Durante as décadas de 1980 e 1990, os consoles brasileiros tiveram um papel fundamental na popularização dos videogames no país. Em um período marcado por restrições à importação e pela ausência de fabricantes internacionais atuando oficialmente no mercado nacional, diversas empresas passaram a produzir versões inspiradas em aparelhos famosos, especialmente do Atari 2600 e do Nintendo Entertainment System (NES).Mais do que simples clones, muitas dessas versões apresentavam adaptações para o público brasileiro, recursos exclusivos e até soluções que não existiam nos modelos originais. Fabricantes como Gradiente, Dynacom, CCE, Dismac e Microdigital ajudaram a consolidar uma indústria local que marcou toda uma geração de jogadores. Hoje, esses aparelhos são lembrados com carinho por colecionadores e entusiastas da história dos games. Confira, a seguir, 10 consoles brasileiros que fizeram sucesso durante a era dos clones e deixaram sua marca no mercado nacional.🎮 Mega Drive: 10 jogos brasileiros esquecidos que chegaram ao console📲 Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursosVeja a lista completa com os 10 consoles brasileiros que marcaram a época da "Era dos Clones" dos videogames.Reprodução/XDA Developers➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews👉 Quais são os 10 melhores jogos na sua opinião? Opine no Fórum do TechTudoO que são consoles clones?Os consoles clones são videogames produzidos por empresas diferentes das fabricantes originais, mas que reproduzem o hardware e a compatibilidade de sistemas já existentes. No Brasil, eles ganharam enorme popularidade durante as décadas de 1980 e 1990 devido às restrições de importação e ao alto custo dos produtos oficiais. Dessa forma, companhias nacionais passaram a fabricar versões compatíveis com consoles como Atari 2600, NES e Master System, permitindo que mais pessoas tivessem acesso aos videogames.Embora muitos fossem vistos apenas como cópias, diversos clones brasileiros apresentavam características próprias. Alguns possuíam design exclusivo, entradas para diferentes tipos de cartucho e até recursos inéditos em relação aos modelos originais. Com o passar dos anos, esses aparelhos deixaram de ser apenas alternativas mais baratas e passaram a ser considerados parte importante da história da indústria de games no Brasil, despertando o interesse de colecionadores e pesquisadores.Ainda é possível ter um console clone?Sim. Atualmente, ainda é possível adquirir consoles clones tanto antigos quanto modernos. Os modelos clássicos lançados por empresas brasileiras podem ser encontrados em marketplaces, lojas especializadas em produtos retrô, feiras de colecionadores e grupos dedicados à preservação de videogames antigos. No entanto, consoles raros e em bom estado de conservação costumam alcançar preços elevados devido à sua importância histórica e à baixa disponibilidade no mercado.Além dos aparelhos originais da época, também existem clones modernos inspirados em sistemas clássicos. Algumas fabricantes produzem versões compatíveis com cartuchos antigos de Atari, NES e Mega Drive, enquanto outras apostam em consoles que já vêm com centenas de jogos instalados na memória. Embora esses dispositivos não tenham o mesmo valor histórico dos modelos brasileiros das décadas de 1980 e 1990, eles continuam cumprindo um papel semelhante: oferecer uma forma acessível de reviver jogos que marcaram gerações.10 consoles brasileiros que marcaram época na era dos clones:Phantom System (Gradiente) Dynavision III (Dynacom) Turbo Game / Top Game VG-9000 (CCE) Bit System (Dismac) Super Charger (IBTC) Dactar (Milmar) Supergame VG-2800 (CCE) VJ 9000 (Dismac) Onyx Júnior (Microdigital) Splice Vision (Splice)1. Phantom System (Gradiente)O Phantom System é, provavelmente, o clone de NES mais famoso já produzido no Brasil. Lançado pela Gradiente em 1989, o aparelho chamou atenção por sua aparência bastante diferente do Nintendo original. Sua carcaça reaproveitava o design do Atari 7800 americano, enquanto os controles seguiam o estilo visual que mais tarde ficaria popularizado pelo Mega Drive.Além do visual marcante, o console utilizava cartuchos de 72 