O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a decisão do esperado corte de 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17). Mais uma vez, mesmo com o ajuste já precificado, a comunicação e a possibilidade de novos cortes no segundo semestre devem ser foco do mercado nesta quinta-feira, segundo analistas. O comunicado do ressalta que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual”, indicando um ambiente macroeconômico marcado por elevada incerteza e múltiplos vetores de pressão sobre os preços. Leia tambémBC corta Selic em 0,25 ponto, a 14,25% ao ano, e deixa em aberto próximos passosFoi a terceira queda seguida da taxa e a decisão foi unânimeNo campo altista, o documento destaca, entre outros fatores, “uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado”, sobretudo quando horizontes mais longos passam a incorporar efeitos de segunda ordem de choques de oferta, como aqueles relacionados ao petróleo e às condições climáticas. Por outro lado, o Copom também elenca fatores que podem contribuir para um cenário desinflacionário, evidenciando o balanço assimétrico de riscos. Entre eles, destaca-se “uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada”, com impactos diretos sobre a dinâmica de preços. No âmbito externo, o comunicado aponta para “uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza”, além de mencionar “uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”. Para Pedro Galdi, analista do AGF, o posicionamento somado à atual conjuntura econômica indica que o Copom devem manter a Selic estável até o fim deste ano. Novas discussões sobre cortes ou até altas ficariam para o próximo ano, em sua visão. O que esperar para a Bolsa e dólar?Como a decisão já era amplamente esperada e os riscos apresentados no comunicado também são conhecidos do mercado, a expectativa de alguns analistas é que a reação na Bolsa seja neutra. O economista Carlos Lopes, do Banco BV, sugere que a bolsa brasileira deve acompanhar as tendências internacionais. Mesmo com sugestão de juros menores no curto prazo, a ausência de sinalização explicita de pausa e a a manutenção de pressão na curva de juros mais longa deve equilibrar tendências e deixar o Ibovespa no zero a zero, segundo Lopes. Para Alexandre Pletes, head de Renda Variável da Faz Capital, a decisão do Copom ocorreu em um contexto de maior tensão nos mercados após o posicionamento do Federal Reserve, que manteve os juros, mas sinalizou postura mais dura. “A decisão do Copom veio logo após o anúncio do Federal Reserve, que manteve os juros, mas adotou um tom mais duro ao indicar que ainda não descarta uma alta neste ano e que a inflação pode permanecer elevada por mais tempo”, afirma. Esse ambiente contribuiu diretamente para a elevação da aversão ao risco global, com pressão sobre a Bolsa, o dólar e as bolsas americanas. Ainda assim, segundo o especialista, a decisão do Banco Central brasileiro reforça uma visão mais construtiva para o cenário doméstico, desde que a inflação continue convergindo para a meta.No mesmo sentido, Valdir Piran Jr, CEO da Intra Asset, considera que a decisão pode melhorar o humor do mercado e destravar parte de decisões de investimento. Ele pondera, no entanto, que empresas e investidores devem manter seletividade porque os fatores domésticos que condicionam os passos futuros do Copom seguem mantidos. A ressalva acontece mesmo considerando redução de tensões no Oriente Médio, que deve acontecer nos próximos dias com avanço do acordo entre EUA-Irã. “O impacto positivo sobre crédito e consumo existe, mas é modesto. O foco do mercado agora passa a ser a reunião de agosto e o nível terminal da Selic em 2026”, considera Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.E o dólar?Segundo Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, dólar ainda se vê pressionado, uma vez que a manutenção dos juros pelo Fed limita o espaço do Copom e o investidor global se mantém mais conservador. A avaliação de Daniele Bresolin Zuchetto, Consultora de Investimentos da Unicred Porto Alegre, sugere um cenário mais equilibrado para o mercado de câmbio, em contraste com movimentos mais intensos observados em outros ativos. Segundo a especialista, a manutenção dos juros nos Estados Unidos até pode contribuir para evitar pressões adicionais sobre economias emergentes, incluindo o Brasil, ao reduzir o incentivo imediato à migração de capitais para ativos americanos. Esse fator tende a suavizar a volatilidade no câmbio, impedindo movimentos mais abruptos de desvalorização do real no curto prazo.Por outro lado, a redução da taxa Selic no Brasil introduz um elemento de atenção relevante para os investidores. A diminuição do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos reduz parte da atratividade do real em estratégias de carry trade, que dependem justamente desse diferencial para gerar retorno. Com isso, a moeda brasileira pode perder parte do fluxo de capital estrangeiro, o que tende a limitar sua valorização e criar espaço para um comportamento mais pressionado do câmbio, ainda que de forma moderada.Diante desse conjunto de fatores, o cenário mais provável delineado pela especialista aponta para estabilidade ou leve valorização do dólar frente ao real. Ao mesmo tempo, há uma leitura mais construtiva para outros ativos domésticos, especialmente se o Copom indicar continuidade no ciclo de cortes graduais da taxa básica de juros ao longo do segundo semestre. Nesse contexto, a combinação de política monetária doméstica mais estimulativa e ausência de choques externos relevantes pode favorecer o desempenho da economia e sustentar uma recuperação dos mercados locais, mesmo em um ambiente de câmbio relativamente estável.The post Como o mercado vai encarar a decisão do Copom nesta quinta-feira? appeared first on InfoMoney.