Que fim levou o videocassete, aparelho que reinou na era das locadoras?

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Uma campanha lançada recentemente pelo Arquivo Nacional chamou a atenção dos fãs de tecnologias antigas. A instituição tenta arrecadar aparelhos de videocassete, que se tornaram raridade no século XXI, para digitalizar um acervo de aproximadamente 10 mil fitas VHS.O objetivo é preservar registros audiovisuais históricos somente disponíveis em formato analógico e por isso dependem do clássico aparelho. O procedimento inclui, ainda, uma placa de captura de vídeo para a gravação do conteúdo em tempo real no formato digital.Ao final, a gravação poderá ser disponibilizada via streaming, facilitando o acesso aos vídeos. A campanha, que até o momento arrecadou cerca de 30 dispositivos para o Arquivo Nacional, também gerou curiosidade nas pessoas que não chegaram a usar o videocassete.Inspirado na iniciativa, o TecMundo relembra, agora, que fim levou o eletroeletrônico que revolucionou o entretenimento doméstico. Ele desapareceu gradualmente por uma série de fatores, mas ainda é utilizado por colecionadores e entusiastas de tecnologia retrô.O que é e como funciona um videocassete?Bastante popular nas décadas de 1980 e 1990, o aparelho tem como função primária a reprodução de vídeos gravados em fitas magnéticas. Para tanto, utiliza um sistema mecânico capaz de ler o conteúdo e transformá-lo em sinais de áudio e vídeo transmitidos para a TV.Também chamado de Video Cassette Recorder (VCR), o equipamento foi, durante muito tempo, a central de entretenimento das famílias. Era por meio dele que as pessoas viam filmes em casa antes do DVD, Blu-ray e streaming, alugando as fitas nas antigas locadoras ou comprando em lojas de departamento ou comércios especializados.O videocassete reproduz vídeos gravados em fitas VHS. (Imagem: KLH49/Getty Images)O antecessor do DVD player também era usado para reproduzir as gravações caseiras feitas em filmadoras analógicas. Festas de aniversário, viagens, passeios, Natal e outras datas especiais eram registradas nas câmeras antigas e a família se reunia para ver as gravações usando o videocassete.VHS x BetamaxVideo Home System (VHS) é o formato de fita magnética analógica que ajudou a popularizar os videocassetes, dominando o mercado entre os anos de 1980 a 2000. Apesar da prevalência, não foi o pioneiro do segmento.Um dos primeiros formatos de videocassete a usar fitas, o U-matic da Sony surgiu em 1971 e era dedicado ao uso profissional. A marca japonesa também foi responsável por lançar o Betamax, quatro anos depois, como uma versão doméstica.Derivado do U-matic, o Betamax oferecia imagem e áudio superiores, mas seu domínio durou pouco. Em 1976, a também japonesa JVC lançou o VHS, que perdia em qualidade visual e de som, mas apresentava capacidade de armazenamento superior para conteúdos longos.Além disso, a JVC tinha uma política de licenciamento acessível, contribuindo para a expansão da tecnologia e equipamentos mais baratos. Por esses dois motivos, o VHS venceu a guerra dos formatos contra o Betamax.Gravações, sintonia de canais e outras funçõesA reprodução das fitas VHS era apenas uma das funcionalidades disponíveis. Eles também eram capazes de gravar programas para assistir depois, um dos recursos mais revolucionários da época.Era possível programar a gravação para os momentos em que não havia ninguém em casa, deixando a fita no aparelho. E se estivesse acompanhando o procedimento, o usuário podia pausar o gravador nos intervalos comerciais ou trechos indesejados.Muitas gravações de programas de TV antigos e de eventos esportivos de décadas passadas que circulam nas redes sociais, atualmente, foram feitas em videocassetes e digitalizadas.O videocassete se conecta à TV por meio de um cabo RCA. (Imagem: Marco_Piunti/Getty Images)Outras funções eram gravação com duração pré-definida (OTR), modos SP, SLP e EP para até 6 horas de vídeo em uma fita, busca automática por cenas e edições básicas. Reprodução quadro a quadro, câmera lenta, redução de ruído e picture-in-picture também estavam disponíveis em modelos mais caros.Grande parte dos aparelhos também vinha com um sintonizador de TV embutido para receber os sinais de canais via antena e cabo.Videocassete no BrasilO aparelho chegou ao mercado nacional no início da década de 1980 importado dos Estados Unidos e usando o padrão NTSC, com vídeos em preto e branco. Opções adaptadas ao padrão PAL-M foram importadas pela Sony, em seguida, mas ainda no formato Betamax.Já o primeiro videocassete fabricado no Brasil foi feito pela Sharp em 1982 com o formato VHS. Nos anos seguintes, marcas como Philco, Sony, Panasonic e Gradiente, entre outras, abasteceram o mercado com inúmeros modelos, aproveitando a expansão das videolocadoras.Presentes em quase todas as cidades, elas ofereciam acesso a lançamentos, filmes clássicos, animações, documentários e shows, com grande movimento a partir das sextas-feiras. Muitas alugavam jogos de videogame.Os modelos do tipo combo TV + Videocassete também ganharam destaque no Brasil, reunindo os dois aparelhos em um só dispositivo. Essas versões foram comercializadas entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000.A evolução para novos formatosO videocassete começou o declínio na segunda metade da década de 1990, com a introdução do DVD. O novo formato oferecia melhorias consideráveis de imagem e som, menus interativos e outros diferenciais.Em 2002, veio o Blu-ray, ainda mais avançado e com imagens de altíssima definição e discos com capacidade de armazenamento maior. Perto do final daquela década, as fitas VHS já tinham praticamente desaparecido das locadoras e lojas.Logo após, aconteceu a ascensão dos dispositivos móveis e do streaming, modificando completamente o consumo de conteúdos, que ficaram acessíveis em qualquer lugar. Isso decretou o fim do videocassete e das locadoras, afetando também o DVD e o Blu-ray, mais tarde.A última grande distribuidora de fitas VHS dos EUA abandonou o formato em 2008. Já a japonesa Funai Electric foi a última grande fabricante de aparelhos de videocassete a suspender a produção, em julho de 2016, marcando o fim de uma era.Ainda é possível comprar videocassete em 2026?Com a fabricação dos aparelhos de VHS encerrada há uma década, encontrar um videocassete em bom funcionamento à venda pode ser complicado. É necessário recorrer às plataformas online como Mercado Livre, OLX e Enjoei, entre outras.Os modelos de duas, quatro, seis e sete cabeças também podem ser encontrados em lojas de usados, brechós e estabelecimentos destinados a raridades e colecionadores. Em uma pesquisa rápida nos marketplaces, a reportagem encontrou preços que chegam a mais de R$ 3,3 mil.Se você tem muitas fitas VHS guardadas, encontrar um videocassete para reproduzi-las pode não ser fácil. (Imagem: Ana Stankovic/Getty Images)Mas é importante verificar o estado de conservação do equipamento, devido à dificuldade de reposição de peças, e se possível testá-lo antes de fazer negócio.E você, chegou a usar um videocassete e frequentar locadoras? Ainda guarda o aparelho? Conta pra gente, comentando nos perfis do TecMundo no Instagram e no Facebook.