De retoques a imagens criativas: saiba como editar fotos com IA no celular

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A edição de imagens, antes restrita a profissionais com domínio de softwares complexos, agora está bem mais democrática. Com o avanço da IA (inteligência artificial) integrada aos smartphones, corrigir imperfeições, remover elementos indesejados de uma paisagem ou até mesmo gerar cenários irreais tornou-se uma tarefa executada com poucos toques. No entanto, a capacidade de reconstrução visual traz novos desafios estéticos, éticos e de segurança de dados.Para compreender o impacto e os limites da tecnologia na edição de imagens, a CNN Brasil entrevistou Dhiego Soares, presidente da Global Tech. O especialista traça um panorama sobre como os celulares se tornaram poderosas ferramentas no processo de alterar e criar imagens. Leia mais Quais são os erros que destroem o cabo do seu celular? Gemini ganha recursos exclusivos para a Copa do Mundo; entenda Instagram tira Mapa de Amigos do ar: "disponibilizado por acidente" “A principal mudança foi que a edição deixou de depender tanto de conhecimento técnico. “Hoje, o usuário toca na área, circula um objeto ou simplesmente descreve o que quer alterar, e a IA faz boa parte do trabalho”, afirma.O fim da complexidade técnicaA eficácia das novas ferramentas está na capacidade de leitura de contexto. A inteligência artificial não se limita a clonar os pixels; ela analisa sombras, reflexos, textura, profundidade e perspetiva para prever o que deveria ocupar um espaço vazio. “Se a pessoa remove um poste em uma paisagem, por exemplo, a ferramenta precisa reconstruir céu, calçada, parede, grama ou qualquer outro elemento que tenha sido coberto”, detalha Dhiego.Para o uso cotidiano, as funções mais procuradas resolvem frustrações comuns: melhorar fotografias tremidas, reduzir o ruído visual em ambientes noturnos e identificar automaticamente rostos, roupas e fundos para ajustes precisos. O avanço mais recente e disruptivo é a edição por comando de texto: já é possível ordenar ao sistema que “remova as pessoas no fundo”, aproximando o processo de edição de uma conversa simples e intuitiva.O limite entre o aprimoramento e a falsificaçãoApesar da acessibilidade, a facilidade de alteração pode arruinar a foto se não for gerida com rigor. O especialista adverte para o perigo de resultados “plastificados”, caracterizados por peles excessivamente lisas, perda de textura e iluminação incoerente. A regra, segundo Dhiego, deve ser a moderação. “O ideal é que a pessoa perceba a imagem como melhor, não necessariamente como editada. Uma boa edição deve valorizar o registro, não fazer com que ele pareça falso”.No campo criativo, a IA expande as fronteiras da manipulação visual, permitindo transformar fotografias em ilustrações, alargar as margens da imagem com cenários gerados ou transformar esboços em objetos reais. Contudo, Dhiego estabelece uma linha divisória clara: “É importante separar o uso criativo do uso documental. Uma coisa é criar uma imagem artística. Outra é alterar uma imagem que será usada como registro de um fato real”.Para combater a falsificação e a desinformação, a indústria tecnológica tem investido em normas de transparência, como o protocolo C2PA e o SynthID (da Google), que inserem marcas de água imperceptíveis e registam o histórico de procedência dos arquivos.Privacidade em risco nos servidoresUm aspecto frequentemente negligenciado pelos utilizadores é a segurança dos dados pessoais. O processamento de imagens complexas ocorre, em muitos casos, na infraestrutura de “nuvem” (cloud) das empresas fornecedoras.Dhiego destaca que uma fotografia contém informações críticas: desde a localização e o rosto do indivíduo até documentos, telas de computador e dados invisíveis embutidos no arquivo (metadados).O especialista chama atenção para o aspecto legal: “No Brasil, dados biométricos são considerados dados pessoais sensíveis pela LGPD. Por isso, o usuário deve ter cuidado redobrado com imagens de rosto, especialmente de terceiros”. A recomendação técnica recai sobre a preferência por aplicações que realizem o processamento localmente, diretamente no celular.Qual é a ferramenta ideal?O mercado divide-se entre soluções integradas nos sistemas operacionais e aplicações especializadas. Para edições rápidas e correções rotineiras, os recursos da Samsung, Google e Apple oferecem a maior conveniência e agilidade.Segundo Dhiego, para um controle rigoroso, edição não destrutiva e um fluxo de trabalho profissional, softwares como o Adobe Lightroom e o Photoshop mantêm a liderança indiscutível.O Canva destaca-se na agilidade para criação de conteúdos orientados para redes sociais, ao passo que o Topaz Photo AI é o mais procurado por fotógrafos para a recuperação de nitidez e ampliação de arquivos.A escolha deve ser sempre norteada pelo propósito da utilização. “Minha orientação é simples: escolha pela necessidade, não pela fama da ferramenta. Para uso casual, prefira praticidade. Para trabalho profissional, priorize controle e qualidade. Para imagens sensíveis, coloque privacidade em primeiro lugar”, conclui.Além do ChatGPT: veja 5 ferramentas de IA para aumentar produtividade