Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra iniciada há mais de três meses, anunciaram neste domingo (14) o presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações.O entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo, o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos e a interrupção permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O acordo deve ser formalmente assinado na próxima sexta-feira (19), na Suíça.“O acordo com a República do Irã está completo agora. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, completou.O acordoOs detalhes completos do acordo ainda não foram divulgados. Segundo Sharif, o pacto estabelece o “fim imediato e permanente das operações militares” e abre caminho para novas negociações sobre questões pendentes entre os dois países.Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que o texto prevê a extensão do cessar-fogo e um período adicional de 60 dias de negociações para tratar do programa nuclear iraniano. Segundo uma autoridade iraniana, uma das propostas em discussão inclui a liberação de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior.O futuro do programa nuclear iraniano permanece como um dos principais pontos em aberto. Autoridades americanas afirmam que o objetivo final continua sendo o desmantelamento das capacidades nucleares de Teerã. Já o Irã sustenta que seu programa tem fins pacíficos e defende a manutenção de atividades nucleares civis sob um acordo definitivo.Trump sob pressãoO conflito começou após ataques realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Desde então, milhares de pessoas morreram, principalmente no Irã e no Líbano. Em resposta às ações militares, Teerã lançou ataques contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases norte-americanas, além de restringir a navegação no Estreito de Ormuz, provocando alta nos preços globais da energia.O acordo ocorre em um momento de crescente pressão política sobre Trump. Pesquisas de opinião mostram insatisfação dos eleitores norte-americanos com a alta dos preços dos combustíveis às vésperas das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso.* Com informações da Reuters