JPMorgan vê mercado exagerando no Fed: alta de juros só em 2027?

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JPMorgan vê mercado exagerando no Fed: alta de juros só em 2027?O Fed entrou em uma nova fase sob o comando de Kevin Warsh, mas isso não deve significar uma virada rápida na política monetária dos Estados Unidos. Segundo análise do JPMorgan Global Research, o banco central americano deve manter os juros inalterados pelo restante de 2026, mesmo em meio a uma inflação mais pressionada e a um mercado de trabalho ainda robusto.A leitura do JPMorgan chama atenção porque contrasta com a precificação mais recente do mercado, que passou a considerar com mais força a possibilidade de alta de juros ainda em 2026. Para a instituição, no entanto, o mercado pode ter exagerado na direção mais dura depois do payroll forte de maio.Novo comando, velha pressãoKevin Warsh assumiu o Fed com ambições de promover uma mudança de regime na instituição. Entre as ideias já defendidas por ele estão o fim do forward guidance, mecanismo pelo qual o banco central sinaliza ao mercado seus próximos passos, e a redução do balanço do Fed.Mas, na avaliação do JPMorgan, Warsh não deve ter caminho livre. A instituição destaca que o novo presidente é apenas um dos 12 votos no Comitê Federal de Mercado Aberto, o FOMC, e precisará construir consenso em um colegiado dividido.“O mercado de trabalho continua robusto”, aponta o relatório, ao citar que a postura mais dovish de Warsh esbarra em uma economia americana ainda resistente e em uma inflação em aceleração.Fed deve segurar juros em 2026, diz JPMorganApesar da pressão inflacionária, o cenário-base do JPMorgan é que o Fed permaneça parado durante o restante de 2026. A primeira alta de juros, de 0,25 ponto percentual, é esperada apenas para setembro de 2027.Michael Feroli, economista-chefe para os Estados Unidos no JPMorgan, avalia que o relatório forte de emprego de maio elevou as apostas do mercado em altas de juros, mas que a reação pode ter sido excessiva.“Os outros membros do FOMC provavelmente atuarão como um freio a qualquer mudança rápida na política monetária sob Warsh”, afirma Feroli.Segundo o economista, Warsh pode se tornar uma voz mais dovish dentro do comitê e deve encontrar alguns aliados, mas o processo para formar consenso em torno de uma alta de juros tende a ser gradual.O que muda para o investidor?Para investidores, o ponto central é que a chegada de Warsh ao comando do Fed pode mudar o tom da comunicação, mas não necessariamente a trajetória imediata dos juros. O JPMorgan avalia que propostas como alterar o dot plot ou o relatório trimestral de projeções econômicas exigiriam votação do comitê.A redução do balanço do Fed também pode voltar ao debate, mas não deve ser um tema decisivo no curto prazo. Feroli afirma que muitos integrantes do comitê podem aceitar reavaliar o assunto, mas que um processo de estudo e discussão levaria pelo menos alguns meses.Com isso, o Fed deve seguir no centro das atenções não apenas pela decisão sobre juros, mas também pela forma como Warsh tentará conduzir um comitê dividido entre inflação persistente, mercado de trabalho forte e pressões para mudar a comunicação da autoridade monetária.