O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17), durante reunião ampliada do G7 realizada na França, que o avanço da inteligência artificial exige mecanismos de governança capazes de reduzir riscos sociais e evitar o aprofundamento das desigualdades globais. Na avaliação do chefe do Executivo, o debate precisa envolver governos, organismos multilaterais e empresas do setor tecnológico.Ao abordar os desafios da transformação digital, Lula destacou a necessidade de estabelecer regras para o ambiente online e citou o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como exemplo de infraestrutura pública voltada à inclusão financeira e à eficiência tecnológica. O tema foi tratado durante um almoço de trabalho dedicado à inteligência artificial.As declarações ocorreram em meio ao debate internacional sobre o papel das plataformas digitais, a concentração de serviços tecnológicos e os impactos econômicos da digitalização, assuntos que integraram a agenda do encontro entre líderes mundiais.Presidente relaciona inteligência artificial a desafios sociais e econômicosLíderes do G7 discutem novas regras para proteger crianças em ambientes digitais e redes sociais. – Imagem: Bet_Noire/iStockDurante sua participação no encontro, Lula reconheceu que a inteligência artificial tem potencial para impulsionar setores como saúde, indústria, energia, produção de alimentos e serviços públicos. Ao mesmo tempo, argumentou que a expansão dessas tecnologias traz desafios que demandam coordenação internacional e atuação regulatória.Conforme relatado pelo presidente, a utilização inadequada de ferramentas digitais também favorece práticas consideradas prejudiciais à sociedade. Entre os exemplos mencionados estão a disseminação de discursos de ódio, a desinformação, a exploração sexual de crianças, a manipulação de imagens para fins pornográficos e a violência direcionada a mulheres e meninas.Ao defender maior atenção ao tema, o mandatário sustentou que a inteligência artificial corre o risco de ampliar disparidades já existentes caso não haja medidas deliberadas para democratizar seus benefícios. Segundo ele, uma parcela significativa dos países em desenvolvimento permanece inserida na economia digital principalmente como fornecedora de dados, consumidora de tecnologia e exportadora de insumos estratégicos.Lula também chamou a atenção para a concentração do mercado tecnológico global. De acordo com sua avaliação, grandes companhias do setor acumulam valor econômico comparável ao de importantes economias nacionais, enquanto bilhões de pessoas ainda não possuem acesso à internet.Ondas do roteador funcionam como um radar doméstico invisível – (Imagem gerada porinteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)No campo regulatório, o presidente afirmou que a participação das empresas de tecnologia é fundamental para a construção de um ambiente digital mais seguro. Em sua fala, defendeu a criação de mecanismos voltados à proteção de direitos fundamentais e à redução dos impactos negativos associados às plataformas online.Ao tratar da segurança de crianças e adolescentes, o chefe do Executivo destacou medidas adotadas pelo Brasil para ampliar a proteção desse público no ambiente virtual. Conforme declarou, a legislação recente busca restringir práticas consideradas nocivas e impedir a obtenção de receitas a partir de conteúdos que coloquem menores em situação de vulnerabilidade.O presidente ainda utilizou o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como exemplo de infraestrutura digital pública. Em referência à ferramenta, afirmou: “Uma de nossas maiores entregas para o cidadão brasileiro, um sistema de pagamento público e gratuito que serve como referência de como dados integrados podem promover inclusão financeira e eficiência digital.”A menção ao mecanismo financeiro ocorre em um contexto de divergências entre Brasil e Estados Unidos. Conforme destacado nos relatos sobre o encontro, o sistema foi citado por autoridades norte-americanas em discussões relacionadas ao ambiente regulatório e comercial brasileiro.Ao encerrar sua participação, Lula voltou a defender que as discussões sobre inteligência artificial sejam conduzidas em instâncias multilaterais. Na visão do presidente, organismos internacionais possuem papel relevante na construção de regras globais capazes de equilibrar inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e proteção de direitos.O post Lula defende regulação digital no G7 e apresenta Pix como modelo de inclusão financeira apareceu primeiro em Olhar Digital.