oportunidade aberta por não muito tempo, segundo análise do Itaú BBA de relatório da S&P Global. Para os analistas do banco, a alta dos minerais críticos pode durar menos de dois anos porque as políticas podem mudar de foco. Além disso, apesar de importantes para demonstração de capacidade, as minas seriam menos relevantes que a capacidade de processamento do material, algo que o Brasil ainda é considerado carente. A principal comparação é com a China, que tem liderança décadas à frente, além de ser detentora da maior reserva de terras raras do mundo. “A S&P Global destacou que os metais vêm sendo negociados mais como ações e ativos ligados à inteligência artificial do que como commodities físicas, refletindo um mercado cada vez mais guiado por fatores macroeconômicos e de posicionamento, em vez de apenas fundamentos”, afirma o BBA. Nesse sentido, os minerais críticos e estratégicos seriam menos influenciados por oferta e demanda, como é tradicional no mercado há décadas, para serem vulneráveis a movimentos geopolíticos, políticas industriais e posicionamento na cadeia de valor. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e volta a testar os 171 mil pontosBolsas dos EUA operam sem força em dia de decisão do Fed Na liderança do mercado, a China ainda expande sua capacidade de refino de forma periódica desde o início dos anos 1990 e investe fortemente em formação de especialistas em mineração e metais (cerca de 5.000 ao ano). Para fins de comparação, os Estados Unidos formariam aproximadamente 300 especialistas no setor por ano. A análise explica que outros países, como a Indonésia, tiveram sucesso em minerais específicos. Ainda assim, a amplitude da dominância chinesa, que se estrutura em indústrias completas que abrangem energia solar, baterias, veículos elétricos e componentes de energia eólica, permanece incomparável. Segundo a S&P, replicar esse ecossistema levaria 20 a 30 anos, mesmo com esforço coordenado do Ocidente.E o Brasil?No caso do Brasil, o diagnóstico é positivo do relatório, mas acompanhado de um senso de urgência. O país dispõe de vantagem geológica significativa em minerais críticos, porém enfrenta desafios estruturais que limitam a captura dessa oportunidade, cuja janela pode se restringir aos próximos 2 a 3 anos. Apesar da existência de instrumentos como BNDES, FINEP, CoInvest e capital privado, o acesso ao financiamento ainda é restrito, especialmente para empresas de médio e pequeno porte, e o crédito bancário é mais limitado em comparação internacional. Veja também:Campeã de terras raras fora da China tem operação no Brasil: como mercado vê ativos?O marco regulatório em discussão avança de forma ainda superficial, especialmente nos prazos de licenciamento. Para se posicionar de forma competitiva, o Brasil precisa acelerar investimentos e reformas em infraestrutura, regulação, financiamento e formação de mão de obra, sobretudo em um contexto global marcado pela concentração produtiva, como no caso das terras raras, amplamente dominadas pela China, que responde por cerca de 91% do refino e 94% da produção de ímãs permanentes, consolidando barreiras de entrada difíceis de replicar no curto e médio prazo.CobreA tese estrutural do cobre permanece sólida, impulsionada por fundamentos de longo prazo como a transição energética, a expansão das redes elétricas e o crescimento econômico global. No entanto, as dinâmicas de curto prazo se mostram mais complexas. O principal desequilíbrio da indústria concentra-se nos concentrados, e não nos produtos refinados, com um déficit que vem se ampliando desde o ano anterior e estoques em níveis historicamente baixos. Embora a crescente demanda de data centers tenha ganhado relevância no debate recente sobre preços, sua participação projetada é relativamente limitada — cerca de 2% a 3% da demanda total até 2040 —, sendo insuficiente, isoladamente, para explicar o comportamento estrutural do mercado.Do lado da oferta, o setor enfrenta restrições significativas que reforçam o cenário de aperto no mercado global. O tempo médio de desenvolvimento de novas minas, estimado em 17,8 anos, impõe um atraso estrutural na resposta à crescente demanda. Além disso, o investimento em mineração entre 2025 e 2027 deve ser aproximadamente cinco vezes menor do que os aportes destinados à inteligência artificial e aos hyperscalers, evidenciando uma competição desfavorável por capital. Nesse contexto, projeta-se que a demanda global por cobre cresça de 28,4 milhões para 42,3 milhões de toneladas entre 2025 e 2040, com um possível déficit de cerca de 10 milhões de toneladas, apesar do atual superávit no cobre refinado e dos riscos adicionais, como eventuais tarifas nos Estados Unidos.LítioNo mercado de lítio, observa-se uma mudança de regime: de um mercado orientado pela demanda para um ambiente altamente sensível à oferta. Após atingir cerca de US$ 80 mil por tonelada em 2022, os preços recuaram para US$ 10 mil em 2024, antes de se recuperarem em 2026 para aproximadamente US$ 24 mil por tonelada. A desaceleração na adoção de veículos elétricos foi parcialmente compensada pela expansão do armazenamento de energia e pelo crescimento dos data centers. Ainda assim, o equilíbrio permanece frágil, como demonstrado pela volatilidade: pequenas interrupções, como paralisações em minas no Zimbábue, são capazes de provocar variações de US$ 200 por tonelada em um único dia nos preços asiáticos. A expectativa é de déficit estrutural até 2030–2035, com a Argentina emergindo como novo polo relevante de produção, superando o Chile após a entrada em operação de novos projetos.The post Quanto tempo a “janela de oportunidade” em minerais críticos vai durar no Brasil? appeared first on InfoMoney.