pinos, compatíveis com o padrão americano do NES. O sucesso foi tão grande que o Phantom System se tornou uma das principais portas de entrada para os jogos da Nintendo no país antes da chegada oficial da empresa ao mercado brasileiro.O sucesso foi tão grande que a Gradiente chegou a lançar versões renomeadas de títulos famosos para comercialização, como Super Mario Bros, que ganhou o nome de "Super Irmãos" nas prateleiras brasileiras. Anos depois, a própria Gradiente formou a Playtronic em parceria com a Nintendo para fabricar o console oficial no Brasil, que naturalmente removeu o Phantom das prateleiras.Phantom System é considerado o clone mais semelhante do NESReprodução/coopermiti2. Dynavision III (Dynacom)O Dynavision III foi um dos consoles brasileiros mais populares da linha Dynavision e se destacou por oferecer uma solução bastante prática para os jogadores da época. Seu principal diferencial era o sistema Dual System, que permitia utilizar jogos dos padrões japonês e americano sem a necessidade de adaptadores externos. Para isso, o aparelho contava com duas entradas integradas ao hardware: uma compatível com os cartuchos de 60 pinos do Famicom e outra voltada para os modelos de 72 pinos utilizados no NES americano. Essa versatilidade ampliava as opções de jogos disponíveis no mercado nacional e facilitava o acesso a títulos encontrados em diferentes formatos. A combinação de praticidade e compatibilidade ajudou o Dynavision III a conquistar espaço entre os consumidores brasileiros, tornando-o um dos modelos mais lembrados da era dos clones.Dynavision 3 foi o ápice da marca mais duradoura entre consoles clones no BrasilReprodução/Sebo dos games3. Turbo Game / Top Game VG-9000 (CCE)A CCE foi uma das empresas que teve maior destaque durante a era dos clones no Brasil, lançando diversos consoles inspirados no Nintendo Entertainment System (NES). Entre os modelos mais conhecidos estão o Turbo Game e o Top Game VG-9000, que conquistaram espaço no mercado nacional ao oferecer compatibilidade com cartuchos dos padrões americano e japonês, ampliando a biblioteca de jogos disponível para os consumidores.Além da compatibilidade, os aparelhos chamavam atenção por algumas escolhas de design pouco convencionais. Os controles, por exemplo, possuíam o cabo conectado na parte inferior, enquanto os botões ficavam posicionados na região superior do acessório. A combinação de visual diferenciado e ampla compatibilidade ajudou a transformar os consoles da CCE em alguns dos clones mais lembrados pelos jogadores brasileiros da época.Top Game VG-9000 surpreendeu a comunidade com seu design inovador e incomum para a épocaReprodução/RT leilões e artes4. Bit System (Dismac)Enquanto muitas fabricantes brasileiras apostavam em designs próprios para seus clones do NES, a Dismac seguiu um caminho diferente com o Bit System. O videogame reproduzia de forma bastante fiel a aparência do Nintendo Entertainment System (NES) comercializado nos Estados Unidos, incluindo a tradicional tampa frontal utilizada para inserir os cartuchos.Além da semelhança visual, o modelo também se destacava pelo conjunto de acessórios. Algumas versões eram vendidas com uma pistola compatível com jogos de tiro, ampliando as possibilidades de uso do sistema. A combinação entre visual inspirado no console original e recursos extras ajudou o Bit System a se tornar um dos clones mais desejados pelos fãs do NES no Brasil.Bit System reproduz fielmente o estilo do NES americanoReprodução/Red Bull5. Super Charger (IBTC)O Super Charger se destacou por seguir uma abordagem diferente da maioria dos clones vendidos no Brasil. Em vez de reproduzir o visual do Nintendo Entertainment System (NES) americano, o console foi inspirado quase integralmente no Famicom, versão japonesa do videogame da Nintendo. O aparelho adotava as tradicionais cores branca e vermelha que marcaram o sistema no Japão.A influência do Famicom não se limitava à aparência. O Super Charger também utilizava cartuchos de 60 pinos, o mesmo padrão empregado pelo console japonês. Essa compatibilidade o transformou em uma alternativa interessante para jogadores que possuíam jogos importados ou