Promessas de ganhos maiores no OnlyFans acabaram se transformando em denúncias de ameaças, controle e exploração. Uma investigação da BBC reuniu relatos de criadores de conteúdo que afirmam ter enfrentado problemas após contratar gestores de perfis conhecidos como OFMs.O caso ganhou repercussão após mulheres relatarem perda de controle sobre seus perfis, intimidações e dificuldades para encerrar contratos considerados abusivos.Criadoras afirmam ter enfrentado intimidações após tentar encerrar contratos com gestores de perfis. Imagem: Molly Blackbird/UnsplashPromessas de sucesso que viraram denúnciasPara muitos usuários da plataforma, os OFMs aparecem como uma oportunidade de crescimento rápido. A proposta costuma ser simples: os agentes prometem atrair mais assinantes e aumentar os ganhos em troca de uma fatia da receita obtida com a gestão dos perfis.Segundo a apuração da BBC, alguns desses profissionais são acusados de ultrapassar os limites da administração das contas. Rebecca, de 29 anos, conta que entrou para uma agência após receber promessas de crescimento financeiro e que, num primeiro momento, a experiência parecia positiva.Eles eram adoráveis no começo.Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, à BBC.Mas a mudança veio rápido. Em poucas semanas, segundo ela, a relação passou a ser marcada por críticas à sua aparência, tentativas de controlar sua rotina e ameaças após ela alterar os dados de acesso da própria conta.A BBC teve acesso a mensagens enviadas à criadora, incluindo uma ameaça direta:“Vou acabar com você e com sua filha.”Rebecca decidiu mudar a senha da conta e, segundo seu relato, passou a receber mensagens intimidatórias. Imagem: Lolostock/ShutterstockOs contratos que acenderam o alertaA investigação ouviu 60 profissionais que produzem conteúdo para o OnlyFans no Reino Unido e analisou documentos e conversas envolvendo agentes de gestão. Segundo especialistas consultados pela BBC, alguns contratos podem deixar esses trabalhadores em situação de extrema vulnerabilidade.Entre os problemas apontados estão:participação de até 70% dos ganhos para os gestores;acesso total às contas dos criadores;multas para quem tenta romper contratos;alteração de senhas e dados de acesso;pressão para produzir determinados conteúdos.Matt Jury, advogado especializado em direitos humanos, afirmou que alguns acordos podem criar uma situação semelhante a uma relação de dependência entre criadores e agentes.Parte dessas conversas ocorreu em grupos privados no Telegram analisados pela BBC. Neles, participantes trocavam estratégias para ampliar o controle sobre perfis e pagamentos, segundo a investigação.O que diz o OnlyFans sobre o casoO OnlyFans afirmou à BBC que leva a segurança dos usuários “extremamente a sério” e destacou que não possui relação direta com agências de gestão.Segundo a plataforma, a empresa investe em processos de verificação, monitoramento de contas e medidas de proteção para os usuários. A companhia também declarou que restringe acessos e abre investigações quando identifica possíveis irregularidades.Apesar disso, especialistas ouvidos pela BBC, como a comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido, Eleanor Lyons, defendem uma fiscalização mais rigorosa do setor. Para ela, os relatos apresentados reúnem sinais associados à exploração, como controle, coerção e pressão financeira.Hoje, Rebecca trabalha com uma agência administrada por mulheres e afirma se sentir mais segura. Ela pretende continuar atuando na plataforma enquanto planeja novos projetos para o futuro.O post Prometeram fortuna no OnlyFans, mas criadoras relatam ameaças e abusos apareceu primeiro em Olhar Digital.