Representante linha-dura no Irã reage contra possível acordo com os EUA

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Setores conservadores do Irã estão reagindo contra alguns pontos do acordo relatado entre o país e os Estados Unidos.O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que um memorando seria assinado hoje — data de seu 80º aniversário. No entanto, não houve confirmação por parte de Teerã de que um texto final tenha sido acordado.Um dos principais representantes da linha-dura iraniana, Mahmoud Nabavian, afirmou que, se o Irã assinar o acordo, “nos tornaremos efetivamente uma colônia dos Estados Unidos”. Segundo ele, o entendimento significaria abrir o estratégico Estreito de Ormuz “até mesmo para Israel”. Leia Mais Irã reage a exigências de Trump e acusa EUA de minar negociações Veja três obstáculos para um acordo de paz entre EUA e Irã Irã diz que declaração conjunta com Omã sobre Ormuz será divulgada em breve “Se quisermos realizar até mesmo a menor quantidade de enriquecimento de urânio, primeiro teríamos de obter autorização dos Estados Unidos — inclusive para fins como produzir medicamentos ou eletricidade”, acrescentou Nabavian.Ele também afirmou que não está claro quando o Irã se beneficiaria da liberação de seus ativos congelados no exterior ou do alívio das sanções.“Quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós”, disse Nabavian em entrevista à televisão.O texto do acordo ainda não foi divulgado oficialmente.Diversos veículos de comunicação iranianos também alertaram contra divisões internas.O jornal Javan, considerado próximo à IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), afirmou que alguns oradores em manifestações públicas estariam ignorando orientações do líder supremo, Mojtaba Khamenei, e “agindo para semear cisma e divisão entre a população”.Participantes de um ato em Teerã no sábado pediram a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo vídeos divulgados nas redes sociais.Os manifestantes também relembraram o assassinato, no início do conflito em fevereiro, do pai de Khamenei — o então líder supremo — entoando o slogan:“Ghalibaf, Araghchi — e o sangue do meu líder?”Já Ali Rabiei, aliado do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, rebateu as críticas neste domingo e alertou contra a criação de “narrativas artificiais”.Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?