A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira (16), manter as prisões preventivas do empresário Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Moura Vorcaro, respectivamente primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento foi retomado após o ministro Gilmar Mendes devolver os processos para análise do colegiado.Os magistrados referendaram as decisões anteriores do relator, ministro André Mendonça, que já haviam recebido o apoio antecipado do ministro Luiz Fux. Com a devolução do pedido de vista de Gilmar Mendes, a Corte confirmou a necessidade de manutenção da custódia cautelar dos investigados, detidos no âmbito da Operação Compliance Zero.A investigação da Polícia Federal (PF) apura fraudes no Banco Master, liquidado pelo Banco Central no final do ano passado. Felipe Vorcaro, preso em 7 de maio, é apontado pelos investigadores como peça central do núcleo financeiro-operacional do grupo. Já Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio, sob suspeita de integrar o chamado “núcleo violento” da organização e atuar como operador financeiro.Em seu voto no dia 23 de maio, o ministro André Mendonça argumentou que há “fortes indícios” de que os envolvidos integram uma estrutura complexa voltada para a prática de crimes com grave repercussão social. Segundo o relator, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal, uma vez que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos.Mendonça também destacou, com base em parecer do Ministério Público Federal (MPF), que Felipe Vorcaro exercia um papel significativo em transações ilícitas, especialmente em esquemas de lavagem de dinheiro.A Segunda Turma do STF é composta pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Dias Toffoli. No entanto, o ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito para julgar casos relacionados ao Banco Master e seus desdobramentos, após ter relatado a investigação até fevereiro deste ano.