O sonho de ter o próprio negócio tem sido alvo de criminosos que se aproveitam da falta de informação para aplicar golpes em Microempreendedores Individuais (MEIs) em todo o país. Com abordagens que simulam comunicações oficiais da Receita Federal, de cartórios ou do próprio Sebrae, golpistas enviam falsas cobranças e ameaçam o cancelamento do CNPJ das vítimas para forçar pagamentos rápidos. O Sebrae reforça o alerta sobre as principais fraudes que têm sido identificadas e ensina como o empreendedor pode se blindar contra essas armadilhas.A proliferação de canais digitais facilitou o contato com os empreendedores, mas também abriu espaço para a atuação de criminosos que utilizam a pressão psicológica, senso de urgência e termos jurídicos complexos para assustar suas vítimas. Ao receber uma mensagem informando que sua empresa está “irregular” ou prestes a ser “protestada”, o microempreendedor muitas vezes realiza o pagamento sem checar a veracidade da cobrança.Os golpes mais comuns que miram o MEIDenúncias reunidas pelo Sebrae apontam que os golpistas costumam variar as abordagens, mas utilizam três táticas principais:1. Falso boleto de associação comercial ou sindicatoO empreendedor recebe uma correspondência física ou e-mail com uma cobrança, geralmente de valor baixo (entre R$ 50 e R$ 150), com nomes que simulam entidades oficiais, como “Associação Comercial do Brasil” ou “União de Microempreendedores”. O Sebrae esclarece que nenhuma filiação a sindicato ou associação é obrigatória para o MEI.2. Ameaça de protesto em cartório e guia DAS clonadaMensagens via SMS, WhatsApp ou e-mail alertam sobre uma suposta “notificação extrajudicial” ou “dívida ativa”. Junto à mensagem, é enviado um link para pagamento via Pix ou boleto. Muitas vezes, esses links direcionam para sites falsos que imitam o visual do Portal do Empreendedor e emitem uma guia DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) clonada. Importante: a Receita Federal e o Sebrae não enviam cobranças ou guias por canais de mensagem.3. Cobrança por formalização ou alteração de cadastroMuitos empreendedores caem em golpes quando estão buscando formalizar o negócio. Ao consultarem em sites de busca por “abrir MEI”, clicam em anúncios patrocinados que parecem páginas do governo, mas pertencem a empresas privadas que cobram taxas para realizar o cadastro. A abertura, a alteração de dados e a baixa do MEI são processos 100% gratuitos quando realizados diretamente pelo portal do governo.O único pagamento obrigatório do MEIO Sebrae reforça que o microempreendedor individual tem apenas uma obrigação financeira mensal: o pagamento do imposto DAS-MEI. Este valor é fixo e varia de acordo com a atividade (comércio, indústria ou serviços). A guia do DAS deve ser emitida pelo próprio empreendedor diretamente nos canais oficiais, como o app Sebrae, nunca por meio de boletos enviados por terceiros.Checklist de segurança do MEI: evite cair em ciladasPara não se tornar mais uma vítima na estatística, adote as seguintes práticas de segurança no dia a dia do seu negócio:Desconfie da urgência: Golpistas sempre exigem pressa (“pague hoje para não ter o CNPJ cancelado”). Órgãos oficiais dão prazos amplos de defesa.Atenção ao endereço do site (URL): Portais do governo federal sempre terminam com a extensão .gov.br (como em gov.br/mei). Desconfie de finais como .com, .org ou .net.Confira o beneficiário antes de pagar: Ao ler o código de barras de um boleto ou a chave Pix, verifique quem receberá o dinheiro. O destinatário final das obrigações fiscais deve ser a Secretaria da Receita Federal do Brasil ou o Simples Nacional, nunca o nome de uma pessoa física ou de uma empresa terceirizada desconhecida.Ignore links em mensagens: Não clique em links recebidos por WhatsApp, SMS ou e-mails de remetentes desconhecidos.Onde buscar ajuda e denunciarSe você recebeu uma cobrança duvidosa ou tem dúvidas sobre a regularidade do seu CNPJ, procure o Sebrae antes de realizar qualquer pagamento. O atendimento é totalmente gratuito e pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp 0800 570 0800, pelo portal sebrae.com.br ou presencialmente em uma das centenas de agências de atendimento do país.O portal oficial para qualquer transação do microempreendedor é o gov.br/mei.