Acordo provisório: Entenda o que ainda falta ser resolvido entre EUA x Irã

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O cessar-fogo entre Israel e o grupo libanês Hezbollah, que entrou em vigor recentemente, somou-se ao acordo provisório assinado entre Estados Unidos e Irã nesta semana, elevando as expectativas pelo fim definitivo das hostilidades no Oriente Médio.No entanto, questões fundamentais ainda precisam ser resolvidas nos próximos 60 dias para que um entendimento duradouro seja alcançado. Ao Live CNN de sexta-feira (19), o editor de Internacional Diego Pavão analisou os principais pontos em aberto entre as partes.“Existe na diplomacia uma frase antiga que é ‘a diplomacia é a arte do possível‘. Esse acordo reflete exatamente isso. Foram negociações extremamente difíceis,em que os dois lados tiveram que ceder. Foi literalmente o que deu para fazer”, destacou Pavão. Ele ressaltou que o resultado deixou algumas “pontas soltas“ que precisam ser endereçadas. Leia Mais EUA x Irã: Acordo garante fim imediato e permanente da guerra Líbano, Ormuz e questão nuclear: saiba o que o Irã diz sobre acordo com EUA Governistas e oposicionistas criticam acordo com Irã nos EUA e em Israel Um dos pontos centrais do acordo provisório é o acesso do Irã a um fundo de financiamento de US$ 300 bilhões, destinado à reconstrução e ao desenvolvimento da economia iraniana, severamente afetada por sanções e pelo conflito.Pavão explicou que, contudo, esse mecanismo apresenta uma complicação significativa: “Os Estados Unidos nunca aprovariam um centavo que seja para enviar de ajuda aos iranianos. Os EUA consideram o Irã um estado patrocinador do terrorismo, e isso não vai mudar agora”, observou Pavão.A interpretação predominante é que esse dinheiro viria de países do Golfo, principalmente Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Para essas nações, bancar o financiamento representaria a compra de estabilidade regional, garantindo que conflitos não perturbem exportações de petróleo, instalações energéticas ou o setor de turismo.Urânio enriquecidoEntre os especialistas, a questão do urânio enriquecido é considerada a mais complexa e a mais propensa a provocar um retrocesso nas negociações. O acordo estabelece que o Irã se compromete a não desenvolver uma arma nuclear, mas não especifica os caminhos concretos para se chegar a esse objetivo.O transporte do urânio enriquecido para fora do país exigiria contêineres blindados, uma rota marítima segura e ausência de riscos de segurança.“Existe a questão também se o Irã vai querer que esse urânio saia do país. O Irã já disse uma vez que não gostaria que esse urânio saísse”, afirmou Pavão.Diante da impossibilidade de resolver a questão de forma prática no momento, os dois países optaram por adiar a discussão por mais 60 dias, ainda que o Irã tenha reafirmado o compromisso de não possuir armamento nuclear.Sanções e fiscalizaçãoOutro ponto que permanece vago no acordo é o fim das sanções impostas ao Irã. “Não existe uma linha do tempo sobre como e quando essas sanções seriam aliviadas”, destacou Pavão.O tema é de grande interesse iraniano, pois o fim das sanções permitiria que empresas de diversas partes do mundo voltassem a investir no país, injetando bilhões de dólares na economia local.Por fim, a questão da fiscalização é apontada como indispensável para que qualquer acordo tenha efetividade. Sem um organismo que verifique o cumprimento dos termos, especialmente na área nuclear, os compromissos assumidos perdem sustentação.O papel da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão vinculado à ONU, seria fundamental nesse processo. No entanto, o Irã já demonstrou forte resistência a inspeções no passado, o que torna esse ponto um dos mais delicados para as próximas rodadas de negociação. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.