Koné: Quando o corpo quebra, algo maior se fortalece.

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Sim, houve abraços.Houve o abraço demorado e apertado entre Ismaël Koné e Jesse Marsch, no meio do gramado, enquanto a perna do jogador ainda estava sendo imobilizada.Um treinador experiente e um jovem de 24 anos se abraçando como quem diz, sem palavras: “Eu estou aqui com você”. Houve o círculo de companheiros ao redor da maca, o olhar emocionado de Jonathan David, a camisa 8 levantada por Nathan Saliba depois do golaço.Houve, sobretudo, o abraço do país inteiro. O público do estádio se levantou inteiro quando Koné, mesmo com a dor estampada no rosto, ergueu o polegar para cima e acenou. Não foi aplauso de piedade. Foi reconhecimento.O Canadá, que viveu naquela noite a maior vitória de sua história em Copas (6 a 0), parou por alguns segundos para abraçar um dos seus. Nas redes, nas TVs, nas ruas de Vancouver, Toronto e Montreal, o sentimento foi o mesmo: “Força, Ismaël”.Koné não é apenas um meio-campista talentoso. É um símbolo da nova cara do Canadá — imigrante da Costa do Marfim, que chegou criança, cresceu no futebol de rua e chegou à seleção em tempo recorde.Ver ele sair de campo quebrado, mas de cabeça erguida, tocou algo profundo. Não foi só uma lesão. Foi um lembrete de como o esporte pode ser cruel e belo ao mesmo tempo.Madibo, o autor da falta, também fez sua parte: foi ao vestiário pedir desculpas e foi recebido com classe. Outro gesto que cabe no mesmo abraço maior.A Copa segue. O Canadá segue sem Koné por quatro ou cinco meses. Mas aquela imagem — o polegar para cima no meio da dor — já ficou.E o abraço que o país deu nele mostra que, mesmo quando o corpo quebra, algo maior se fortalece. Até a próxima.