buscavam acesso a uma biblioteca diferente daquela disponível nos clones baseados no NES americano. Graças à sua proposta distinta, o Super Charger conquistou espaço entre os consumidores brasileiros e se tornou um dos representantes mais conhecidos da geração de clones inspirados no Famicom.Super Charger reproduz fielmente o Famicon japonêsReprodução/Red Bull6. Dactar (Milmar)O Dactar, fabricado pela Milmar, foi um dos clones de Atari mais queridos do Brasil nos anos 1980. O console era comercializado dentro de uma elegante maleta de plástico, permitindo que o jogador transportasse o videogame com facilidade, algo bastante prático numa época em que levar o console para a casa de amigos era programa obrigatório nos fins de semana.Além do apelo portátil, o Dactar ficou marcado pela durabilidade de seus controles, notoriamente mais resistentes do que os de muitos concorrentes. A robustez do hardware era um argumento de venda importante em um mercado onde os joysticks frequentemente não sobreviviam a partidas acaloradas de jogos de ação.Dismac e Dactar apostaram em uma simulação do clássico AtariReprodução/Red Bull7. Supergame VG-2800 (CCE)O Supergame VG-2800 representou uma das primeiras grandes apostas da CCE no segmento de videogames. Inspirado diretamente no Atari 2600, o aparelho oferecia compatibilidade com uma enorme variedade de cartuchos disponíveis no mercado nacional. Apesar do sucesso comercial, o console também ficou conhecido por um problema recorrente. Seus joysticks analógicos apresentavam fragilidade acima da média e frequentemente quebravam durante partidas mais intensas, especialmente em jogos que exigiam movimentos rápidos e repetitivos, como Decathlon.O Supergame VG-2800 chegou como uma das portas de entrada da CCE no mercado de videogamesReprodução/Shopee8. VJ 9000 (Dismac)O VJ 9000 foi outro clone de Atari produzido pela Dismac que conseguiu conquistar espaço nas lojas brasileiras. O console possuía um acabamento considerado superior ao de muitos concorrentes, ajudando a reforçar sua imagem junto aos consumidores. A fabricante também ficou famosa por adaptar os nomes de alguns jogos vendidos no país. O clássico Freeway, por exemplo, recebeu o nome BR-101, enquanto Kaboom! virou TNT e Pitfall! passou a ser chamado de Pantanal. Essas mudanças se tornaram curiosidades memoráveis da história dos videogames nacionais.VJ 9000 foi o primeiro de uma série de consoles da Dismac inspirados no AtariReprodução/Bojogá9. Onyx Júnior (Microdigital)O Onyx Júnior é um dos consoles mais raros e cobiçados por colecionadores brasileiros atualmente. Fabricado pela Microdigital — a mesma empresa conhecida pelos microcomputadores TK — o console apresentava uma carcaça de tom verde-oliva, inspirada no Coleco Gemini, um clone americano do Atari 2600.Além do visual diferenciado, o Onyx Júnior surpreendia com uma funcionalidade que era verdadeira raridade no mercado de clones da época: um botão físico de Pause diretamente no console. Em um período em que pausar um jogo era privilégio de poucos aparelhos, esse detalhe tornava o Onyx Júnior tecnicamente superior a muitos de seus concorrentes.Onyx Júnior inovou com botão de pause direto no consoleReprodução/Red Bull10. Splice Vision (Splice)Lançado em 1983 pela empresa Splice, do interior de São Paulo, o Splice Vision é frequentemente citado entre os videogames mais raros produzidos no Brasil. O aparelho era um clone do ColecoVision, um dos principais concorrentes do Atari durante a segunda geração dos consoles. Além da raridade, o console chamava atenção pelos controles incomuns. O acessório seguia o padrão do ColecoVision original, combinando um direcional com um teclado numérico semelhante ao de um telefone. Hoje, unidades em bom estado são altamente valorizadas por colecionadores e entusiastas da história dos videogames.Splice Vision é considerado um produto raro pelo formato do controle e design inspirado no ColecoVision, concorrente do AtariReprodução/VGDBCom informações de Red Bull, CNN e retrogamerMais do TechTudoVeja também: Qual JOGO tem o MELHOR FILME ou SÉRIE? — TIERLIST DO TECHTUDOQual JOGO tem o MELHOR FILME ou SÉRIE? — TIERLIST DO TECHTUDO